sábado, 29 de março de 2014

LIÇÃO 10 – DISCIPULADO – PALAVRÃO É CORRETO? O QUE DIZ A BÍBLIA? (Cl 3.1-11)


INTRODUÇÃO

Os palavrões existem em todas as culturas, em todos os tempos, por serem as palavras que melhor conseguem exprimir emoções de raiva, ofensa ou (por que não) humor. Eles são controlados pelo "porão" do cérebro - o sistema límbico, responsável pela nossa parte mais primitiva (por isso que os palavrões sempre se referem à base da existência: sexo e excrementos), e influenciam desde sempre no nosso relacionamento social. Eles mudam de tempos em tempos, dependendo da polêmica da época.


E hoje, mais do que em toda a história do homem, é comum as pessoas terem um vocabulário muito torpe (indecente) e bastante deteriorado e degradado, não importando sua profissão, ocupação, grau de escolaridade, estado social ou cultural, condição econômica, idade ou sexo, inclusive, religião. 

Infelizmente, tenho visto atualmente alguns crentes fazendo uso de palavrões com muita normalidade e até defendendo o seu uso. Até mesmo na Internet os usam sem qualquer receio. Parece-me que esse traço da cultura tem sido aceito como algo normal na vida do servo de Deus. Mas será que agem corretamente, professando ser crentes, e soltando palavrões sem problema?

A forma de vida do povo de Deus, sem engano, se distingue de maneira clara dos demais humanos, por serem santos em todos os aspectos da vida, principalmente em sua forma de falar.


1. PALAVRÕES: CONCEITOS e definições

Antes de qualquer coisa, vejamos conceito de linguagem: “é a forma com que ser humano se relaciona, pela comunicação, com os de sua espécie, no exercício de suas faculdades mentais, expressando-se pelo pensamento ou por emoções. A linguagem pode ser expressa de modo verbal ou não verbal (daí temos varias formas de expressão, sinais (signos) e convenções que levam o homem a se comunicar)”.[1]

O site DIGnow, publicou a seguinte definição: “Palavrão são palavras obscenas,nojentas,geralmente relacionado aos órgãos genitais dos humanos. Usar palavrões pode ser um ato de aliviar tensão, raiva, nervosismo, pode ser usado para ofender alguma pessoa ou para dar nomes em objetos que você não gosta ou não sabe o nome”.[2]

O presbítero Solano Portela, escreveu: “Palavrões e linguagem chula sempre existiram na história da humanidade. Estão enraizados na natureza humana pecaminosa. Sempre houve uma forma apropriada e uma forma vulgar de se referir a tudo, especialmente a partes do corpo”.[3]

A teóloga e filosofa presbiteriana, Norma Braga, escreveu em seu blog: “Percebi que todos os palavrões, dos menores aos maiores, têm algo em comum: remetem invariavelmente ao sexo. São menções aos genitais, a coitos indesejados e/ou ilícitos, prostitutas e filhos de prostitutas, materiais fecais etc. A lógica do palavrão é estranha: ele une o ato de esbravejar e xingar aos dejetos do corpo ou ao ato sexual”.[4] 


2. PALAVRÕES – DEFINIÇÕES BÍBLICOS TEOLÓGICOS

Na linguagem atual dos humanos existem palavras ou frases, que a Bíblia define como:

a) Palavras torpes (Ef 4.29) – no original grego, o termo traduzido por torpe é sapros. Esse termo representa o que é decadente, imoral, prejudicial, danoso, vergonhoso, indecente, nojento, repugnante. Palavras torpes são aquelas capazes de provocar mal-estar aos outros, fazer com que as pessoas se sintam desconfortáveis e ansiosas por deixar o local, ferir a auto-estima alheia, ofender, humilhar, desanimar etc.

b) parvoíces (Ef 5.4 ARC): em algumas versões, em vez de parvoíces consta palavras vãs ou conversas tolas. Significa tolice, cretinice, estupidez, asneira, besteira.

c) chocarrices (Ef 5.4) – chocarrice, segundo os dicionários, inclusive o bíblico, significa gracejo atrevido ou petulante, grosseiro; gozação; caçoada; piada com conteúdo pesado; palavra que choca.

Este tipo de vocabulário tem um propósito bem definido: lastimar ou humilhar as pessoas a quem se fala, pois vai de encontro aos princípios divinos. Uma pessoa que vive no temor do Eterno sempre buscará agradar com suas palavras tanto a quem lhe escuta como ao Senhor, Cl 3.17; Ef 4.31.

A linguagem exterioriza nossa visão do mundo, como percebemos esse mundo a nossa volta. Para isso, precisamos estar em constante aprendizado, buscando fontes de informação (Jornais, revistas, internet, documentários, etc) para que nossa palavra seja sempre temperada. Cl 4. 6

a) A linguagem revela nosso pensamento, Lm 3.61-62.
b) A linguagem expõe o que existe em nosso coração, Mt 12.34; Mt 15.18-19.
c) A linguagem pode ser fonte vida ou a morte para quem a recebe. Ef 4.29.

O Senhor Jesus Cristo expressou o seguinte: “Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus”, Mt 7.16-17. 

Um vocabulário de baixo calão revela se a pessoa é verdadeiramente cristã ou não. O Senhor, sobre esse mesmo assunto declara: “O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau, do mau tesouro do seu coração tira o mal, porque da abundância do seu coração fala a boca”, Lc 6.45. 

É assim como entendemos que a forma de falar de um crente é “determinante”, não somente frente aos olhos das pessoas, mas perante nosso Senhor, pelo que é de vital importância saber até onde é saudável expressar certas palavras ou frases, e ainda, se é preferível deixar de pronuncia-las.


3. A LINGUAGEM QUE DEVE CARACTERIZAR O FILHO DE DEUS – SÃ E IRREPREENSÍVEL.

A "linguagem sã e irrepreensível" tem a propriedade de desarmar os mal-intencionados, mudando situações, inicialmente desfavoráveis ou desconfortáveis para nós. Por ela ganhamos simpatia ou não, granjeamos amigos ou inimigos; abrimos caminhos ou fechamos portas. Nossa renovação, à luz do Evangelho, se refletirá em todas as expressões do cotidiano, particularmente na linguagem, espelho fiel do pensamento humano. 

Para que tenhamos boas palavras, é necessário termos bons pensamentos; e para termos bons pensamentos, é indispensável termos a mente ligada ao Pai, voltada à leitura diária, á oração e a assuntos de caráter evangélico.

a) Uma linguagem que envergonha o diabo, Tt 2.8;
b) Uma linguagem que edifica, Ef 4.29. 
c) Uma linguagem que é pura (sem obscenidade), Cl 3.8
d) Uma Linguagem que valoriza a nossa fé que confessamos, Tg 1.26
e) Uma Linguagem que inspira respeito, Ef 5.4.

A pureza e a santidade requeridas na Bíblia para os cristãos abrangem não somente seus atos como também seus pensamentos e suas palavras.

Além disso, existem dois termos que o cristão deve evitar:

a) Simular "palavrões" - Inventar sinônimos para os palavrões é algo odioso, afinal, demonstra que o crente está desejando se parecer com o mundo. Ele quer proferir um enorme xingamento, mas se contenta em dizer, "que porta!". Tal atitude é lamentável e precisa ser urgentemente corrigida. Sejamos prudentes em nossas palavras, Lc 16.45.

b) Palavras ou frases com duplo sentido, que se utilizam de maneira que os demais não as entendam, ou utiliza-las com quem as entendem; esse vocabulário se conhece como gíria.

Importante: No juízo final o homem será julgado por suas palavras frívolas[5], Mt 12.36-37.


Para Concluir:

Quando Isaías chegou diante de Deus, havia perdido a visão profética e absorvido a linguagem do povo. Porém, Deus não se comunicava com ele. Por quê? Porque Deus só mantém a comunicação com aqueles que sustentam a sua linguagem (Isaías estava com lábios impuros). Foi necessária a purificação dos seus lábios, Is 6.5-7.

Para que a nossa linguagem, seja um fator que glorifique a Deus, precisamos rever nossos valores, testemunho e vida, Fp 4.8; Cl 3.1.


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[1] VIGOTSKY, L. S. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes Editora. 7ª edição, 2007. P. 79. 
[2] PALAVRÃO. Disponível in: Acesso: 06/09/2013 
[3] PORTELA, Solano. Palavrão – só pra garantir esse refrão. Disponível in: . Acesso em 06/09/2013 
[4] BRAGA, Norma. Reflexões óbvias sobre os Palavrões. Disponível in: . Acesso: 05/06/2013. 
[5] RYLE, J. C. meditações no Evangelho de Mateus. São José dos Campos: Editora Fiel. reimpressão, 2011. P. 90.

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