sábado, 1 de fevereiro de 2014

LIÇÃO 09 – DISCIPULADO – CONHECENDO O CONSOLADOR DIVINO (Jo 16.7-15)

 

INTRODUÇÃO

Abraham Kuiper, teólogo, político e educador holandês, escreveu uma obra de grande vulto sobre o Espírito Santo e disse: “Se os ministros não derem crédito à obra do Espírito Santo, darão pedra em vez de pão ao seu rebanho”.[1]
J. I. Packer, falou que o Espírito Santo tem o ministério do holofote. Disse ele: “O Espírito age como um holofote oculto que focaliza a sua luz no Salvador, fazendo-o resplandecer. A mensagem do Espírito para nós nunca é: olhe para mim; escute-me; venha a mim; conheça-me; mas sempre é: olhe para Jesus e veja a sua glória; ouça-o e escute as suas palavras; vá a ele e tenha vida. Conheça-o e prove o seu dom de alegria e paz”[2]
O Espírito é o aplicador da obra de Cristo. Sem o Espírito Santo a obra de Cristo não poderia nos valer. A obra do Espírito Santo é tão importante como a obra de Cristo. Hoje, quando se fala no Espírito Santo, quase só se pensa em dons, especialmente os dons de sinais. Não se pode restringir a ação do Espírito Santo aos dons. Não somos apenas carismáticos, somos pneumáticos. Conheçamos então pelas Escrituras, o Espírito Santo de Deus.


1. ESPÍRITO SANTO - A PROMESSA PROFÉTICA

            Há muito tempo Deus vinha anunciando por meio dos profetas a chegada de uma era muitas vezes identificada com o derramamento do Espírito Santo:
            a) Profeta Isaías profetizou um tempo de restauração, Is 44.3.
            b) Ezequiel foi bem específico, Ez 36.27;
            c) Joel fala da amplitude desse derramamento (Jl 2.28-29).
d) Toda a expectativa sobre o derramar do Espírito Santo foi anunciado por João Batista que logo se cumpriria, Mc 1.8.
            e) O Senhor Jesus prometeu um outro Consolador (Jo 16.7) Consolador  (parakletos), significa literalmente “aquele que está ao lado de”, (Rm 8.26). Esta promessa foi confirmada pelo Senhor Jesus após a sua ressurreição, (Lc 24.49).
            f) A promessa se cumpriu no dia de Pentecostes, At 2.1-4.

Nota importante
a) O Espírito Santo, o Terceiro Membro da Trindade é uma pessoa e não  uma força (Testemunhas de Jeová). Isso é muito claro nas Escrituras, onde pronomes pessoais são usados em referência ao Espírito (Jo 16.13). A Bíblia claramente representa o Espírito Santo como possuindo atributos divinos e exercendo autoridade divina. [3]

b) Analisando cuidadosamente o discurso de João Batista (Mt 3.7.12), vemos que a expressão “batizará com o Espírito Santo e com fogo” refere-se a dois batismos para duas classes de pessoas:
- O batismo com o Espírito é para o trigo, para aqueles que produziram, pela graça de Deus, frutos dignos de arrependimento. O trigo é recolhido no Seu celeiro (céu), At 11.15-16.
- O batismo com fogo é para a palha, para aquelas “árvores” que não produziram frutos, as quais serão cortadas e lançadas no fogo. Assim, a palha será separada do trigo, ou seja, os ímpios dos bons, e será queimada no fogo que nunca se apaga.
Portanto, ao invés do “batismo com fogo” ser uma promessa para os crentes, ele é uma frase expressiva dos terríveis julgamentos que Ele (Jesus) infligiria sobre a nação Judia e sobre todos quantos morressem impenitentes; quando Ele os condenará pelo pecado de rejeitá-Lo (John Gill's Exposition of the Entire Bible).


2. ESPÍRITO SANTO - O CUMPRIMENTO DA PROMESSA

Em Atos 2.1-4 tem sua importância não por causa da festa judaica do Pentecostes, mas no fato de que Deus cumpriria mais um evento da história da redenção. Este evento foi o último da histórica atividade salvadora de Jesus. Sem a descida do Espírito Santo, a obra redentora de Jesus não estaria acabada, e sua promessa não teria sido cumprida.

            Observação importante - Babel e Pentecostes: No caso de Babel, houve separação por causa das línguas (Gn 11.7-9). No Pentecostes, as línguas provocaram unidade, At 2.5-8.

            No Pentecostes Deus uniu:
a) Judeus de todas as nações, At 1.1-6 - Deus dividiu as línguas dos hebreus em várias línguas, mas no Pentecostes foram reunidas demonstrando a unidade do povo de Deus.

b) Os samaritanos, inimigos históricos dos judeus, At 8.5-17 - O evangelho estava sendo aceito fora de Jerusalém, e Lucas queria mostrar como o evangelho saiu da exclusividade do ambiente judeu, sob a supervisão dos apóstolos e com todas as bênçãos do Espírito Santo. Os samaritanos, inimigos históricos dos judeus, haviam recebido a mensagem de salvação.

            c) Os gentios de Cesaréia, At 10 - Depois dos samaritanos. Agora os gentios eram incorporados à Igreja. Algo que geralmente passa despercebido é o testemunho do apóstolo Pedro que tem implicações muito sérias (At 11.15-17). Pedro diz que a conversão dos gentios foi semelhante à conversão dos apóstolos. Mas, quando os apóstolos se converteram? No pentecostes! (Lc 22.32). Os apóstolos consideravam o Pentecostes, como o ponto inicial da sua fé, e, portanto, a data da sua conversão. Eles receberam o Espírito Santo quando se converteram, assim como todos os crentes.

            d. Os discípulos de Èfeso, At 19.1-7 - Paulo vincula o recebimento do Espírito Santo com o ato de crer (At 19.2). Os discípulos de João não eram crentes, v.5-7.


3. O ESPÍRITO SANTO E A SUA OBRA[4]

O Espírito Santo é quem nos conduz à verdadeira compreensão de Cristo. A confissão do Cristo por parte da Igreja é, de certa forma, a glória do Espírito. O cristão não consegue sobreviver sem uma ação constante e poderosa do Espírito Santo em sua vida. Por isso, ao confortar os discípulos acerca de sua partida, Jesus prometeu-lhes que enviaria o Consolador, que os assistiria em todos os momentos, Jo 14.16-17. Além de substituir o Senhor Jesus, o Espírito teria ainda as seguintes funções:

            1. No Mundo
            a) Convencer o mundo, Jo 16.8;
            b) Glorificar e exaltar a pessoa de Jesus, Jo 16.14.

2. Na vida pessoal dos crentes[5]
            a) Regeneração – Regenerar significa gerar de novo, Tt 3.5.
            b) Conversão – É a resposta do homem à regeneração, ou seja, o arrependimento e fé, At 11.18.
            c) Santificação – O Espírito Santo que habitar no crente e o santifica ao longo da vida cristã, II Ts 2.13.
            d) Intercessão – O Espírito Santo interceder por pelos crentes, Rm 8.26.
e) Segurança – O Espírito Santo é o selo que garante a salvação do crente, Ef 1.13-14; 4.30.
f) Dons para o exercício do ministério – O Espírito Santo capacita a sua Igreja, Ef 4.7-16.
g) Ensinar a verdade - Lembrar das coisas que Jesus ensinou e guia-los na verdade, Jo 14.26; 16.13
            h) Fonte de Poder - Na expansão do reino espiritual, os discípulos seriam responsáveis por essa tarefa e, para garantir que esta expansão teria êxito, lhes seria mandado o Espírito Santo como fonte de poder, Mc 16.15-18.

            Para Concluir

            O Espírito Santo realiza a obra de Deus na vida do crente, e impulsiona o Reino de Deus. Identificar essa atuação deve nos levar a adorar a Deus, e a experimentar mais da graça dele. Acima de tudo, provar dessa fonte de poder e testemunho. Todo trabalho de Deus em nós, tocando nossos corações, nosso caráter e nossa conduta,  é feito pelo Espírito. Portanto, conclamamos a nossa igreja a honrarmos o Espírito Santo.
a) Temos entristecido o Espírito – quando o desobedecemos, quando não seguimos sua direção, quando quebramos a comunhão, quando proferimos palavras torpes.
b) Temos apagado o Espírito – quando tiramos o combustível que o alimenta: Palavra, oração.
Conclamo a igreja a vivermos no Espírito, a andarmos no Espírito, a seguirmos a direção do Espírito, a exercermos os dons do Espírito, a produzirmos o fruto do Espírito, a sermos cheios do Espírito, a sermos reavivados pelo poder do Espírito!




[1] KUYPER, Abraham. A Obra do Espírito Santo. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2011.
[2] PACKER. J. I.  Na Dinâmica do Espírito. São Paulo: Edições Vida Nova, 1991, pg. 62.
[3] SPROUL, R. C. 2º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã. 2ª  impressão.  São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, pag. 9-11.
[4] PACKER, J. I. O Conhecimento de Deus. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2005, Cap. 6. 
[5] PACKER. J. I.  Teologia Concisa. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1999, pg. 135.

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