sexta-feira, 20 de setembro de 2013

LIÇÃO 06 - DISCIPULADO – LENDO A BÍBLIA COM A MENTE E CORAÇÃO – II Tm 3.14-17

 

INTRODUÇÃO

Em uma pesquisa na Universidade de São Paulo afirmou que o Brasil é o único país onde o analfabetismo funcional está aumentando entre os evangélicos. Analfabetismo funcional é aquele estado em que as pessoas, embora saibam ler e escrever, são incapazes de entender e compreender o que lêem. De dez anos para cá, este índice tem aumentado no Brasil e a referida pesquisa afirma que isto se deve ao pouco uso que os evangélicos brasileiros estão fazendo da Bíblia Sagrada, que não está mais sendo lida pelos crentes[1]

Rick Nanez (pentecostal) escreveu que este problema consiste exatamente em uma ideia que surgiu no pentecostalismo de que a crença de que o estudo da Palavra de Deus é um obstáculo à atuação do Espírito Santo, motivo pelo qual, desenvolveu-se a ideia de que “a letra mata” e de que o crente não deve estudar a Palavra de Deus.[2] (Lc 12.11-12)

O analfabetismo bíblico contribui para tornar relativo o valor das Escrituras em muitas igrejas:

(a) A ênfase na experiência: quando a experiência pessoal se torna um critério de verdade, a Escritura tende a ficar em segundo plano; se, por exemplo, uma determinada prática produz resultados ou faz a pessoa sentir-se bem, isso é o que importa.

(b) O apelo a revelações: Se alguém acredita que Deus continua a revelar-se de maneira direta, imediata, isso tende a relativizar as Escrituras; elas não mais são a revelação final de Deus, a única regra de fé e prática para o crente. Quando um pregador diz “o Senhor me revelou ou o Senhor me mostrou isso ou aquilo”, tudo pode acontecer, e é proibido questionar, pois é palavra do Senhor.

(c) Uso questionável das Escrituras: quando as Escrituras são utilizadas, muitas vezes isso é acompanhado de interpretações tendenciosas, uso seletivo de certas passagens ou ênfases inadequadas.

(d) O louvor triunfalista: Até mesmo nos hinos, que são outra forma de transmitir um ensinamento, são carentes de base bíblica, e cheias de um triunfalismo que transformam Deus num mero cedente dos desejos dos crentes.


1. BÍBLIA – DEFINIÇÕES TEOLÓGICAS

O Catecismo Maior da Igreja Reformada traz as seguintes definições:[3]

1. Que é a Palavra de Deus?
As Escrituras Sagradas, o Velho e o Novo Testamento, são a Palavra de Deus, a única regra de fé e prática, Gl 1.8-9.

2. Como podemos saber se as Escrituras são a Palavra de Deus?
Demonstra-se que as Escrituras são a Palavra de Deus – pela majestade e pureza do seu conteúdo, pela harmonia de todas as suas partes, e pelo propósito do seu conjunto, que é dar toda a glória a Deus; pela sua luz e pelo poder que possuem para convencer e converter os pecadores e para edificar e confortar os crentes para a salvação. O Espírito de Deus, porém, dando testemunho, pelas Escrituras e juntamente com elas no coração do homem, é o único capaz de completamente persuadi-lo de que elas são realmente a Palavra de Deus, Hb 4.12; Sl 19.7-9.

3. Que é o que as Escrituras principalmente ensinam?
As Escrituras ensinam principalmente o que o homem deve crer acerca de Deus e o dever que Deus requer do homem, Jo 20.31; II Tm 1.13.


2. BÍBLIA – ASPECTOS DE SUA AUTORIDADE [4]

1. Inspiração das Escrituras
Podemos definir a inspiração como sendo a influência sobrenatural do Espírito de Deus sobre os homens separados por Ele mesmo, a fim de registrarem de forma inerrante e suficiente toda a vontade revelada de Deus, constituindo este registro na única fonte de todo o conhecimento cristão. Os escritores foram apenas instrumentos de Deus, por meio dos quais Deus decretou registrar a sua mensagem, II Pe 1.21; II Tm 3.16.

A Bíblia não é maniqueísta: tendo de um lado a Palavra de Deus e, de outro, a palavra de homens. Portanto, a Bíblia é o resultado da vontade soberana de Deus, do seu amor inconfundível e das suas misericórdias que se renovam a cada manhã – ela é a vontade de Deus para a minha vida e para a sua vida!

2. A inerrância das Escrituras
“A inerrância da Bíblia é uma doutrina bíblica, onde aprendemos que, quando todos os fatos forem conhecidos, demonstrarão que a Bíblia, nos seus escritos originais e corretamente interpretada, é inteiramente verdadeira, e nunca falsa, em tudo quanto afirma, quer no tocante a doutrina e a ética, quer no tocante as ciências sociais, físicas ou biológicas”.[5]

Assim, concluímos que tudo o que foi registrado corresponde perfeitamente aquilo que Deus quis que fosse escrito. A Bíblia expõe com clareza e fidelidade o ser de Deus revelado, sua vontade e propósito, sendo um guia sincero, suficiente e infalível para a vida da igreja, Jo 10.35

O cristão sincero deve subordinar a sua inteligência à sabedoria de Deus revelada nas escrituras e, guardar no coração a Palavra de Deus, Salmo 119.11.

3. A necessidade das Escrituras
A Bíblia tem um caráter instrumental e temporário, embora os seus efeitos e as suas verdades sejam eternas. O que estamos querendo dizer, e que na eternidade não haverá mais a Bíblia; apenas teremos uma visão ampla e experimental para o qual ela apontava: A vitória do Cordeiro! Portanto, a Bíblia como Palavra inspirada e inerrante de Deus, nos foi dada com os seguintes propósitos, responder adequadamente as necessidades espirituais do homem, apontando para Jesus e o poder de Deus, Jo 5.39; Mt 22.29.


3. BÍBLIA – ATITUDES DA NOVA CRIATURA

Um livro importante como este deve ser usado com freqüência, como um manual de instruções. Algumas formas de usar bem a Bíblia são:

a) Meditar em todo tempo, Sl 1.2
Meditação é um processo ativo de pensamento (pensando, resolvendo), pelo qual nos entregamos ao estudo da Palavra de Deus em oração e pedimos a Deus para nos dar entendimento através do Espírito. Ele habita no coração de todo crente e tem prometido nos guiar em “toda a verdade” (João 16.13).

b) Examinar, Jo 5.39
A Bíblia não pode ser lida apenas quando sentimos vontade ou precisamos de uma mensagem para a vida. Jesus disse que ela deve ser examinada, isso requer dedicação de tempo e esforço no estudo profundo da Palavra de Deus. Cada cristão deve aprender o máximo que puder sobre a Bíblia, Mt 22.29; Dn 9.2.

c) Manejar bem, II Tm 2.15
O crente deve aprender a manejar as escrituras para encontrar as passagens nela inscritas e discernir o seu conteúdo sem ficar perdido, confuso. Cada tipo de texto deve ser compreendido de maneira peculiar à sua linguagem e contextualizada para a atualidade, Jo 14.23,26; Lc 24.8; Ap 1.3.

d) Praticar na vida diária, Tg 1.21-24
Esta é a parte mais difícil, porque muitas pessoas meditam, examinam e até manejam bem a Bíblia, mas se não praticar tudo é em vão. Contudo o poder da Palavra se manifesta justamente quando ela é praticada, Mt 7.24-27. 


Para Concluir

A prática da leitura de uma maneira geral se faz presente em nossas vidas desde o momento em que começamos a “compreender” o mundo à nossa volta. Quando temos a oportunidades de praticarmos a leitura dessa forma estamos exercitando a nossa mente. Jesus afirmou: "Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos" (Jo 8.31). Pessoas que não são, de forma alguma, discípulos verdadeiros. Os que amam a Palavra são os verdadeiros seguidores de Cristo. Esses não desejarão ouvir pregadores que cocem seus ouvidos, mas os que os ensinem o caminho para agradar a Deus, II Tm 4.3.

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[1] CAXANGÁ, M. R. R. Raízes sociolingüísticas do analfabetismo no Brasil. Disponível in:  
[2] NAÑEZ, Rick. Pentecostal de coração e mente: um chamado ao dom divino do intelecto. São Paulo: Editora Vida, 2007, p.104. 
[3] A Confissão de Fé, O Catecismo Maior, O Breve Catecismo. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1991, pág. 166-168. 
[4] COSTA, Herminsten M. P. A Inspiração e inerrância das Escrituras. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1998. 
[5] FEINBERG, Paul D. Inerrancy. Michigan: Zondervan Publishing House, 1980, p. 267. Disponível in:

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