quarta-feira, 16 de abril de 2014

A TEOLOGIA DO GOL


PENSANDO AQUI SOBRE AS COISAS EFÊMERAS DA VIDA...

Num mundo que celebra o relativismo, o futebol é festejado como uma paixão. Torcer por um time parece ter ficado como o último bastião do absoluto. As pessoas trocam de esposa, trocam de país, trocam de religião, trocam de sexo, mas não trocam do clube pelo qual torcem.

Futebol é esforço de quem joga e arte para quem vê. As pessoas choram quando seu times perdem e choram quando ganham. Os grandes atletas são chamados de ídolos e, às vezes, de deuses. Num estádio, as torcidas têm gritos de guerra e hinos de louvor aos seus escudos, cantados com emoções definitivas. Em algumas situações extremas e bandidas, a guerra das torcidas não é apenas um ritual mas um espaço em que inimigos literalmente se matam.

Como virou também um grande negócio, tem futebol praticamente todos os dias na televisão, com diversas competições. Ao mesmo tempo, esta paixão pelo futebol é uma metáfora do vazio, porque a vitória de hoje não garante a da próxima rodada, o herói incensado numa semana é vaiado no mesmo campeonato. O campeão de um ano desce ao nada no ano seguinte.

Um jogo é lembrança que pode encantar por algum tempo mas se desvanece. Um resultado só vale pelo que conquista. Futebol é passatempo. No máximo, é perenizado em troféus guardados em armários e galerias.Devemos degustá-lo como ele é: espetáculo.

Não tem valor eterno. Nada faz por nossa vida, além da passageira alegria. Este é o lugar que devemos lhe dar. Mais que isto, é idolatria.

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