domingo, 12 de julho de 2015

ESTUDO Nº 04 - A IMPUREZA NA IGREJA (1 Coríntios 5)



INTRODUÇÃO

Vivemos em uma época que é dominada pelo que se pode chamar de “sexolatria”. Ou seja, culto ao sexo. Vivemos em uma sociedade em que eles fazem questão de publicar a sua sexualidade (Is 3.9). Em meio a tudo isso, a Igreja do Senhor Jesus deve continuar a ter sua trajetória marcada por fidelidade aos padrões morais que são apresentados pela Palavra de Deus. A igreja não pode se deixar sujar pela imoralidade seja de natureza sexual, ou de qualquer espécie. Como a arca, a igreja deve navegar no mar de impureza deste mundo, sem deixar que a água entre no barco (Betume). Mas, o que fazer se há impureza na igreja? Como reagir diante de um problema desta natureza? O objetivo deste estudo é encontrar uma resposta bíblica a estas questões.


CONTEXTUALIZAÇÃO

A igreja está inserida numa cultura em decadência. Essa não era apenas uma realidade da igreja de Corinto, mas, também é a condição da igreja contemporânea. Corinto era uma cidade moralmente decadente. Em Corinto estava um dos principais templos dos cultos gregos. Ali ficava o templo de Afrodite, a deusa grega do amor e do sexo. Nesse templo havia cerca de mil prostitutas cultuais que prestavam uma espécie de serviço litúrgico àquela divindade paga por meio da prostituição. Lá em Corinto, também, ficava o maior monumento de Apolo, uma figura que expressava a beleza do corpo masculino e sugestionava o povo à prática do homossexualismo.[1]

Contudo, A igreja é uma contracultura dentro de uma cultura decadente. A sociedade secular não conhece os princípios de Deus, não ama os valores absolutos de Deus nem está sujeita à lei de Deus. Todavia, ao que parece, os coríntios tinham em tal conta a sua emancipação em Cristo, que podiam seguir uma linha inteiramente diversa da dos outros cristãos, e que favorecia até males piores do que os que os gregos em geral praticavam. Isto provoca severa censura da parte de Paulo.[2]

O texto principal deste estudo apresenta a censura de Paulo a um membro da igreja que estava se relacionando sexualmente com sua própria madrasta (Incesto). Tanto a Lei Rabínica (Lv 18.5) como a Lei Romana proibiam tais atitudes. 

O que podemos observar no texto:
a) Um pecado grave havia sido cometido (incesto), v. 1
b) Havia por parte da igreja uma concessão (fermento), v.6
c) Eles não lamentavam aquela situação (lamentar), v.2
d) Eles estavam até achando legal aquela situação (ensorbebecidos), v. 2
e) Faltou a devida disciplina, v.2

Seja... entregue a Satanás (v.5) é uma expressão incomum. Noutra parte só ocorre em 1 Tm 1.20. O significado palpável é o de excomunhão (Vs. 2, 7,13). A idéia subjacente é que fora da igreja está a esfera de Satanás (Ef 2.12; Cl 1.13; 1 Jo 5.19). Ser expulso da igreja de Cristo é ser lançado àquela região onde Satanás mantém o poder. É uma expressão muito forte concernente à perda de todos os privilégios cristãos.[3]

Na seqüência do texto há a recomendação aos cristãos no sentido de que tenham pureza em todas as áreas da vida. 


1. A IGREJA NÃO ESTA ISENTA DO PECADO DA IMORALIDADE

Infelizmente existe a possibilidade do pecado da imoralidade acontecer na igreja do Senhor Jesus. É claro que esta possibilidade deve ser evitada a qualquer custo. O apóstolo Paulo (v.11) fala que havia naquela igreja “...alguém que dizendo-se irmão...” era na verdade um “impuro”. Isto mostra a possibilidade de que haja pessoas que, apesar  de frequentarem
regularmente a igreja, sendo até mesmo membros dela, sejam na verdade, impuros. A igreja pelo simples fato de ser igreja, não está isenta de receber contaminações em seu meio. É preciso que se lembre que nem todo que diz a Jesus: “Senhor, Senhor” entrará no reino dos céus (Mt 7:21). O joio é muito parecido com o trigo (Mt 13:28-29).

O que leva alguém a envolver-se tanto com o pecado a ponto de contaminar-se e, por extensão, à sua própria igreja? 

1.1 Relaxamento pessoal: A impureza pode acontecer como resultado de uma vida que não valoriza as práticas devocionais (como leitura e meditação na Escritura, oração, jejum, etc.), não se esforça nem luta para crescer espiritualmente, não imita a Cristo no dia a dia, não cria condições pessoais para que o fruto do Espírito cresça, enfim, um relacionamento completo na caminha cristã;

1.2 Falta de instrução adequada: Também é possível que a impureza surja devido à falta de instrução bíblica adequada quanto a este assunto. Por diversas razões muitas igrejas temem instruir seus membros no que diz respeito à vivência da sexualidade, e também em relação a outras possibilidades da imoralidade. 

É possível que haja outras razões. Mas, qualquer que seja a causa, vale a pena lembrar o sábio conselho do apóstolo: “Aquele, pois, quem pensa estar em pé, veja que não caia” (I Co 10:12).


2. A IGREJA SOFRE COM O PECADO DA IMORALIDADE

Se a imoralidade acontecer na vida de uma igreja, esta será profundamente contaminada. Naturalmente as conseqüências desta contaminação são sempre tristes e nocivas. Pois a contaminação moral é como uma infecção no corpo de Cristo. 

É o que o apóstolo nos diz nos versos 6 e 8 do texto principal. Ele usa a comparação do fermento, que mesmo em pequena quantidade levada toda a massa de pão (v.6) para dizer que a impureza de uma pessoa pode contaminar uma igreja inteira. A comparação com o fermento aqui aparece em um sentido contrário à maneira como o Senhor Jesus utilizou esta figura (Mt 13:33). 

A idéia do apóstolo Paulo aqui lembra o que se encontra em Josué 7:10-11, onde se diz que Deus considerou que todo o povo de Israel havia pecado, quando na verdade uma única pessoa cometera um erro. A este respeito pode-se lembrar o que Thomas Traherne disse: “almas para com almas são como maçãs: Apodrecendo-se uma, apodrecem as outras”. [4]

Quando se compreende isso, fica fácil compreender o que é dito nos versos 7 a 8. É uma lembrança de uma antiga festa dos judeus, quando durante sete dias eles só comiam pão sem fermento (Ex 13:7; Dt 16:3-4), para simbolizar uma vida nova recebida de Deus, sem impurezas de qualquer tipo. Obedecemos ao mandamento bíblico que diz: “Fugi da impureza” (I Co 6:18).


3. A IGREJA CRESCE DISCIPLINANDO O PECADO DA IMORALIDADE 

Já que a imoralidade produz males tão grave na vida da igreja, deve ser retirada para que o corpo de Cristo não seja mais prejudicado ainda. É o que o apóstolo diz nos versos 3 a 5, e depois no final do verso 13.  Além disso, os versículos 9-11, nos orienta que neste caráter disciplinar e pureza da igreja, os nossos relacionamentos precisam ser estabelecidos da seguinte forma:[5]

a) O relacionamento com os descrentes (v. 10), O crente pertence a Cristo; ele é um santo de Deus que não precisa viver isolado, evitando o contato com os não-crentes, senão teria de "sair do mundo", ou seja, morrer. O verdadeiro cristão, mediante a sabedoria e o poder do Espírito Santo, convive entre pessoas não-crentes, mas não se deixa influenciar por elas, por seu modo de viver, sua filosofia de vida, sua religião, seus pecados, etc.

b) O relacionamento com o crente vivendo em pecado. Como já explanado, um caso como o da igreja de Corinto, isto é, o crente que se tornou escravizado pelo pecado, o transgressor contumaz, o rebelde por opção, deve ser isolado e evitado. A privação da comunhão amorosa dos santos pode despertar o transgressor a valorizá-la, 2 Ts 3:6,14-15.

Certamente a questão da disciplina é uma das mais complicadas na vida da igreja. Por isso, é necessário que se compreenda bem este assunto. 

Quanto a este ponto, pode-se dizer que:

3.1 A disciplina deve ser exercida com amor: O ideal bíblico não é pagar mal com mal, mas com amor, para que haja cura e saúde na igreja. “Todos os vossos atos sejam feitos com amor” (I Co 16:14). Quando se sufoca a verdade por causa do amor, alguém vai sofrer as conseqüências funestas de tais atitudes (I Sm 2.29; 4.10-11).

3.2 A disciplina deve ser educativa: Quando se exerce corretamente a disciplina, há um processo educativo em andamento que ensina aos demais crentes as tristes conseqüências do pecado.

3.3 A disciplina deve procurar restaurar o pecador: Não é simplesmente “botar para fora” quem caiu no erro. O excelente livro: “Restaurando o Ferido”, de John White e Ken Blue mostra com grande sensibilidade cristã e riqueza de informações, como a disciplina na igreja deve buscar e levantar quem cedeu a qualquer pecado. [6]

Finalizando, feliz é a igreja que consegue tratar a imoralidade em seu meio desta maneira!

__________________________________________
[1] LOPES, Hernandes Dias Lopes, I Coríntios: Como resolver conflitos na Igreja. São Paulo: Hagnos, 2008, p. 89-90
[2] MORRIS, Leon. I Coríntios - Introdução e Comentário. Série Cultura Bíblica, volume 7. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 1989. p.68
[3] IBID p.70
[4] Citado por BECKER, Ernest. A negação da morte. Rio de Janeiro: Record, 1995. p. 73-75
[5] GILBERTO, Antonio. I Coríntios: Os problemas da igreja e suas soluções. Lições Bíblicas 2T2009. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p.26
[6] WHITE, John; BLUE Ken. Restaurando o ferido. Florida: Editora Vida. 1992.


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