segunda-feira, 2 de setembro de 2013

LIÇÃO 04 – DISCIPULADO - VENCENDO AS TENTAÇÕES DA VIDA (Tg 1.12-15)


INTRODUÇÃO

Provavelmente a luta contra as tentações seja o maior desafio do cristão em nossos dias. A sociedade, conturbada e fora dos padrões de Deus em que estamos todos inseridos, faz piorar ainda mais esse estado das coisas. 

Tentação na Bíblia tem o sentido de colocar uma pessoa em prova, de submetê-la a um teste árduo e espinhoso com o objetivo de mostrar a sua fraqueza, induzindo-a a um procedimento negativo. Este termo aparece 21 vezes no N.T. e sempre tem o sentido de comprovar a qualidade, submeter à prova ou teste, com a intenção de induzir ao pecado. 

A Bíblia apresenta satanás como o tentador, ou seja, como aquele que sabe usar como ninguém mais as circunstâncias existenciais para induzir a pessoa na concretização de objetivos maléficos, com o propósito de criar em nós uma sensação de ausência, de distanciamento, de Deus. 

Muitas pessoas novas na fé iniciam sua nova vida com grande entusiasmo. Contudo, diante das primeiras dificuldades desanimam e, não raro, abandonam a fé. Eis a nossa responsabilidade em mostrar o evangelho de forma integral, e não apenas as facilidades e bênçãos que ele traz. Este estudo fala sobre as dificuldades e tentações que todo cristão enfrenta, dando uma ênfase especial aos recursos dados por Deus para nossa vitória. 


1. TENTAÇÃO – CONCEITOS BÍBLICOS E TEOLÓGICOS

A palavra “tentação” não aponta para algo mal ou danoso, ela apenas nos fala de uma “ação” de tentar, desejar, fazer ou experimentar. Não existe nesta palavra nenhuma conotação ética: boa ou ruim; antes ela denota uma atividade que deverá ser julgada em seu mérito dentro de cada contexto, estabelecendo uma relação com o seu meio empregado.[1]

A tentação que se tem em vista é aquela levada a efeito por Satanás para nos fazer pecar. Satanás é o tentador; esta é a sua especialidade, para a qual ele está habilmente preparado, tendo se aperfeiçoado durante toda a história da humanidade, descobrindo sempre novas estratégias, verificando uma melhor forma de conseguir seus intentos.

“Suponho que não haja nenhum aspecto da natureza humana que seja desconhecido de Satanás”.[2]

“Se é a tua vontade, não permitas, frágeis como somos por natureza e inclinados ao pecado, que entremos em situações que no curso natural dos acontecimentos nos exponham à tentação e a queda (Mt 26.41), porém, seja qual for a tua vontade para conosco, livra dos mal”.[3] 

Portanto, nesta súplica aprendemos a pedir de um modo especial não o livramento das tentações, mas, sim, a capacitação para vencê-las.


2. OS ASPECTOS BÍBLICOS DA TENTAÇÃO

1. A tentação surge da nossa presunção de força.

A tentação se torna mais eficaz quando presumimos ter forças suficientes para não cairmos em pecado, ou para vencê-la quando assim bem entendermos (autoconfiança é um atalho para a derrota).

Precisamos aprender que:
a) O pecado habita dentro de nós, Rm 7.17-20 
b) A tentação encontra forte aliado dentro de nós, Tg 1.14-15 
c) A presunção nos deixa vulneráveis à tentação, I Co 10.12
d) O desejo desenfreado pelo ter (cobiça), Tg 1.14; I Tm 6.9-10.
e) A Concupiscência dos olhos, I Jo 2.16; Sl 101.3: Jó 31.1,7.
f) A companhia dos ímpios, Pv 1.10; Sl 1.1.

Calvino escreveu: “Quanto mais exceda alguém em graça, mais deve ele temer a queda; pois a política costumeira de Satanás é empenhar-se, mesmo à luz da virtude e força com que Deus nos revestiu, por produzir em nós aquela confiança carnal que nos induz à negligência”.[4]

“Ele pode enfrentar um leão, um urso, um gigante e um exercito; no entanto, não consegue vencer as suas próprias inclinações pecaminosas”.[5]

Lloyd-Jones escreveu: “A Bíblia nos diz que o poder do pecado é tão grande e terrível como isso – que mesmo um homem admirável e maravilhoso como Davi, o rei de Israel, pode cair no caminho que eu já descrevi”.[6]

2. A tentação visa destruir a Palavra de Deus em nós.

Na parábola do semeador fica evidente este aspecto da tentação, Lucas 8.6-13.

Muitos homens recebem o Evangelho com prontidão excepcional, com uma alegria sincera e emocionante... Passado os primeiros momentos desta experiência, tais pessoas começam a se deparar ou a ter consciência das primeiras provações, angustias e tentações e então abandonam a Palavra de Deus. A tentação nos ataca fazendo com que a Palavra de Deus deixe de ser o manual de compreensão da realidade e do direcionamento para a nossa vida. Neste caso, a Palavra de Deus perde a relevância existencial e vivencial para nós e, por isso, cedemos às tentações. Observarmos então que para vencer as tentações não precisamos de coisas sobrenaturais ou espetaculares, e sim, da revelação da Palavra escrita. Jesus não resistiu ao diabo utilizando o seu poder miraculoso ou invocando alguma revelação especial dada a ele e a nenhum outro. Antes, ele se manteve firme, abraçando a palavra de Deus, Mt 4.4,7,11

Se permitirmos que a palavra de Deus habite em nós, seremos fortalecidos em nosso homem interior com o poder necessário para vencer o maligno Sl 119.11; Ef 6.17.

É importante mostrar que a Palavra somente atuará se estiver guardada no coração. Para tanto precisamos não somente lê-la, mas meditar nela, colocá-la em prática e, sobretudo, dependermos da ação do Espírito Santo de Deus.

3. A tentação nos entristece

A tentação dói, gera tensão violenta e toca em questões vitais da nossa existência. O processo tentatório e a luta interior para não cedermos a tentação nos fazem chorar lágrimas amargas, o mesmo ocorrendo quando caímos e chegamos a consciência de que não resistimos. Porém, a tristeza produzida pela tentação e temporária, embora amargurante e cruel, Salmo 32.3, Salmo 51.1,8.

A tristeza promovida pela tentação e tão intensa que pode desembocar numa depressão profunda, mas, em contra partida, essa tristeza não pode ser comparada a alegria e a exultação espiritual que nos advém quando resistirmos a tentação, I Co 10.13

Podemos usar a tristeza provocada pela tentação de maneira positiva, glorificando e louvando a Deus por participarmos dos sofrimentos de Cristo.


Para Concluir:

“e não nos deixeis cair em tentação; mas livra-nos do mal” (Mateus 6.13).

Essa é uma oração feita pelo homem que confia no socorro e cuidado de Deus. Deus nos conhece bem, conhece as nossas fraquezas e limitações; e Satanás não age fora da esfera da permissão de Deus. Por isso, a tentação nunca é superior ao suprimento divino, I Co 10.13.

Quando fazemos esta oração estamos buscando o nosso socorro naquele que foi tentado e a venceu, Hb 2.18.

O socorro amparador de Deus deve ser um estimulo à nossa resistência na fé, a permanecermos firmes diante das variadas tentações que visam a nos afastar de Deus e da sua palavra. Portanto, devemos estar atentos às nossas falhas, olhando com misericórdia aqueles que caírem, procurando, com toda humildade, extrair lições para a nossa vida, a fim de não cometermos o mesmo erro[7], Gl 6.1; II Co 13.5.

Quando, pela misericórdia de Deus, resistimos à tentação, somos aprovados por Deus com uma recompensa eterna, Tg 1.12; I Pe 1.6-7.

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[1] COSTA, Herminsten Maia Pereira da. O Pai Nosso. Editora Cristã, 2001, p. 62
[2] SPURGEON, C. H. in: Bruce H. Wilkinson, Vitoria sobre a Tentação, 2ª Ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1999, p. 182. 
[3] HENDRIKSEN, Willian. Mateus – Comentário do Novo Testamento, Vol I: Cultura Cristã, 2010 2ª Ed. p. 416. 
[4] CALVINO, João. O Livro de Salmos, São Paulo, Edições Parakletos, Vol 2, p. 333-334. 
[5] COSTA, Herminsten Maia Pereira da. O Pai Nosso. Editora Cristã, 2001, p. 73 
[6] LLOYD-JONES, Martyn. O Clamor de um desviado: Estudos sobre o Salmo 51. São Paulo: PES. 1997, p. 16. 
[7] COSTA, Herminsten Maia Pereira da. O Pai Nosso. Editora Cristã, 2001, p. 78

Um comentário:

Geliane Sousa disse...

muito interessante!!
esse texto foi de grande ajuda.
obrigada!! ^^