sábado, 29 de março de 2014

DIAS DIFÍCEIS...


Quando fazemos um diagnóstico do nosso tempo dizemos tratar-se de um tempo difícil, carente de perspectiva e soluções. Não é, pois, à toa, que este é um tempo de tanta busca. Espiritual, inclusive. Os terreiros são procurados, as filas nos supostos contadores e controladores da sorte são intermináveis, os médiuns estão em voga e a sociedade sabe o nome deles; e as próprias igrejas ampliam e escancaram suas portas.

Em dias como os de hoje, uma leitura que recomendo é a dos Salmos. É numa literatura como os Salmos que a gente acaba se encontrando quando as emoções determinam fortemente a nossa vida. Seja para cima ou para baixo. Mais para baixo do que para cima.

Os Salmos nos falam da absoluta legitimidade de buscar a Deus nos momentos de crise e de dor, momentos de angústia e de perguntas. Aliás, os Salmos nos falam de que este é o momento de buscar a Deus, e retratam essa busca com uma transparência e um realismo humano surpreendente. Não há espaço para “maquiagens”, e o salmista emerge com suas perguntas, sua angústia e até sua raiva e crise de fé. Há vezes em que ele mesmo não entende o que lhe está acontecendo. Aliás, às vezes nem a Deus ele consegue entender! O salmista, no fundo, é corajoso. Ele tem a coragem de dar voz àquilo que nós apenas pensamos.

Elevo a Deus a minha voz, e clamo, elevo a Deus a minha voz, para que me atenda. No dia da minha angústia procuro o Senhor; erguem-se as minhas mãos durante a noite, e não se cansam; a minha alma recusa consolar-se. Lembro-me de Deus e passo a gemer; medito, e me desfalece o espírito. (Sl 77.1-3.)

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