sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

SÉRIE ESTUDANDO A NATUREZA HUMANA - ESTUDO Nº 03: A Malignidade da Inveja (Romanos 1.28-29)



INTRODUÇÃO

Abordar um tema como a inveja confronta muita gente e possivelmente muitos dirão – “Eu invejoso? De modo nenhum?” Será mesmo? Este pecado chamado inveja é um pecado bem escondido, pois você nunca ouviu alguém dizer: “Eu sou uma pessoa invejosa”. Muitos já confessaram pecados de mentira, de lascívia e muitos outros. Todos nós já oramos clamando: “Senhor, perdoe os meus pecados”. Mas confessar-se invejoso, assumir o pecado da inveja é algo que ainda não vi acontecer. [1]

Não seria exagero afirmar que existem pessoas que buscam conquistas, única e exclusivamente, para despertarem o sentimento da inveja. Elas querem ter ou ser para provocarem a pratica da maldade pelos indivíduos que o cercam! O que dizer desse comportamento? [2]

Em uma pesquisa feita recentemente, mostra-nos uma realidade bem diferente:
QUEM ASSUME?
54% dos brasileiros acreditam ser invejados pêlos outros;
46% admitem sentir inveja

AS AREAS MAIS INVEJADAS
18% Carreira
16% Dinheiro
7% Inteligência
6% Relacionamentos afetivos
3% Beleza
2% Espiritualidade
2% Família
1% Casa / Decoração
Fonte: Marketing Estatística e Comunicação Internacional [3] 

Neste estudo veremos a malignidade da inveja. Definiremos o objeto de nosso estudo, depois veremos como a Bíblia trata o tema e, finalmente, estudaremos alguns exemplos de comportamento invejoso e uma aplicação disto em nossa vida.


I. CONCEITUANDO A INVEJA

A Palavra derivada do idioma grego (phthónos), que significa emulação e cobiça, tem também o significado de inveja. O termo hebraico “qiná” significa originalmente, uma “queimadura, e então cor produzida no rosto por uma profunda emoção, ou seja, ardor, zelo, inveja”. [4]

O dicionário Aurélio nos diz que “inveja” vem do latim “invidia” e significa: desgosto ou pesar pelo bem estar ou pela felicidade de outrem; desejo de possuir o bem alheio. Literalmente, o termo “invidia” é traduzido assim: “olhar com intenção maliciosa”.

Segundo a psicóloga Melanie Klein, a inveja “é um sentimento que destrói; é um modo inadequado de lidar com a realidade. A pessoa não faz nada e ataca quem faz ou tem alguma coisa. É pura falta de competência” [5]

A inveja tem inúmeras formas de expressão: críticas, ofensas, dominação, rejeição, difamação, agressões, rivalidade, vinganças. 

Diante de tantas definições, como então ter um conceito fixo da “inveja”? A definição que poderíamos usar é: “A inveja é uma das maiores demonstrações de mesquinharia humana, causada pela queda no pecado. Os invejosos chegam a fazer campanhas de perseguição contra suas vítimas, as quais, na maioria das vezes, não têm qualquer culpa por haverem despertados tal sentimento nos invejosos. Geralmente os malsucedidos têm inveja dos bem-sucedidos. Essa é uma tentativa distorcida para compensar pelo fracasso, glorificando ao próprio “eu” e procurando enxovalhar a pessoa invejada.” [6]


II. AVALIAÇÃO BÍBLICA DA INVEJA

A inveja não é necessariamente querer para nós mesmos, mas simplesmente querer que seja tirado do outro. Santo Agostinho associa a inveja com a cobiça, proibida pelo 10º mandamento – “Não cobiçarás a casa do teu próximo...” Ex 20.17 

Ele mostra diferenças importantes entre o ciúme, cobiça e a inveja:
Ciúme – é o desejo desesperado de manter o que se tem;
Cobiça – é querer o que não tem;
Inveja – é não querer que o outro tenha. [7]
E acrescenta: “A inveja é o desejo manifestado de forma destrutiva, de possuir o que é dos outros.”

O que diz a Bíblia sobre isso? Para começar, vejamos a observação do Rei Salomão – “Então, vi que o trabalho e toda destreza em obras provém da inveja do homem contra o seu próximo. Também isto é vaidade e correr atrás do vento”. Ec. 4.4

As nossas habilidades, talentos, realizações e trabalhos não devem ser produzidos pela inveja, pelo desejo de superar o outro, de ofuscá-lo ou ridicularizá-lo.

1. A inveja é característica daqueles que vivem longe de Deus - O apóstolo Paulo escreve aos romanos dizendo que aquele que desprezam a Deus, este os entrega a uma “disposição mental reprovável, para praticarem cousas inconvenientes”, e entre estas práticas está a inveja, Rm 1.28-29; Tt 3.3.

2. A inveja é de origem demoníaca - A sabedoria que é invejosa não provém de Deus. Tiago a conceitua como inveja amargurada e a qualifica como terrena, animal e demoníaca, Tg 3.14-15.

Este tipo de inveja surge de pessoas que vivem querendo prevalecer ou fazer seus argumentos serem vitoriosos, e tais pessoas estarão predispostas a serem derrotadas e a sentirem inveja daqueles que as venceram, I Tm 6.3-4.

3. A inveja causa males a seus praticantes - O rei Salomão em seus ensinamentos da observação da vida e das experiências práticas, pergunta: “Cruel é o furor, e impetuosa, a ira, mas quem pode resistir à inveja?” Prov. 27.1

Além de molestar suas vitimas, a inveja causa males àqueles que a sentem, Pv 14.30.

Louise Hay, escreveu que “Por trás de uma doença ou acidente sempre existe um pensamento ou crença negativa. Todos nós criamos uma realidade em nosso mundo mental, que se materializa em nosso corpo ou realidade concreta.” [8]

A inveja também impede o crescimento espiritual, I Pe 2.1-2.


III. EXEMPLOS BÍBLICOS DE COMPORTAMENTO INVEJOSO

Embora a expressão “inveja” nem sempre apareça nesses relatos, sua prática e suas conseqüências estão evidentes.

1. A reação de Caim [9] - Mesmo que o texto não nos diga que ele sentiu inveja de Abel, fica claro que esse sentimento está presente. Quando Deus aceita a oferta de seu irmão e rejeita a sua, Caim, sente-se desprezado – ele fica irado, Gn 4.3-5. Caim não desejava obter ou tirar alguma coisa do seu irmão, e sim, tinha inveja pelo que ele era na sua vida diária e diante de Deus, I Jo 3.12; Hb 11.4. 

2. José e os seus irmãos, Gn 37 - Israel amava mais a José dos que a todos os outros filhos (v.3), por isso seus irmãos o odiavam (v.4) – eles sentiam inveja (v.11). Embora a palavra que aparece no versículo mencionado seja “ciúme”, possivelmente a melhor tradução seja “inveja”.
a. Percebe-se que eles não estavam perdendo algo que já tinham, ou seja, uma posição privilegiada (o que seria caracterizado como o ciúme).
b. O que fica claro, é que eles desejavam algo que não possuíam, ou seja, uma posição igual a de José (o que caracteriza a inveja).
Neste caso, a inveja gerou o ódio que os fez prender o irmão e vendê-lo a mercadores. [10]

3. Saul e Davi (I Samuel 18) - Após uma companhia militar, ao voltarem Davi e Saul com seus exércitos, ambos são recebidos pelo povo em festa. O cântico das mulheres era: “Saul feriu os seus milhares, porém Davi, os seus dez milhares” (v.7). Diante desta manifestação popular, o rei passou a sentir “inveja” da popularidade de Davi, e mais, sentiu-se ameaçado (v.8) e passou a perseguir o jovem Davi (v.9).

4. Jesus e as lideranças religiosas de seu tempo - Marcos nos indica a verdadeira razão pela qual Jesus foi entregue à morte pelas lideranças religiosas da época, Mc 15.10.


IV. COMO VENCER A INVEJA?

Muitos perguntam, como nos livrar e vencer pecado tão devastador como a inveja, e outros tantos que nos perturbam e tiram nossa tranqüilidade e segurança?

1. Reconhecer que temos esse pecado - Muitas vezes acusamos os outros de nossos fracassos. Devemos fazer um bom e profundo exame introspectivo e, reconhecer nossa fraqueza. Isso em nada irá nos diminuir e sim, será uma atitude de coragem para exaltação. Ter inveja indica que não estamos satisfeitos com o que Deus tem nos dado. A Bíblia nos diz que devemos estar satisfeitos com o que temos, pois Deus nunca vai nos deixar ou abandonar (Hebreus 13:5).

2. Confessar os nossos pecados - A palavra de Deus nos exorta a confessarmos os nossos pecados mais ocultos, I Jo 1.9; Tg 5.16. Nossa cura e recuperação espiritual e até de enfermidade físicas mais ligadas a emoção podem ser alcançados com esta confissão a Deus. Oremos nos sentir mais tranqüilos e aliviados com essa decisão.

3. Busquemos poder e comunhão com Deus - Busquemos na comunhão com Deus e o poder do Espírito Santo, a iluminação para que possamos com mais facilidades vencer as velhas inclinações da carne, como a inveja.


Para concluir: Como filho de Deus, entendemos que a inveja tem o poder de uma implosão, que nos destrói por dentro. Embora relutamos em reconhecer que acalentamos a inveja no coração. Seria como o racismo que nos orgulhamos em não ter (teoricamente), por que na prática, bem lá dentro, isso temos. A Palavra de Deus, nos recomenda a solidariedade, Rm 12.15-16; 1 Pe 3.8-9; Tg 3.18. Todos estamos tentando ceifar uma colheita resultante da boa vida, mas as sementes que produzem essa colheita jamais podem brotar numa atmosfera que não seja aquela com os relacionamentos corretos. O grupo em que há inveja é um solo infertil, em que não pode crescer nenhuma colheita justa.

________________________________
[1] VALADÃO. Márcio. Inveja. Série Mensagens nº 42. Belo Horizonte: Igreja Batista da Lagoinha, 2008.
[2] VENTURA, Zuenir. Mal Secreto: Inveja. São Paulo: Editora Objetiva, 1998.
[3] JORDÃO, C., RABELO V. A Inveja desvendada. Revista ISTOÉ, São Paulo: nº 2064, 03 jun 2009. Disponível em: < http://www.istoe.com.br/reportagens/19773_A+INVEJA+DESVENDADA> Acesso em 25 dez 2015
[4] BARCLAY, William. As obras da carne e o fruto do Espírito. São Paulo: Vida Nova, 2000, p. 24.
[5] KLEIN, Melanie. Inveja e gratidão e outros trabalhos. Rio de Janeiro, RJ: Imago Editora, 1991.
[6] CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de bíblia, teologia e filosofia. 5. Ed. São Paulo: Hagnos, 2001, p. 355, v. 3.
[7] AQUINO, Tomás de. Sobre o ensino. Os sete pecados capitais. 2ed São Paulo: Martins Fontes, 2004.
[8] HAY, Louise L. Você pode curar sua vida. São Paulo: Editora Best Seller, 1991
[9] Comentário Bíblico Beacon. Vol. 1. 1 .ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
[10] Padres Apostólicos. Coleção Patrística, vol 1. São Paulo: Editora Paulus, 1995.

sábado, 19 de dezembro de 2015

SERIE ESTUDANDO A NATUREZA HUMANA - ESTUDO Nº 02: Egoísmo - A Prática do Amor Próprio (Mateus 22.34-40)


INTRODUÇÃO
 “Cada um por si e Deus por todos!” – Com certeza, você já ouviu esta frase. Ela traduz o conceito que muitos têm da vida. São aqueles que se preocupam apenas consigo próprios. É não são poucos os que só querem levar vantagem. Esta atitude, tão presente no coração humano, que se manifesta nos relacionamentos é chamada “egoísmo”.
Isso é uma características dos homens nos “últimos dias” que o apostolo Paulo avisou a Timóteo, 2 Tm 3.1-3. Nas de­zenove expressões, com as quais descreve os homens iníquos, res­ponsáveis pelos "tempos difíceis". A primeira diz que são "egoístas", ou "amigos de si próprios" (philautoi); Ao invés de serem em primeiro lugar "ami­gos de Deus" são "egoístas" (amigos de si mesmos).[1]
Egoísmo (ego + ismo) é o hábito ou a atitude de uma pessoa colocar seus interesses, opiniões, desejos, necessidades em primeiro lugar, em detrimento (ou não) do ambiente e das demais pessoas com que se relaciona. As três primeiras ampliam o significado do amor egocêntrico. Os homens egoístas tornam-se "jactanciosos", "arrogantes", e "blas­femadores". [2]
Já o egocentrismo caracteriza-se pela fantasia de imaginar que o mundo gira em torno de si, tomando o eu como referência para todas as relações e fatos. A pessoa egocêntrica é egoísta, no sentido de que não consegue imaginar que não seja ela a prioridade no mundo em que vive.
O psicanalista Flávio Gikovate escreveu algo bastante interessante acercad do egoísta. Ele diz que não devemos pensar que ser individualista é o mesmo que ser egoísta. O egoísta não pode ser individualista porque ele tem que ser favorável à vida em grupo já que não tem competência para gerar tudo aquilo que necessita. É do grupo – ou de algumas pessoas pertencentes ao grupo – que irá extrair benefícios. O egoísta é aquele que precisa receber mais do que é capaz de dar. É um fraco e não um esperto. Ou melhor, é esperto porque é fraco e precisa usar a inteligência para ludibriar outras pessoas e delas obter o que necessita e não é capaz de gerar. O egoísta tem que ser simpático e extrovertido. Não é assim porque gosta das pessoas e de estar com elas. É assim porque precisa delas e tem que seduzi-las com o intuito de extrair delas aquilo que necessita.[3]


I. O EGOÍSMO E O MANDAMENTO DO AMOR
         A Ética cristã esta fundada no amor: amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Ai não há espaço para o egoísmo. A parábola do bom Samaritano (Lc 10.25-37) ilustra muito bem o que significa amar ao próximo como a si mesmo.
         O ser humano foi criado por Deus para viver numa saudável interdependência – “não e bom que o homem esteja só” (Gn 2.18). O salmista declarou: “Oh, como é bom e agradável viveram unidos irmãos”! (Sl 133.1). A igreja do novo testamento se distinguia em virtude de um estilo de vida desprendido e altruísta (At 4.32-37).
         O egoísmo arraigado em tantos corações e mentes, tem sido um grande empecilho para a construção de um mundo mais humano, justo e solidário. Diante da cultura do individualismo e da competitividade que rege o mundo hoje, onde o outro é visto não como irmão e parceiro, mas apenas como concorrente, o povo de Deus é desafiado a deflagrar uma revolução: a revolução do amor (Mt 5.43-48).
Tasker escreveu: “um homem não pode amar a Deus num sentido real sem amar também a seu próximo, feito como ele á imagem de Deus” [4]
Esta é a mensagem de I João 4.20,21.
Enfatizando a centralidade do amor, Jesus declara que “destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” (v.40). Mas, por que são estes dois mandamentos os mais importantes?
Hendriksen sugere três razões: [5]
1. A fé e a esperança recebem, o amor dá;
2. Todas as demais virtudes estão incluídas no amor.
3. O amor segue o padrão de Deus, pois Deus é amor
Já nascemos egoístas, odiosos e odiando-nos uns aos outros (Tt 3.3). Jamais amaremos corretamente o nosso próximo enquanto nosso coração não for transformado pelo Espírito Santo. Precisamos nascer de novo. Precisamos despir-nos do velho homem, revestir-nos do novo homem e receber a mente de Cristo. Então, e só então, nosso coração insensível conhecerá o verdadeiro amor que vem de Deus e se estende a todos. O fruto do Espírito é amor (G1 5.22). [6]


II. CARACTERISTICAS E MALES DECORRENTES DO EGOÍSMO
         Escrevendo ao jovem Timóteo (II Tm 3.1-9) o apostolo Paulo o preveniu de que nos últimos dias sobreviriam tempos difíceis, quando os homens seriam, entre outras coisas, egoístas. Como já foi exposto na introdução, o egoísmo caracteriza-se pela concentração dos interesses do individuo em si mesmo, em detrimento das necessidades do semelhante.
         As terríveis qualidades da impiedade dos “últimos dias”, não é casual que a primeira delas seja a vida centrada em si mesmo. O amor próprio é o pecado básico, do qual provêm os outros pecados. No momento em que uma pessoa faz com que sua própria vontade e seu próprio desejo sejam o centro de sua vida, destroem-se as relações divinas e humanas. Se o eu for o centro da vida, então Cristo desaparece dela. A essência do cristianismo não é entronizar o eu, antes, aboli-lo. Todo pecado começa com o egoísmo. [7] A corrupção moral procede do amor impropriamente dirigido.
Hendriksen, em seu comentário de sobre este texto, traz um exemplo interessante sobre o egoísta, dizendo-o ser igual ao ouriço que enrola-se sobre si mesmo, formando uma bola, deixando em seu interior a penugem suave e quente (amante de si mesmo, egoísta) e exibe os espinhos agudos para quem estiver do lado de fora (que agrada a si próprio, soberbo, arrogante). [8]
Mattew Henry, comentando este texto, diz: “Quem não ama a si mesmo? Mas, aqui se tem em mente um amor próprio irregular e pecaminoso. As pessoas amam o seu eu carnal mais do que o seu eu espiritual. Elas têm prazer em gratificar seus próprios desejos mais do que agradar a Deus e cumprir seu dever. Em vez da caridade cristã, que cuida do bem-estar dos outros, elas somente se preocupam consigo mesmas e preferem sua própria gratificação à edificação da igreja”.[9]
A Bíblia diz em Marcos 8:36-37: “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida? Ou que diria o homem em troca da sua vida?”
O egoísmo é a causa central dos problemas que há entre pessoas. A Bíblia diz em Tiago 4:3 “Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites.”
O primeiro (egoísmo), o mais “natural” dos pecados, quando nele insistimos e o associamos ao segundo (avareza), bane Deus da vida. Onde “eu e meu” é o princípio que prevalece, resta pouco para restringir os males aqui “esboçados em uma série medonha” [10]
Os homens egoístas tornam-se "jactanciosos", "arrogantes", e "blas­femadores". As pessoas são narcisistas: amam a si mesmas e só se importam com o próprio bem-estar. Essa tendência à idolatria do eu tem arrebentado com os relacionamentos na família, na igreja e na sociedade. [11]
O egoísmo tem remédio. A Bíblia diz em Gálatas 2:20 “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.”


III. O DESAFIO A UM VIVER ALTRUÍSTA
         Deus ordena que o amemos acima de todas as coisas e que amemos ao próximo como a nós mesmos (Mt 22:34-40), mas se amarmos a nós mesmos acima de tudo, não amaremos a Deus nem ao próximo.
Neste universo, existe Deus e existem pessoas e coisas. Devemos adorar a Deus, amar as pessoas e usar as coisas. Mas se começarmos a adorar a nós mesmos, deixaremos Deus de lado e passaremos a amar as coisas e usar as pessoas. Essa é a fórmula para uma vida infeliz; no entanto, é o que caracteriza muita gente hoje. O anseio mundial por coisas é apenas um dos sinais de que o coração das pessoas está longe de Deus. [12]
         O amor desordenado de nós mesmos leva à morte, como diz o Senhor: “O que ama (desordenadamente) a sua vida perdê-la-á; e quem aborrece (ou mortifica) a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna” (João 12, 25).
“Altruísmo” é o oposto de “egoísmo”. Ser altruísta significa ter amor ao próximo, ser abnegado, estar comprometido com causas filantrópicas.
         O altruísmo deve ser uma marca inconfundível de todo cristão. É deprimente alguém se declarar cristão, e viver egoisticamente. O altruísmo cristão, ordenado por Jesus, transforma-se num veemente testemunho ao mundo (Mt 5.16).
         O nosso compromisso solidário não pode ser limitar á igreja a que pertencemos. Devemos abrir o coração as necessidades que nos rodeiam, e o nosso envolvimento deve ser mais abrangente e efetivo. Muitas ONGs tem ocupado espaços onde quem deveria  estar é a igreja. O evangelho que pregamos muitas vezes se mostra acentuadamente conceitual e teórico, e pouco altruísta. Aprendemos com Jesus! (Mt 9.35-37; 14.13-21).
         A influencia do modo de vida atual atinge também os cristãos. Cada um deve avaliar se está vivendo conforme a ética do Reino de Deus, fundada no amor, ou se esta simplesmente seguindo o curso deste mundo.
         O desafio a um viver altruísta tem implicações não apenas em relação ao bem estar do nosso semelhante. Na verdade, tem implicações também escatológicas. Diante disso, todos quantos desejam viver uma cristã aprovado por Deus, devem atentar para as palavras de Jesus em Mateus 25.31-46. [13]
“Exorta aos ricos do presente século que… pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir; que acumulem para si mesmos tesouros, sólido fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida”. (1 Timóteo 6.17-19)



[1] STOTT, John. Tu, porém – Mensagem de 2º Timóteo. Coleção A Bíblia fala hoje. São Paulo: ABU Editora, 1983.
[2] IBID
[3] GIKOVATE, Flávio. Individualismo não é egoísmo. Disponível in: Acesso em 19 dez 2015.
[4] TASKER, R.V.G., Evangelho Segundo Mateus, Introdução e Comentário, São Paulo: Editora Mundo Cristão, 1988.
[5] HENDRIKSEN, William. Mateus: Comentário do Novo Testamento, Vol 2. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2010.
[6] RYLE, J. C. Meditações no Evangelho de Mateus, São Paulo: Editora Fiel, 2011.
[7] BARCLAY, William. O Novo Testamento Comentado. Trad. Carlos Biagini. São Paulo: Paulinas, 2005.
[8] HENDRIKSEN, 1 e 2 Timóteo e Tito: Comentário do Novo Testamento, Vol 2. São Paulo: Cultura Cristã, 2011.
[9] HENRY, Matheus. Atos a Apocalipse: Comentário Bíblico, Vol 6. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
[10] BRUCE, F. F. Comentário Bíblico NVI - Antigo e Novo Testamento, São Paulo: Editora Vida, 2008.
[11] LOPES, Hernandes Dias. 2 Timóteo: O Testamento de Paulo a Igreja. São Paulo: Editora Hagnos, 2014.
[12] WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico do Novo Testamento, Vol 2. São Paulo: Geográfica Editora, 2007.
[13] CARSON, Donald Arthur. O Comentário de Mateus. 1 ed. São Paulo: Shedd Publicações, 2010.

sábado, 28 de novembro de 2015

ESTUDO Nº 01 - A PEDAGOGIA DAS TRIBULAÇÕES (2º Coríntios 1.1-11)



INTRODUÇÃO

A 2ª Carta aos Coríntios é a carta mais pessoal do apóstolo Paulo. Essa é a sua carta mais autobiográfica. Nela, o apóstolo conta suas lutas mais renhidas e suas aflições mais agônicas. Nessa carta, Paulo abre as cortinas da alma e mostra suas dores mais profundas, suas tensões mais íntimas e suas experiências mais arrebatadoras.

Robert Gundry afirma corretamente que mais do que qualquer outra epístola de Paulo, 2 Coríntios permite-nos sondar os sentimentos íntimos do apóstolo sobre si mesmo, sobre seu ministério apostólico e sobre seu relacionamento com as igrejas que fundava e nutria.[1] Nessa mesma linha de pensamento, Simon Kistemaker diz que nenhum outro livro do Novo Testamento retrata uma angústia emocional, física e espiritual com tanta profundidade e amplitude.[2]

A lista de sofrimentos de Paulo aparece três vezes nessa carta:
1. A primeira lista demonstra que o sofrimento revela a glória de Deus (4.10-12,13).
2. A segunda lista foi escrita para que o ministério de Paulo não fosse achado culpado e, sim, para que Deus fosse glorificado. 6.4-10;
3. A terceira lista para dizer aos seus leitores que ele serve a Cristo como servo bom e fiel, 11.23-28


LOCAL E DATA DA CARTA

Após ter escrito a primeira epístola aos coríntios de Efeso, Paulo sentiu a necessidade de fazer uma “visita dolorosa” a Corinto e voltar. Dolorosa por causa das relações tensas entre Paulo e os crentes dali, naquela época, 2 Co 2.1.

Paulo escreveu essa carta da província da Macedônia (2.13;7.5;9.2), no decurso da sua terceira viagem missioná­ria, logo depois que recebeu o relato otimista de Tito após sua visita à igreja de Corinto. Simon Kistemaker diz que podemos estar relativamente certos de que a epístola intei­ra foi completada em 56 d.C., provavelmente na segunda metade do ano. Da Macedônia, Paulo foi a Corinto, onde passou o inverno de 56/57, supervisionou a obra da coleta e compôs a epístola aos romanos.[3]


O CONTEÚDO DA CARTA

Paulo escreveu essa carta para falar das suas aflições e da necessidade da igreja perdoar e restaurar o membro in­cestuoso que tumultuava a congregação e liderava a oposi­ção ao seu ministério em Corinto (2.6-11). De igual modo Paulo falou sobre o levantamento da oferta para os pobres da Judeia, ao mesmo tempo em que fez uma sólida defesa do seu apostolado.

A palavra chave dessa carta é consolo. James Hastings diz que o “consolo” é o grande tema de toda a carta. Ela está cheia, do começo ao fim, de sofrimento que se transforma em júbilo, fraqueza que se transforma em força, e derrota que se transforma em triunfo.[4]

Henrietta Mears diz que a epístola começa com consolo (1.3) e termina com consolo (13.11). No meio da epístola temos a razão para o consolo (9.8).[5]

A fonte do consolo era esta gloriosa verdade: “A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza”, 12.9.

Warren Wiersbe diz que no original dessa carta, o verbo “consolar” é usado dezoito vezes e o substantivo “consolação”, onze vezes.[6]

Paulo aborda algumas verdades nessa carta que não trata em nenhuma das outras cartas, como a doutrina da nova aliança, o ministério da reconciliação, a habitação celeste, sua experiência de arrebatamento e visão beatífica do céu, seu espinho na carne e a firme defesa do seu apostolado.


APRESENTAÇÃO DO ESTUDO

Por que há tanto sofrimento no mundo? Por que passamos por situações aflitivas? Como explicar o aparecimento de terríveis doenças na vida de pessoas extremamente bondosas? Essas são perguntas, por vezes, são feitas e que nem sempre temos uma resposta adequada para dar.

Primeiro são indagações onde as respostas vão além do nosso limitado conhecimento, e segundo, porque as respostas a estas questões, às vezes, fogem ao campo da lógica e normalidade humana; pertencem aos mistérios do nosso bom Deus.

Contudo, podemos afirmar que qualquer tipo de sofrimento, qualquer tribulação, pode ser vista e aproveitada como bênção. Como pode ser isto? Seria uma espécie de “masoquismo”, isto é, sentir prazer com o próprio sofrimento? Cremos que não! Cremos que Deus pode usar as tribulações e os sofrimentos como momentos de provação da própria fé, ou até mesmo para uma aproximação maior à sua divina pessoa.

O presente estudo pretende nos ajudar a enfrentar as tribulações. Como nós, cristãos, podemos enfrentar as tribulações da vida?


ANÁLISE DO TEXTO

O texto que serve de base para nossa reflexão é um clássico registro sobre o consolo nas tribulações. O apóstolo conheceu de perto as perseguições, viu a morte bem próxima e sofreu na pele todo tipo de incompreensão. Não obstante a tudo isso, Paulo aprendeu sempre a dar graças ao senhor.

A ação de graças é feita na certeza no consolo divino. Os termos referentes à consolação aparecem dez vezes no texto, significando o alívio proporcionado ao indivíduo que foi conformado. O texto enfatiza a solidariedade da Igreja no sofrimento e também a comunhão na consolação (v. 6,7 e l Co 12.26).

O texto também fala das tribulações, e nesta análise, devemos perguntar: Que tipo de tribulação e qual a natureza da consolação? Por tribulação, o apóstolo inclui as provações físicas, os diversos perigos, as perseguições e até mesmo as ansiedades que surgem no exercício da missão.


I. AFLIÇÃO E CONSOLO (1.3-7)

1. PAULO, SUA FÉ E GRATIDÃO. A seguir, o apóstolo agradece a Deus usando a seguinte expressão: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo”. Tal forma de expressar-se fala de sua gratidão a Deus e também comunica uma riqueza doutrinária. Paulo faz três declarações distintas acerca de Deus.

a) Deus é o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, v. 3 - O Filho é eter­namente gerado do Pai, a exata expressão do Pai. O Filho é a exegese do Pai. O Filho é co-igual, co-eterno e consubs­tanciai com o Pai. O Filho e o Pai são um, Jo 14.8-10

b) Deus é o Pai de misericórdias, v. 3 - Essa expressão “pai de misericórdias” não significa apenas “pai misericordioso”, mas a fonte inesgotável de todas as misericórdias de que os crentes são e serão objeto. Deus é a fonte das misericórdias. “Misericórdia é um atributo moral de Deus, que o leva a não dar ao pecador o que ele merece. Merecemos seu castigo, mas ele nos dá sua graça imerecida. Todas as misericórdias têm sua origem em Deus e só podem ser recebidas dele”, Lm 3.22; SI 5.7;69.16; Tg 5.11; Nm 14.19; SI 51.1. [7]

c) Deus é o Deus de toda consolação, v. 3-4 - Deus Pai não é apenas um Deus que se compadece de nós em nossas tribulações, mas aquEle que alivia nossos sofrimentos com o bálsamo da consolação do seu Espírito (At 9.31).

O termo conforto, que vem do latim con e forte, significa “fazer forte juntos”. Mostra um aspecto relacional que supera em muito a idéia de conforto individualizado que prevalece hoje. A palavra dá o sentido de que uma parte fortalece a outra. [8]

Colin Kruse, comentando o v. 4, diz que "um ser humano não pode efetuar livramento divino que anule a aflição de alguém, mas lhe é possível compartilhar com outro sofredor o encorajamento que recebeu em meio às suas próprias aflições. O testemunho da graça de Deus na vida do crente é um lembrete poderoso às demais pessoas da habilidade e prontidão de Deus para prover graça e força de que necessitam".[9]


2. O SOFRIMENTO NA EXPERIÊNCIA CRISTÃ (v.5,6). A Bíblia Viva traduz o versículo 5 assim: “Podem estar seguros de que, quanto mais suportarmos sofrimento por causa de Cristo, mais Ele derramara sobre nós o seu consolo e o seu incentivo”

a) Deus permite o sofrimento na vida de seus filhos (1.5) Os sofrimentos de Cristo, aqui, não são os vicários que ele suportou por nós na cruz, pois esses são únicos e não podem ser compartilhados por ninguém, mas o nosso próprio sofrimento por amor a ele. Quando sofremos por Cristo, ele sofre em nós e por nós. Os sofrimentos na vida do cristão não são acidentais. Há determinados sofrimentos que sofremos exatamente porque pertencemos a Cristo. Estamos, assim, preenchendo o que resta dos sofrimentos de Cristo (Cl 1.24)

b) O nosso sofrimento produz consolo e salvação para outros (1.6). As provações que sofremos por Cristo e pelo seu evangelho abrem portas de salvação para outras pessoas. As cadeias e tribulações de Paulo pavimentaram o caminho para a evangelização dos povos.

Quando somos consolados, esse consolo serve de estímulo e exemplo para os demais que estão passando pela tribulação a permanecem firmes, certos de que sua consolação também virá.


II. AMARGURA E LIBERTAÇÃO (1.8-11)

1. A natureza da tribulação (v.8-9). Este versículo está carregado de duas palavras muito forte: (a) “desesperarmos da própria vida” e (b) “Sentença de morte”. Ameaças de morte não faltaram em todo o ministério paulino. O que chama a atenção no texto é que a aflição sofrida foi tão forte que Paulo a considerou algo superioras suas forças. A despeito da tenacidade desse homem, sua estrutura emocional era humana e limitada, e ele parecia não encontrar saída para escapar ao problema, 2 Co 11. 23-28.

Entretanto, Paulo entendeu que essa era uma prova em que ele deveria confiar, não em suas próprias forças, mas em Deus que “ressuscita os mortos” (v.9).

2. Deus livra o apostolo Paulo de uma “tão grande morte” (v.10). A expressão “tão grande morte” indica que o seu fim parecia-lhe inevitável, mas Deus o livrara. A experiência dava-lhe consolo e ânimo para, em todas as situações, crer e esperar em um Deus que é também o nosso Pai amoroso. A palavra sentença sugere que Paulo tinha rogado a Deus, assim como Jesus no jardim de Getsêmani rogou ao seu Pai que retirasse dele o cálice do sofrimento e morte.[10]

3. Paulo confiou em Deus e foi liberto (v.11). O apóstolo agradece a Deus pelo livramento e apela à igreja de Corinto que ore e interceda pelos seus ministros. Paulo estava convencido da eficácia da oração intercessória e, reiteradamente, pedia orações a seus irmãos (Rm 15.30-32; Ef 6.18-20).

a) As orações da igreja ajudam os crentes (1.11). Os coríntios estão rogando a Deus para que livre Paulo de perigo mortal e para que faça isso continuamente. A oração modifica as coisas. Pela oração, cooperamos para que os pregadores anunciem a verdade com ousadia e unção do Espírito. Pela oração, encorajamos uns aos outros a prosseguir em meios às provas.

b) As orações da igreja glorificam a Deus (1.11). As orações dos coríntios deveriam levar outros crentes a darem graças a Deus. Quando a igreja ora, o nome de Deus é exaltado. Quando os joelhos se dobram na terra, o nome de Deus é elevado no céu. Nada exalta tanto a Deus quanto um crente prostrado em oração!


CONCLUSÃO

Nesta lição, aprendemos que o cristão passa por muitas aflições, mas o Senhor sempre o ajuda a enfrentá-las. Ele está conosco, antes, durante e após as provações. O Senhor Jesus Cristo não nos desampara nunca (Mt 28.20).

____________________________
[1]GUNDRY, Robert H. Panorama do Novo Testamento. Edições Vida Nova. São Paulo, SP. 1978:
[2]KISTEMAKER, Simon. 2 Coríntios. Editora Cultura Cristã. São Paulo, SP. 2004.
[3] IBID
[4] Citado in: LOPES, Hernandes Dias Lopes, II Coríntios: O triunfo de um homem de Deus diante das dificuldades. São Paulo: Hagnos, 2007
[5] MEARS, Henrietta C.. Estudo Panorâmico da Bíblia. Editora Vida. Deenfield, FL. 1982.
[6] WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. Vol. 5. Geográ­fica Editora. Santo André, SP. 2006.
[7] WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. Vol. 5. Geográ­fica Editora. Santo André, SP. 2006
[8] KISTEMAKER, Simon. 2 Coríntios – Comentário do Novo Testamento. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004
[9] KRUSE, Colin. II Coríntios: Introdução e Comentário. Edições Vida Nova. 1994
[10] KISTEMAKER, Simon. 2 Coríntios – Comentário do Novo Testamento. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004 

sábado, 31 de outubro de 2015

SÉRIE ESTUDANDO A NATUREZA HUMANA - ESTUDO Nº 01: Orgulho - O Mal Supremo (Lucas 18.9-14)

Ministrado na Igreja Presbiteriana em 
Salgado de São Félix - PB 


INTRODUÇÃO

Qual é o pior de todos os pecados? Os antigos mestres cristãos diziam que o principal pecado, o mal supremo, capaz de deixar a criatura no mais completo estado anti-Deus, é o orgulho.

A tradição cristã, desde inicio da era medieval, fala dos setes pecados mortais, considerado perigosos o bastante para levar quem os pratica deliberada e permanentemente para longe de Deus, que é a fonte da vida.

Santo Agostinho de Hipona (354-430 AD) escreveu: "o princípio de todo pecado é o orgulho” [1] porque foi isso que derrubou o diabo, de quem surgiu a origem do pecado; e depois, quando sua malícia e inveja perseguiram o homem, o qual ainda desfrutava de sua retidão, o inimigo subverteu-lhe da mesma forma em que ele mesmo caiu. Porque a serpente, de fato, apenas buscou uma porta pela qual entrar quando disse: ‘Sereis como deuses'”[2]

Nas palavras do Professor Robert Mounce, a “lista (dos setes pecados) representa uma tentativa de enumerar os instintos primários que tem a maior probabilidade de dar origem ao pecado”. [3]

Os antigos diziam que o orgulho é o primeiro pecado desta triste lista (os outros seis são a cobiça, a lascívia, a inveja, a glutonaria, a ira e a preguiça). Evidentemente, os pecados mortais são mais que sete, e na verdade, mais que os trezes estudos que iremos abordar nas nossas próximas reuniões.

Tomás de Aquino (1225-1274) que foi um teólogo cristão muito importante afirmou que o pecado do orgulho é um super-pecado. É um pecado “mega”-capital. O pecado do orgulho é o pai de todos os pecados. Ele o chamava de vanglória ou vaidade. [4]



I. BREVE ANÁLISE DO TEXTO

A conhecida parábola de Jesus, narrada apenas por Lucas, é contada em um contexto que apresenta o ensino do Senhor sobre oração. Neste texto temos duas ênfases:

a) A ênfase esta na perseverança que se deve ter na oração.
b) A ênfase na condenação de uma arrogância altiva e soberba, que engana, levando quem se deixa dominar por ela a pensar que é melhor que os outros e não precisa nem de Deus, Lc 18.9

Este texto ilustra muito bem o aspecto ridículo do orgulho, e o resultado desastroso produzido na vida de quem se julga auto-suficiente e melhor que os outros.

Vejamos o contexto:

1. Na Palestina os devotos oravam três vezes por dia: às nove da manhã, ao meio dia, e às três da tarde. Considerava-se que a oração era especialmente eficaz se fosse oferecida no templo, de modo que nessas horas muitos foram aos átrios do templo a orar.

Naquele horário havia dois homens
a) Um fariseu. Este foi realmente para orar a Deus. Orava de si para si mesmo. A verdadeira oração é oferecida sempre a Deus e só a Ele. O fariseu em realidade estava dando testemunho de si mesmo perante Deus, v. 11-12
b) O outro era um coletor de impostos. Este se mantinha afastado, e nem sequer elevava os olhos a Deus. As versões comuns não fazem justiça à sua humildade, pois em realidade sua oração foi: "Deus, sê propício a mim – o pecador", como se não fosse meramente pecador, e sim o pecador por excelência, v. 13

Esta parábola nos diz sem dúvida certas coisas a respeito da oração. [5]

A partir desta parábola de Jesus, Barclay percebe três verdades universais:
1) Ninguém que for orgulhoso poderá orar, 11-12;
2) Ninguém que despreze os seus semelhantes poderá orar, 12;
3) A verdadeira oração surgirá ao colocarmos nossa vida no padrão de Deus, 13-14.

Nesta parábola, Jesus utiliza um de seus trocadilhos favoritos: “pois quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado”, v. 14 (Mt 23.12; Lc 14.11).


II. ORGULHO – ARGUMENTAÇÃO BÍBLICO-TEOLÓGICA

O que é orgulho? Trate-se da atitude de considerar-se superior e melhor que as outras pessoas, a ponto de desprezá-las. O orgulho é, portanto, a atitude que leva alguém a considerar-se uma pessoa acima de todas as outras. O pecado do orgulho é uma preocupação com o “eu”. O orgulho tem tudo a ver com "eu, meu e eu mesmo", pois o pecado em si também é centrado no "eu". (Lc 18.9,11-12)

1. É um pecado universal da raça humana e natural ao homem pecador. Foi a soberba que tornou o primeiro casal refém da voz da serpente sob a hipótese de que Deus poderia não estar fazendo a coisa certa (ver Gn 3.1-5). As conseqüências todos conhecem.[6]

Andrew Murray escreveu: “O que você tem de orgulho dentro de você é o que você tem de anjo caído vivendo em você; e o que você tem de verdadeira humildade é o que você tem do Cordeiro de Deus dentro de você.”[7]

2. É um pecado inconsciente. Ninguém tem mais orgulho do que aqueles que pensam que não tem nenhum. E uma das atitudes que se não for bem administrado pode levar o homem ao orgulho é o elogio demasiado, Por incrível que pareça o elogio pode produzir Orgulho e exaltação, (At 16.16-18). Você sabe qual era a verdadeira intenção do inimigo? e por que Paulo se perturbava? A intenção era que Paulo recebesse aquele elogio, e aquela glória para si. Paulo e Silas, iria se ensoberbecer, e pecar contra Deus, por isso Paulo se incomodava e se perturbava, Pv 27.21 [8]

3. É um pecado perigoso – Deus resiste aos soberbos e o abate com poder levando-o a ruína de sua existência, Pv 16.18; 29.23.

João escrevendo a sua primeira carta, ele falou com muita precisão sobre três desejos peçonhentos (1 Jo 2.16): a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida (Orgulho). A soberba é o desejo de posição. É querer estar acima de todos. Tenho afirmado que este tem sido um dos piores e mais demorado de todos os males a morrer no homem: o orgulho, o egoísmo. O indivíduo torna-se "deus" de si mesmo. Deus é contra os orgulhosos, 1 Pe 5.5-6.

4. O orgulho é o cabeça da iniquidade. Não há nada horrível demais para ser cometido. Ele pega aquilo que é melhor e torna-o contra Deus. Por isso Deus abomina a altivez do coração humano, Sl 101.5

Na teologia, o pecado do orgulho é conhecido como um pecado luciferiano. É o pecado de Lúcifer. E C.S. Lewis diz: “O orgulho é o supremo mal. O orgulho é o mais completo estado de alma anti-Deus”. E diz ainda que esse é o pecado que ele ensinou à raça humana. E a Bíblia diz algo muito preciso sobre esse “coração de Lúcifer”, sobre esse orgulho luciferiano, Is 14.11-15; Ez 28.2-19. [9]

Por causa do orgulho, pessoas desprezam, humilham e oprimem seus semelhantes – racismo e preconceito, por exemplo, são manifestações do orgulho. Por isso, o orgulho é um pecado tão grave e serio: sempre alguém encontrara outro que lhe seja superior em uma outra área. E, acima de tudo, e de todos, há o próprio Deus, Fp 2.3

A pessoa orgulhosa considera-se melhor que as outras pessoas. O orgulho não deixa a pessoa reconhecer que, se tem algo de bom, não é pelo seu próprio mérito, mas pela misericórdia divina. Portanto, é ridículo alguém considerar-se superior a quem quer seja. No lugar do orgulho, é preciso sentir gratidão a Deus pelas boas dádivas que ele concede, Rm 12.3


III. VENCENDO O ORGULHO

È possível vencer o orgulho?  Sim, pela graça de Deus. A humildade é o remédio de Deus contra o orgulho. O problema é que, como sabiamente adverte o Rev. John Haggai, em seu livro Seja um líder de verdade, quem é verdadeiramente humilde não pensa em sua humildade, pois a humildade não tem consciência de si mesmo.

Mesmo assim, é possível cultivar alguns princípios de vida que são úteis para a vitória sobre o orgulho. Um destes princípios é ser dependente de Deus como uma criança. O senhor Jesus disse que quem não se tornar como uma criança não entrara no reino dos céus (Mt 18.1-5). A criança não é arrogante.não se considera melhor que ninguém. Para vencemos o orgulho, imitemos as crianças.

Outro principio de vida importante para derrotar o orgulho é o serviço. Jesus, o senhor, serviu sempre.

Ele não teve problemas em fazer o que ninguém queria, e lavar os pés de seus amigos discípulos (tarefa que, naquele tempo, era destinada aos escravos). “Vós me chamais o Mestre e o senhor, dizeis bem, porque eu sou. Ora, se eu sendo o Senhor e o Mestre vos lavei os pés, também vos deveis lavar os pés uns dos outros. Por que vos dei o exemplo, para que, como eu vou fiz, façais vós também” (Jô 13.13-15).

Quem serve aos seus semelhantes desenvolve espírito de humildade.

A Bíblia nos ensina que não temos motivo algum para nos orgulharmos, pois tudo aquilo que temos, que aparentemente nos destaca dos demais, vem de Deus, 1 Co 4.7.



Para Concluir

Cristo mostrou desprezo pelo orgulho humano.
Ele mostrou Seu desprezo pelo orgulho das riquezas, vindo ao mundo de uma mãe pobre demais, tanto de riqueza como de posição social, para exigir um quarto na hospedaria.
Ele mostrou Seu desprezo pelas bênçãos da comunidade, fazendo Seu lar na menosprezada aldeia de Nazaré.
Também mostrou Seu desprezo pelo orgulho da posição social, comendo com publicanos e pecadores.
Jesus mostrou Seu desprezo pelo poder político, recusando-Se a tornar qualquer partido no governo civil do mundo - recusando-Se, até mesmo, a ajudar a estabelecer um estado.
Ainda mostrou Seu desprezo pelo orgulho da reputação sendo sentenciado à morte como um criminoso, numa cruz romana - Jesus Cristo desprezou a vergonha. (Fp 2.5-11)

____________________________
[1] Agostinho está aqui citando Eclesiástico 10:14-15: "O início do orgulho num homem é renegar a Deus, pois seu coração se afasta daquele que o criou, porque o princípio de todo pecado é o orgulho; aquele que nele se compraz será coberto de maldições, e acabará sendo por elas derrubado.
[2] GILSON, Etienne. Introdução ao estudo de Santo Agostinho. São Paulo: Paulus, 2006.
[3] MOUNCE, Robert H. Mateus: O Novo Comentário Bíblico Contemporâneo. São Paulo: Editora Vida, 1991.
[4] AQUINO, Tomás de. Sobre o Ensino (De Magistro) & Os Sete Pecados Capitais, São Paulo, Martins Fontes, 2001.
[5] BARCLAY, William, Comentário Bíblico do Novo Testamento. Versão em português, domínio publico.
[6] FILHO, Caio Fábio de. A Síndrome de Lúcifer. Venda Nova, MG: Editora Betânia, 1988
[7] MURRAY, Andrew. Humildade: A Beleza da Santidade. São Paulo: Editora dos Clássicos, 2009.
[8] BRIGDES, Jerry. Pecados Intocáveis. São Paulo: Vida Nova, 2012.
[9] LEWIS, C. S. Cristianismo puro e simples. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2014.


domingo, 25 de outubro de 2015

A TEOLOGIA DA GRAÇA - Tito 2.11-15 (Esboço de sermão)


Sermão ministrado na Igreja Evangélica Congregacional Família Viva
Salgado de São Félix - PB

INTRODUÇÃO

Encontramos certamente duas linhas de pensamentos, quanto a salvação do homem:
1. Há os que acham que ninguém pode dizer que está salvo.
2. Há os que acham que uma pessoa é tão má que não pode ser salva e viver uma vida agradável a Deus.

Contudo, os dois pensamentos são resultados de mentes cauterizadas, endurecidas e ignorantes ao que venha ser a Graça de Deus. A palavra graça (Gr. Karis), aparece de 100 vezes nos escritos paulinos, sempre indicando que é um ato exclusivo de Deus em dá início ao processo de salvação e providenciar os meios necessários para a salvação do homem.

No presente texto, encontramos a mensagem que a graça de Deus, além de salvar o homem da condenação eterna, ainda o instrui a viver uma vida justa de acordo com a Palavra de Deus.


I. GRAÇA – TERMOS TEOLÓGICOS


O que é a graça de Deus?

Dwight Pentecost, diz que: “A graça é a resposta de Deus à necessidade do homem. Deus é antes de tudo o Deus da graça, e desse Deus misericordioso vem múltiplas graças que suprem todas as nossas necessidades”. (Dwight Pentecost – A Sã Doutrina).

O Dicionário de Teologia Bíblica, afirma que: “Graça é atividade salvadora de Deus, que decidida desde a eternidade, se tornou manifesta e eficaz na obra redentora de Cristo em favor dos homens”. (Dicionário de Teologia Bíblica, Edições Loyola, Vol. 1, pag. 453).

Portanto, graça, é a imerecida compaixão de Deus para com o pecador. Paulo escrevendo aos efésios nos mostra por que a graça é um ato imerecido.

Os homens por natureza estão:
1. Morto Espiritualmente, Ef 2.1
2. Escravos de Satanás, Ef 2.2
3. Filhos da Ira, Ef 2.3

Contudo, o apóstolo Paulo pinta esse quadro, para que o homem entenda que por si mesmo está totalmente condenado e separado de Deus. Mas, Deus em seu grande amor e compaixão manifesta a sua bondosa graça, que produz salvação, Ef 2.8


II. A GRAÇA E O SEU CONTEÚDO

O conteúdo da graça de Deus é a salvação do homem, Tt 2.11

Graça de Deus é a maneira pela qual Deus se dispõe a receber, de braços abertos, o pecador. É uma benção ou um favor imerecido, que Deus concede em sua soberania, nunca em resposta a alguma iniciativa por parte do pecador. Pois, precisamos entender que, o homem por si mesmo, ele nunca vai aceitar a Cristo.

Por que? Por dois grandes motivos:

1. Ele está morto espiritualmente, Ef 2.1 - Alguém morto não tem afetos e vontades.

2. Ele só vai sentir a necessidade de Deus:
a) Quando tocado pelo Espírito Santo, Jo 16.8
b) Quando conduzido a Jesus, através do Pai, Jo 6.44-45; 15,16

Portanto, Deus não tem nenhuma obrigação de perdoar. Ninguém tem o direito de cobrar tal coisa de Deus. Ele, no entanto, perdoa por causa da graça. É iniciativa de Deus.


III. OS EFEITOS DA GRAÇA

“educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente. (Tt 2.12)

Louis Berkhof, escreveu: “A graça remove a culpa e a penalidade do pecado, muda a vida interior do homem, e gradativamente o purifica da corrupção” (Louis Berkhof – Teologia Sistemática).

A graça de Deus salva o homem lhe dando educação. E esta educação se manifesta em dois aspectos:

1. “renegadas a impiedade e as paixões mundanas...” - A palavra impiedade indica uma vida impura, imoral e degradante, e vai mais a fundo ao significar “desprezo pelas coisas de Deus”. O homem alcançado pela graça de Deus ela começa a repudiar todas as práticas que venha agredir a santidade de Deus.

2. “vivamos no presente século, sensata, justa e piedosamente...” - O homem alcançado pela graça divina passa a viver com discrição, passa viver de forma correta e justa. Não há ser humano, por mais ruim que seja, que não possa, ser alcançado pela graça divina.

1. Zaqueu era ladrão e passou a ser considerado um filho de Abraão.
2. Madalena, uma mulher que tinha sido escrava de espíritos malignos, fora transformada em primeira missionária.
3. Paulo, o fariseu e perseguidor da igreja, o Senhor Jesus o transformou no maior apóstolo de todos os tempos.

O pior pecador pode experimentar este milagre e ter a sua vida transformada. A graça pode alcançar os pecadores que foram longe demais, pois: “onde o pecado abundou, superabundou a graça;" (Rm 5.20)


CONCLUSÃO

A grande estrada de comunicação entre o céu e a terra não pode ser construída daqui pra lá, pois o homem não tem condição de chegar a Deus, por que os seus pecados o separam de Deus. A grande estrada de comunicação entre o céu e a terra, é construída de lá pra cá, por obra e graça de Deus, Jo 3.16

Portanto, uma vez alcançado por esta graça, o homem:
1. Vai enxergar o Dom de Deus;
2. Vai se arrepender dos seus pecados;
3. Vai obter a fé salvadora
4. Vai herdar a vida eterna

sábado, 24 de outubro de 2015

A TEOLOGIA DO CANSAÇO - Eclesiastes 1.1-8 (Esboço de Sermão)


Ministrado na Igreja Evangélica Congregacional Família Viva
Salgado de São Félix - PB

INTRODUÇÃO

Fazendo uma análise cuidadosa das circunstâncias da vida, vemos que o “cansaço”, é a marcar registrada no rosto de muitos.

Neste texto o pregador fala da eterna mesmice em que as pessoas estão envolvidas:

a. Ele fala que o sol, o vento e o rio (símbolos da monotonia), cada um tem seu curso fixado, sua rota determinada, seu ritmo estabelecido – não há esforço humano capaz de alterá-lo - Geração vai e geração vem; mas a terra permanece para sempre. Levanta-se o sol, e põe-se o sol, e volta ao seu lugar, onde nasce de novo. O vento vai para o sul e faz o seu giro para o norte; volve-se, e revolve-se, na sua carreira, e retorna aos seus circuitos. Todos os rios correm para o mar, e o mar não se enche; ao lugar para onde correm os rios, para lá tornam eles a correr.” - v. 4-7;

b. Ele fala também que não há proveito no trabalho – “Que proveito tem o homem de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?” v. 3

E quando analisamos o nosso modo de viver, vemos que tudo não passa de rotina (ex. cozinha, agenda pessoal, etc.).

O ser humano faz planos, sacrifícios, batalha e depois tudo fica ai par ser dissipados pelos herdeiros – “Também aborreci todo o meu trabalho, com que me afadiguei debaixo do sol, visto que o seu ganho eu havia de deixar a quem viesse depois de mim.” (Ec 2.18); “Porque há homem cujo trabalho é feito com sabedoria, ciência e destreza; contudo, deixará o seu ganho como porção a quem por ele não se esforçou; também isto é vaidade e grande mal.” (Ec 2.21).

Conclusão do pregador – “Tudo é canseira”, v.8

E Como se manifesta isto na vida dos homens?


MANIFESTAÇÕES DE CANSEIRA E FADIGA HUMANA

O pregador mostra a manifestação da canseira e fadiga humana está justamente na futilidade do seu trabalho – “Pois que tem o homem de todo o seu trabalho e da fadiga do seu coração, em que ele anda trabalhando debaixo do sol? Porque todos os seus dias são dores, e o seu trabalho, desgosto; até de noite não descansa o seu coração; também isto é vaidade.” – Eclesiastes 2.22-23

Observando a Palavra do Senhor, vemos mais claramente as manifestações desta canseiras nas mais diversas áreas.

1. Há pessoas cansadas de sofrer - Disseste: Ai de mim agora! Porque me acrescentou o SENHOR tristeza ao meu sofrimento; estou cansado do meu gemer e não acho descanso.” – Jeremias 45.3

Existe pessoas que tem sido vítimas constantes das ciladas da vida; ingratidão, desilusão e decepção amorosa, perseguição, enfermidades que chegam a dizer: “estou cansado do meu gemer e não acho descanso.”

Tudo isso faz com que o silêncio da noite seja quebrado pelos gemidos e suas lágrimas inundam o seu travesseiro – “Estou cansado de tanto gemer; todas as noites faço nadar o meu leito, de minhas lágrimas o alago.” – Salmo 6.6

A vida tem sido tão permeadas de dores que estão cansadas de tanto sofrer

2. Há pessoas cansadas de orar - “Estou cansado de clamar, secou-se-me a garganta; os meus olhos desfalecem de tanto esperar por meu Deus.” - Salmos 69:3

Há pessoas que há muito tempo colocou uma causa diante de Deus, e que vem clamando, orando, pedindo e que ultimamente vive “no limite” da fé.

Há Pessoas que oram como Habacuque – “Até quando, SENHOR, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás? Habacuque 1.2

Há Pessoas que oram como o salmista – “Até quando, SENHOR? Esquecer-te-ás de mim para sempre? Até quando ocultarás de mim o rosto? - Salmos 13.1

3. Há pessoas cansadas de viver - Disse Rebeca a Isaque: Aborrecida estou da minha vida... de que me servirá a vida?” – Gênesis 27.46

Quantos não estão com esta mesma frase nos lábios: “de que me servirá a vida?” Pessoas que perderam a ternura, a doçura e a perspectiva de uma vida melhor. Pessoas que tem chegado a mesma conclusão do pregador de Eclesiastes: “Pelo que tenho por mais felizes os que já morreram, mais do que os que ainda vivem; porém mais que uns e outros tenho por feliz aquele que ainda não nasceu e não viu as más obras que se fazem debaixo do sol.” – Eclesiastes 4.2-3

A amargura da vida tem matado a esperança, e muitos tem o suicídio como a alternativa viável.


Como sair desta situação e vencer este cansaço?


VENCENDO O CANSAÇO DA VIDA

O Senhor Jesus via a multidão desesperançada e sem rumo na vida – “Ao desembarcar, viu Jesus uma grande multidão e compadeceu-se deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor. E passou a ensinar-lhes muitas coisas.” – Marcos 6.34

Ele se compadeceu da situação desgraçada em que aquelas pessoas viviam e fez um convite irresistível: - “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.” – Mateus 11.28-29.

O Senhor Jesus é o único que pode libertar o ser humano do:

1. Cansaço do sofrimento

a) Aos que sofrem, o Senhor Jesus sempre diz: “tem bom ânimo!”
b) Ao paralítico de Cafarnaum - “tem bom ânimo!!!”, Mateus 9.2
c) A mulher enferma do fluxo de sangue - “tem bom ânimo!!!”, Mateus 9.22

A todos que lhe seguem Ele diz – “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” – João 16.33


O Senhor Jesus é o único que pode libertar o ser humano do:

2. Cansaço de orar

Aqueles, para os quais o céu está blindado, o Senhor Deus diz: “Diz ainda o SENHOR: No tempo aceitável, eu te ouvi e te socorri no dia da salvação...” Isaías 49.8

Deus tem o seu tempo de intervir (Kairós – tempo de Deus). Você não deve cansar de orar: “Jesus ensinou uma parábola sobre o “dever de orar sempre e nunca esmorecer”, ou seja, nunca cansar, Lucas 18.1

Foi Ele mesmo quem disse: “Por isso, vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e a quem bate, abrir-se-lhe-á.” Lucas 11.9
O Senhor Jesus é o único que pode dar sentido a vida libertando o ser humano do:

3. Cansaço de viver

O Senhor Jesus colocou por terra muitos padrões de vida, adotado pelos homens, quando disse: “Então, lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui.” Lucas 12.15.

Então Ele mostra ao homem cansado:
a. Ele é a vida – “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” João 14.6
b. Ele traz a verdadeira vida – “O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.” João 10.10
Caio Fábio escreveu: “Seguir a Jesus, é o mais fascinante projeto de vida”


Para Concluir:

O Senhor Jesus fez o convite para o descanso – “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.” – Mateus 11.28

E Ele, como o Supremo Pastor, nos conduz “as águas de descanso” – “O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará. Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso” – Salmo 23.1-2

O Profeta Isaías diz: “Faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor. Os jovens se cansam e se fatigam, e os moços de exaustos caem, mas os que esperam no SENHOR renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam.” – Isaías 40.29-31