terça-feira, 27 de agosto de 2013

LIÇÃO 02 - AS TRÊS DIMENSÕES DO PERDÃO – Cl 3.13; Ef 4.32


INTRODUÇÃO

O pecado trouxe consigo a morte. O vírus letal do pecado infectou toda humanidade. Afetou o ser humano na sua totalidade, matou o homem. O intelecto do homem ficou danificado, sua vontade escravizada e sua emoção poluída. Sua inclinação natural é avessa à vontade de Deus. O homem nem busca, nem entende Deus.

A condição de toda pessoa fora de Jesus Cristo é descrita em Efésios 2:1-3. 
a) Mortos em Delitos e pecados, v.1 
b) Filosofia de vida anti-cristã, v.2
c) Filhos da ira (condenação), v.3

Não obstante, Deus intervém e eternamente e perdoa aqueles que Ele elegeu para salvação, Ef 2.4-5.

O Senhor Jesus tem o poder para perdoar pecado. Ele falou ao paralítico, dizendo, “perdoados estão os teus pecados”, Mc 2.5, 10-12.

Portanto, o homem é incapaz de dar a vida a si mesmo, de abrir seus próprios olhos ou de ensinar a si mesmo a verdade espiritual. 
a) Deus é quem toma a iniciativa de eleger, agir e perdoar o homem, Ef 2.8-9; Jo 6.44.
b) Deus é quem abre o coração do eleito e cria nele a capacidade de querer e de fazer o bem que agrada a Deus, pois, de outra maneira, ninguém seria capaz de crer, At 13.48; 16.14

É Deus quem implanta o princípio ou a semente da nova vida, quem efetua em nós tanto o querer quanto o realizar. Sua ação graciosa suplanta a inclinação carnal por uma disposição espiritual. A graça da regeneração é que habilita o homem a crer no Senhor Jesus, a arrepender-se de seus pecados e a converter-se de seus maus caminhos. Sem a graça da regeneração ninguém teria condição de entrar no reino de Deus.


1. PERDÃO – UMA COMPREENSÃO DA NOSSA SITUAÇÃO DIANTE DE DEUS

1. A consciência do perdão, Rm 3.23; 3.10-18.
Portanto, negar a nossa condição de pecadores é negar a própria Palavra de Deus, I Jo 1.10. 

Devido a depravação da natureza humana, todos pecaram e são responsáveis diante de Deus. A aproximação e a contemplação da gloriosa santidade de Deus realçam de forma eloqüente a gravidade do nosso pecado, Is 6.1-5

Lloyd-Jones escreveu: “Nunca houve um santo sobre a face da terra que não tenha visto a si mesmo como um vil pecador; de modo que se você não sente que é um vil pecador, não é parecido com os santos”.[1]

2. A Insatisfação com a prática do pecado
O homem consciente da sua dívida, se apresenta arrependido diante de Deus, desejoso de deixar de pecar, I Jo 3.6; I Jo 2.1-2.

3. Incapacidade de pagar a Dívida
Não temos condições de pagar a nossa dívida, Lc 7.41-42.

Estamos inadimplentes espiritualmente; a nossa dívida cada vez aumenta mais. Porque ainda que vivendo como cristãos, vamos aumentando sem cessar nossa dívida e agravando a embrulhada da nossa situação. A dívida cresce de dia em dia.

Hendriksen escreveu: “A petição de perdão significa que o suplicante reconhece que não há outro método pelo qual possa cancelar sua dívida, é uma súplica de graça”.[2]

Portanto, é impossível uma autêntica vida cristã sem esta consciência: de sermos pecadores e da necessidade do perdão de Deus. Enquanto não admitirmos isso, estamos, na realidade, sustentando algum tipo de auto-suficiência.


2. PERDÃO E AS NOSSAS ATITUDES COMO REDIMIDOS

1. Viver dignamente
O pecador perdoado é motivado a procurar se harmonizar com o propósito de Deus revelado nas Escrituras.

John Owen escreveu: “O perdão é o mais forte motivo para se viver piedosamente depois de recebê-lo (...) Aquele que presume tê-lo recebido, e não se sente obrigado a ser obediente a Deus por causa do perdão que recebeu, na verdade não goza dele”.[3]

Deus nos diz na sua Palavra que ele nos redimiu para si mesmo a fim de vivermos para Ele, em harmonia com a sua vontade, encontrando assim a felicidade decorrente da nossa obediência a Deus, Is 44.22; Is 55.7.

2. Humildade e Gratidão
A súplica pelo perdão de nossas dívidas aponta para a nossa total incapacidade de pagar-lhe: somos total e irreversivelmente devedores; portanto, a nossa postura é de humildade diante de Deus. Sl 103.1-3,8,10,14.

3. Disposição para perdoar
O perdão concedido por Deus é um imperativo à concessão de perdão ao nosso próximo. Aquele que foi perdoado é conduzido invariavelmente à disposição de perdoar o seu próximo; e quando perdoamos estamos nos abrindo ao perdão de Deus. A nossa disposição em perdoar é um atestado de nossa gratidão a Deus.

A base do perdão é o perdão concedido por Deus. Ele não somente nos perdoa, como também nos capacita a perdoar; Deus faz o nosso perdão possível, Cl 3.13; Ef 4.32.


3. PERDÃO E AS NOSSAS ATITUDES CONSIGO MESMO
Uma das situações mais doloridas na vida de uma pessoa é a incapacidade de perdoar-se a si mesmo. O Senhor declara em sua palavra que os nossos pecados já foram perdoados em Cristo Jesus, I Jo 2.12. 

Esta falta de perdão a si mesmo tem feito muitos adoecerem física, emocional e espiritualmente. A falta de perdão a mim mesmo produz:

1) O sentimento de culpa 
É um sentimento que experimentamos quando temos a consciência de que erramos em relação às leis de Deus e os padrões éticos e morais socialmente aceitos. A Bíblia diz que nós somos declarados ‘não culpados’ por causa de Cristo, I Jo 2.12; 3.19-22. 

2) Um complexo de inferioridade
Esse sentimento que experimentamos quando, em função dos erros e pecados nos julgamos menores do que os outros e incapazes de agradar a Deus.

Você é Santuário de Deus onde habita o Espírito Consolador que provém de Deus e que mesmo sendo o cristão tão limitado e tendencioso a pecar continuamente, somos consolados e fortalecidos pelo Espírito Santo, I Co 3.16; 1 Co 1.27; Jl 3.10

c) Uma postura de auto-piedade.
Esse é um comportamento egocêntrico que termina bloqueando o fluxo final do perdão e o amor curativo de Deus. Perdemos as esperanças. Recusamo-nos a nos erguer, a tomar nossa cruz de fragilidade humana e seguir Jesus, Ec 7.16.


Para Concluir
Quando Deus perdoa, Ele esquece o pecado do homem perdoado. A Escritura declara que Ele lança o pecado da pessoa perdoada para trás das Suas costas, tão longe como o oriente está do ocidente, e lança o pecado nas profundezas do mar, Sl 103.12; Is 38.17; Mq 7.19. 

Não lembrança de pecado implica em perdão disso: “de seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei mais”, Hb 8.12. 

O perdão de Deus é tão completo que Ele o descreve como não lembrando o pecado, as iniqüidades e as transgressões do homem perdoado. Com Ele o perdão é equivalente ao esquecer o pecado de uma pessoa. Ele não guarda lembrança dele em Sua mente; Ele não pensa sobre os pecados de Seu povo. Sua iniqüidade é removida, e o justo Juiz não tem memória judicial dele.

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[1] LLOYD-JONES, Martyn. O Clamor de um desviado: Estudos sobre o Salmo 51. São Paulo: PES. 1997, p. 40. 
[2] HENDRIKSEN, Willian. Mateus – Comentário do Novo Testamento, Vol I: Cultura Cristã, 2010 2ª Ed. p. 350. 
[3] Owen, John, citado por A, Booth, in: Somente pela graça, São Paulo: PES, 1986, p. 33


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