domingo, 16 de agosto de 2015

ESTUDO Nº 06 - VIDA CONJUGAL (1 Coríntios 7)


INTRODUÇÃO

Antes de perguntar se “a igreja vai bem", talvez seja importante perguntar: “e a família, vai bem?" Isto, porque a igreja nasce na família e, quando esta não vai bem, a igreja também sofre as conseqüências. Para que a família vá bem, é fundamental que haja harmonia na vida conjugal.

Nos tempos atuais a vida conjugal tem sido; para muitos casais, uma experiência tumultuada em função de incompreensões, indiferença, infidelidade e, em muitos casos, falta de responsabilidade. Não são poucos os lares que terminam destruídos, gerando frustrações e traumas para os cônjuges e especialmente para os filhos. 

Uma experiência de vida conjugal bem sucedida, salutar e compensadora, exige a atenção às orientações da Palavra de Deus. O texto de I Coríntios 7 oferece orientações nesse sentido.


CONTEXTUALIZAÇÃO

Havia dúvidas entre os crentes de Corinto sobre o casamento e o relacionamento familiar em geral. Foi então que eles resolveram escreverão apóstolo Paulo a fim de se esclarecerem sobre esses assuntos (v.l). Nesta lição, estaremos estudando o capítulo sete da primeira epístola de Paulo aos Coríntios, o texto mais rico da Bíblia acerca do casamento em seus diversos aspectos: o casal e a vida conjugal; os filhos; o estado de solteiro; a separação e o divórcio; a viuvez e o novo casamento etc.[1]

Outra questão que também envolve as orientações (ou concessões) de Paulo é a expectativa escatológica que determinava o viver dos cristãos naqueles dias (V. 29-31). Além disso, as perseguições e os sofrimentos estavam se intensificando e o tempo para a evangelização se abreviava. 

Todos esses elementos contextuais influenciam e determinam as orientações de Paulo acerca da vida conjugal. É por isso que ele enaltece a vocação celibatária (vv. 1, 8, 40) e também recomenda a fidelidade e a pureza no casamento (v.2). 

Não obstante as circunstâncias que cercavam os primeiros destinatários da carta, a sua mensagem é perfeitamente aplicável ainda hoje.

Quais os aspectos importantes deste capítulo.1. O casamento é monogâmico (poligamia/poliandria), v.2
2. Paulo proíbe a relação homossexual (sua própria mulher), v. 2
3. Paulo proíbe o celibato compulsório (imposição)[2], v. 1
4. Paulo estabelece a duração do casamento, v. 10-11, 39-40.
5. Paulo também instrui sobre a dissolução do casamento, v. 15-16.
6. Paulo aconselha aos solteiros, virgens e viúvas que não se casem novamente, 7.25-40


1. A VIDA CONJUGAL DEVE SER UMA OPÇÃO VOLUNTÁRIA E CONSCIENTE

Conforme o ensino bíblico, a vida conjugal se concretiza com o casamento e esta opção deve ser voluntária (arranjados ou forçado) e também consciente. Ao optar pelo casamento o indivíduo precisa estar consciente das implicações desta decisão. Embora seja uma opção pessoal, a orientação divina deve ser sempre buscada. Paulo recomenda “casar somente no Senhor”, isto é, Deus precisa aprovar a escolha. Se, por um lado, o celibato é um dom, o casamento também o é. É por isso que esta escolha deve ser submetida à vontade do Senhor (Pv 18.22; 19.14). 

Os pais não devem forçar o casamento dos filhos, pois é uma opção voluntária, mas podem e devem orientá-los. A ação pastoral nesse sentido é também indispensável. 

Por sua vez, o jovem e a jovem devem refletir sobre quais estão sendo as suas motivações para o casamento. É pressão familiar, paixão sexual, busca de prestígio, aventura, fuga da realidade, libertação do domínio dos pais, sentimento de inferioridade, competição...? É preciso se perguntar: as minhas motivações refletem uma opção voluntária e consciente?

Ninguém é obrigado a casar, mas quem opta pelo casamento tem o dever de honrar o seu casamento (Hb 13.4).

Em I Tm 4.1-3, o mesmo apóstolo profetiza, pelo Espírito Santo, que um dos sinais do fim dos tempos é a proibição do casamento. Há por toda parte uma multidão de casais vivendo sem serem casados sob o rótulo de "união estável" protegida pelo Estado.

O matrimônio foi instituído por Deus e é um estado honroso (Hb l 3.4), mas o celibato também é uma opção de vida perfeitamente natural (v.38). l O casal cristão que vive no temor de Deus simboliza Cristo e sua Igreja (Ef 5.31,32).[3]


2. A VIDA CONJUGAL EXIGE RESPONSABILIDADE

A voluntariedade e a consciência que conduzem o indivíduo ao casamento encontram o desafio da responsabilidade, a qual se constitui numa expressão do verdadeiro amor que “não se conduz inconvenientemente” (I Co 13.4-8). 

Sob a ótica da responsabilidade a vida conjugal deve ser vivida como:

2.1 - Uma relação exclusiva - Conhecendo o ambiente social dos coríntios, que favorecia o desregramento moral e a promiscuidade, Paulo orienta os casados quanto à fidelidade e o compromisso que fazem da vida conjugal uma relação exclusiva (v.2).

A orientação bíblica referente à instituição do casamento (Gn 2.18-25) encerra este princípio da exclusividade: “... deixa o homem pai e mãe, e se une a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne”. Esse ato de deixar pai e mãe abrange um rompimento físico, geográfico, emocional e econômico em função da nova união para que a mesma se torne exclusiva. 

Os compromissos conjugais devem ser prioritários em face de quaisquer outros compromissos sociais. E esta exclusividade requer maior atenção especialmente quando o problema é a possibilidade de infidelidade conjugal.

2.2 - Uma relação recíproca - Quanto à reciprocidade que deve existir na vida conjugal, Paulo apresenta um conceito revolucionário para a época, ao considerar a mulher em situação de igualdade com o homem em termos de direitos e deveres na vida conjugal (v. 3-5). Esta reciprocidade abrange todos os aspectos da vida conjugal, pois o verdadeiro amor “não procura os seus interesses”, mas os interesses da pessoa amada.

2.3 - Uma relação permanente - Conforme o texto de Mateus 19.3-8, ao ser interrogado acerca do divórcio Jesus apresenta uma resposta que expressa o ideal de Deus para o casamento: “... o que Deus ajuntou não o separe o homem". No texto básico (vv. 10-15), 20 Paulo reforça o conceito da indissolubilidade do casamento: “Aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido... e que o marido não se aparte de sua mulher”. 

Há, porém, algumas condições em que os vínculos matrimoniais podem ser desfeitos:
a) Abandono por parte do cônjuge não crente (v.15);
b) Morte ou desaparecimento do cônjuge (v. 39; Rm 7.2,3);
c) Relação sexual ilícita (Mt 5:32; 19.9)

John Stott esclarece: “Se o cônjuge incrédulo desejar permanecer casado, então o crente não deve recorrer ao divórcio. Mas se o cônjuge incrédulo não quiser ficar e decidir partir, então o outro ficará livre para se divorciar e casar novamente”[4]

A separação por incompatibilidade de gênios ou outros motivos além dos expostos aqui, carece de fundamentação bíblica. O ideal divino para o casamento é a permanência. O divórcio – prática amparada por lei - é uma concessão que existe e é tolerada mais em função da dureza do coração humano do que da vontade de Deus (Mt 19.6-8). 

Segundo o teólogo David J. Atkinson: “A igreja deve ser um refúgio de apoio, para aqueles cujos relacionamentos estão em dificuldades, e uma agência de reconciliação e de ministério de perdão sempre que possível”.[5]


3. A VIDA CONJUGAL NÃO DEVE PREJUDICAR OS COMPROMISSOS COM O SENHOR

O apóstolo levanta uma questão séria que é a falta de equilíbrio na administração dos compromissos familiares e eclesiásticos (vv. 32-35). Paulo esclarece que não deseja impedir que as pessoas se casem; o seu propósito é claro: “Digo isto porque quero ajudá-los. Não estou querendo atrapalhar ninguém. Ao contrário, quero que faça o que é direito e que se entreguem ao serviço do Senhor com toda dedicação" (vv.35. BLH). 

Em função das circunstâncias já referidas nesse estudo, Paulo entendia que era mais viável não constituir família. Paulo está mostrando isso por causa de fatores circunstanciais daqueles dias em que estava vivendo.
a) Angustiosa situação presente e angústia na carne, v. 26 
b) Preocupações, v. 32
c) A vinda iminente do Senhor Jesus, v. 29-31

Entretanto, no pensamento global de Paulo e no ensino geral das Escrituras, constatamos que o casamento é visto como sublime, elevado e digno de honra; sendo até mesmo tomado para ilustrar a relação de Cristo com a igreja. Contudo, é preciso entender que, apesar do valor e da atenção que merecem, os compromissos conjugais não devem prejudicar os compromissos com o Senhor. 

O casal que não valoriza os compromissos com o Senhor, em função da família, às vezes nem imagina que, com esta atitude está prejudicando a própria família e ameaçando o seu futuro (Sl 127.1; 128). Para que tudo mais vá bem, o nosso primeiro compromisso deve ser com Deus.



[1] GILBERTO, Antonio. I Coríntios: Os problemas da igreja e suas soluções.  Lições Bíblicas 2T2009. Rio de Janeiro:  CPAD, 2009, p.33
[2] O celibato teve sua origem no clero romano, após 304 d.C. nos concílios de Elvira e Nicéia que proibiam os Ministros religiosos casarem-se após a ordenação. A Igreja Católica adotou o celibato dos padres e freiras na Idade Média, para defender o seu patrimônio, a fim de evitar que se tornasse objeto de disputas por herdeiros, tornando-se obrigatório para o clero a partir de 1537, durante o papado de Gregório VII, onde um sacerdote romano que se casasse incorria na excomunhão e ficava impedido de todas as funções espirituais. LIVER JR., O. G. Celibato. Em ELWELL, Walter A.  (Ed.). Enciclopédia histórico-teológica da igreja cristã. São Paulo: Vida Nova, 1988-1990. Vol. I, p. 270s.
[3] GILBERTO, Antonio. I Coríntios: Os problemas da igreja e suas soluções.  Lições Bíblicas 2T2009. Rio de Janeiro:  CPAD, 2009, p.34
[4] STOTT, John. Grandes questões sobre sexo. São Paulo: ABU Editora, 1993.     
[5] ATKINSON, David. A Mensagem de Rute. São Paulo: ABU Editora, 1ª Ed. 1991

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