quarta-feira, 8 de julho de 2015

ESTUDO Nº 03 - A FALTA DE ESPIRITUALIDADE CRISTÃ (1 Coríntios 3.1-9)


INTRODUÇÃO
Como será que anda a situação espiritual de nossa igreja? 
Mas, o que é espiritualidade? 

A espiritualidade cristã é uma expressão de devoção, que envolve o cristão em todas as dimensões de sua vida na relação consigo próprio, com Deus e com o próximo, determinando positivamente a maneira de pensar, falar e agir, enfim, de ser e de viver.
Através da confissão, do louvor, da adoração, da meditação, do jejum, da oração e de outras atitudes e práticas cristãs, o crente exercita a sua espiritualidade.  Quando há espiritualidade a igreja vai bem; quando não há, vai muito mal.

Certamente as questões tratadas por Paulo nos capítulos 3 e 4 da primeira carta aos Corintios, envolvendo a espiritualidade cristã, trazem advertências e orientações, tanto para os membros da igreja, quanto para a liderança. Nada pode ser mais infantil nos crentes e que mais indique atraso espiritual como andarem divididos em rivalidades ou dominados por espírito faccioso. O apóstolo Paulo censurando os coríntios, declara-lhes que estão se mostrando como crentes carnais, crianças em Cristo.[1]

Antonio Gilberto (Pentecostal) escreveu: “Os crentes de Corinto tinham dons espirituais (1.7), mas muitos eram imaturos, insubmissos, ignorantes, além de carnais. Em uma igreja é possível haver crentes fervorosos, que gostam de movimento e agitação sem, contudo, haver espiritualidade real, advinda do Espírito Santo. Às vezes o que parece fervor espiritual é mais emocionalismo, resultante de motivações e mecanismos externos”.[2]

O objetivo do presente estudo é despertar o povo de Deus para este problema, bem como suas conseqüências, buscando assim corrigi-lo.

1. A FALTA DE ESPIRITUALIDADE É DEMONSTRADA ATRAVÉS DE ATITUDES MESQUINHAS

Estas atitudes mesquinhas são referidas no texto como segue:

1.1 – Ciúmes e contendas (3.3) – Em Corinto a falta de espiritualidade era notória. Havia ciúmes e brigas entre os membros da igreja. O conceito característico do Novo Testamento é que é uma das “obras da carne” (G1 5.20). Contendas é palavra que já encontramos em 1.11. Tanto ciúmes como contendas apontam para auto-afirmação e para rivalidades doentias. Paulo indaga se isto não é ser carnal (sarkikos) e andar segundo o homem. Esta última expressão significa, “como homens naturais” (cf. 2:14).[3]

Apesar de ser algo extremamente vergonhoso e constrangedor, tais atitudes ainda se repetem em muitas igrejas hoje. O sentimento de inveja e ciúme continua a provocar contendas e divisões, dificultando o relacionamento entre alguns crentes e o bem-estar da igreja. Na carta aos Colossenses, Paulo recomenda algumas virtudes que podem evitar ou corrigir esta constrangedora situação (Cl 3:12-16).

1.2 Disputas partidárias (3:4-9) – A unidade cristã estava sendo prejudicada em função das preferências de cada grupo. Uns se diziam de Paulo, outros de Apolo. Eles deixaram de compreender que, tanto Paulo quanto Apolo, eram apenas instrumentos nas mãos do Senhor. “Enquanto os cristãos condicionarem a própria fé à preferência por um pregador ou líder, demonstram fé imatura. Agindo assim, estão sendo levados por princípios que dividem e que são contrários ao princípio básico que provém do Espírito. A unidade em Jesus Cristo”. [4] 

A atitude de endeusamento ou subestimação deste ou daquele pastor ou líder, revela imaturidade e carnalidade, pois, na verdade, ninguém é coisa alguma (3:7). Sendo assim, devemos substituir as disputas partidárias por cooperação (3:8-9).

1.3 Deturpação do evangelho (3:11) – A falta da espiritualidade chega ao ponto de excluir a centralidade de Cristo como o único fundamento, deturpando assim o evangelho. Mas tal deturpação estava havendo em Corinto, como conseqüência das disputas. 

Segundo R. N. Chaplin, “somente Jesus Cristo pode servir de base sobre a qual edifiquemos a nossa fé; somente sobre o Senhor pode um vida remida ser construída, e somente tendo por centro a pessoa de Cristo é que se pode fundar uma comunidade cristã organizada. Por conseguinte, atribuir glória a qualquer outro é roubar o Senhor Jesus Cristo da posição fundamental que Ele ocupa apropriadamente em sua igreja”. [5]

1.4 Julgamentos indevidos (4:4) – O tratamento que eles estavam dispensando aos líderes também demonstrava falta de espiritualidade. Estavam fazendo um julgamento que não lhes cabia, que não era de sua competência. Por isso Paulo lhes diz: “Não julguem ninguém antes da hora: Esperem o julgamento final, quando o Senhor vier” (4:5). Essa atitude tão comum em nossas igrejas, onde algumas pessoas assumem as prerrogativas de emitir juízos muitas vezes precipitados e indevidos, é condenada na Palavra de Deus e deve ser repudiada (Mt 7:1-3; Tg 4:11-12).

1.5 Auto-suficiência (4:8) – No entender de Leon Morris “os Corintios não sentiam falta de nada. Longe de progredirem na fé cristã, estavam se aproximando da idéia estóica de auto-suficiência”.[6] 

Paulo ironiza a comunidade (4.8) e em seguida contrasta a situação imaginária da igreja com a real situação dos apóstolos (4:9-13). Esta atitude dos Coríntios nos faz lembrar também da igreja de Laodicéia (Ap 3.14-22). Por todas as atitudes aqui alistadas, os Coríntios se mostravam demasiadamente imaturos e poucos espirituais. E você e a sua igreja, como estão nestas questões?


2. A FALTA DE ESPIRITUALIDADE É DESASTROSA PARA A VIDA CRISTÃ

2.1 A nível pessoal prejudica o crescimento na fé – A falta de espiritualidade afeta diretamente o crescimento pessoal. Por isso, devemos cultivar a espiritualidade individualmente; não podemos ficar dependendo dos outros nesta questão (I Tm 1:18-19; II Tm 2:1,14-15).  Devemos nos esforçar para fazer a diferença (Tt 1:10-16; 2.1). Se não assumirmos tal postura, o nosso crescimento ficará prejudicado por causa dos outros.

2.2 A nível comunitário prejudica a unidade – Já no primeiro capítulo da carta Paulo faz uma exortação à unidade, tocando nas questões que fazem parte do texto básico deste estudo (1:10-13). Quando não há espiritualidade, não tem como haver unidade, pois, esta é fruto e a mais veemente expressão daquela. É oportuna a recomendação de Paulo aos Efésios (Ef 4:1-6).

2.3 A nível global prejudica o testemunho – A falta de espiritualidade desautoriza e enfraquece o testemunho da igreja perante o mundo. Aonde não há espiritualidade, também não há obras nem amor e, segundo a Bíblia, são estas atitudes que fortalecem o testemunho da igreja (Mt 5:16; Jo 17:21).  A igreja pode dispor de todos os demais recursos, porém, se não tiver espiritualidade, o seu testemunho será sempre ineficaz.


3. A FALTA DE ESPIRITUALIDADE PRECISA SER CONFRONTADA

Este é um dos propósitos de Paulo ao escrever esta carta. Mas, de que maneira e com que objetivo a falta de espiritualidade deve ser confrontada?

3.1 Com autoridade e amor (3:1-2; 4:14-21)– Ao constatar que eles permaneciam ainda crianças em Cristo, Paulo se sente no dever de agir como pai. E Esta ação paternal se dá com autoridade e amor. Pastores e presbíteros devem sentir-se desafiados a agir desta forma também (II Tm 2:24-25).  Agir com autoridade é ter condições de se colocar como modelo para os crentes (v. 16; I Pe 5:1-3) E agir com amor é valorizar mais o ser humano do que o problema.

É Mathews Henry quem diz: “É uma característica feliz a do ministro do Evangelho que possui espírito de amor e mansidão como qualidades predominantes, sem que com isso perca sua justa autoridade”.[7]

3.2 Com o objetivo de promover a maturidade cristã – O propósito com o qual a falta de espiritualidade deve ser confrontada é a promoção da maturidade cristã. A falta de espiritualidade é o oposto da maturidade. E o cristão é chamado a crescer na fé, amadurecendo espiritualmente (Ef 4:15-16; I Pe 2:1-2; II Pe 3:17-18). Certamente, a igreja só vai bem quando os crentes têm convicção de que a falta de espiritualidade deve ser superada pela maturidade cristã, e por isso, a buscam dia após dia.

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[1] ERDMAN, Charles R. Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1957. p.33
[2] GILBERTO, Antonio. I Coríntios: Os problemas da igreja e suas soluções. Lições Bíblicas 2T2009. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p.5.
[3] MORRIS, Leon. I Coríntios - Introdução e Comentário. Série Cultura Bíblica, volume 7. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 1989. p.51
[4] Comentário Bíblico na Bíblia Sagrada Edição Pastoral.
[5] CHAMPLIN. R. N. O Novo Testamento Interpretado - Versículo por Versículo, Volume 4. São Paulo: Editora Candeia, 1993
[6] IBID
[7] HENRY, Mathews. Comentário Bíblico Mathews Henry, Volume 2. Rio de Janeiro: CPAD, 2008

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