domingo, 2 de junho de 2013

ESTUDO Nº 25 - O PAI NOSSO E A NOSSA CONDIÇÃO ESPIRITUAL – TENTAÇÃO (MT 6.9-13)


INTRODUÇÃO

      Este é o terceiro estudo da segunda parte do Pai nosso que faz referencias as necessidades do homem piedoso.
       É importante lembrar que os três pedidos que Deus coloca em nossos lábios são magnificamente completos. Incluem, em principio, todas as necessidades humanas:
 a) Necessidades materiais (o pão de cada dia)
 b) Necessidades espirituais (perdão de pecados)
 c) Necessidades morais (livramento do mal).
 O que fazemos, sempre que proferimos esta oração, é expressar nossa dependência em cada setor da vida humana.[1]

          Hoje, iremos estudar sobre as “necessidades morais” do homem piedoso, no que diz respeito às tentações da vida. “e não nos deixeis cair em tentação; mas livra-nos do mal” (Mateus 6.13). Esta petição reflete o desejo do homem perdoado de viver uma nova vida, vencendo as fraquezas que antes o haviam abatido.

1. TENTAÇÃO – CONCEITOS BÍBLICOS E TEOLÓGICOS

            A palavra “tentação” não aponta para algo mal ou danoso, ela apenas nos fala de uma “ação” de tentar, desejar, fazer ou experimentar. Não existe nesta palavra nenhuma conotação ética: boa ou ruim; antes ela denota uma atividade que deverá ser julgada em seu mérito dentro de cada contexto, estabelecendo uma relação com o seu meio empregado.[2]
          No texto dessa oração, a tentação que se tem em vista é aquela levada a efeito por Satanás para nos fazer pecar. Satanás é o tentador; esta é a sua especialidade, para a qual ele está habilmente preparado, tendo se aperfeiçoado durante toda a história da humanidade, descobrindo sempre novas estratégias, verificando uma melhor forma de conseguir seus intentos.
            “Suponho que não haja nenhum aspecto da natureza humana que seja desconhecido de Satanás”.[3]
            “Se é a tua vontade, não permitas, frágeis como somos por natureza e inclinados ao pecado, que entremos em situações que no curso natural dos acontecimentos nos exponham à tentação e a queda (Mt 26.41), porém, seja qual for a tua vontade para conosco, livra dos mal”.[4] 
            Portanto, nesta súplica aprendemos a pedir de um modo especial não o livramento das tentações, mas, sim, a capacitação para vencê-las.
           
2. OS ASPECTOS BÍBLICOS DA TENTAÇÃO

1. A tentação surge da nossa presunção de força.
        A tentação se torna mais eficaz quando presumimos ter forças suficientes para não cairmos em pecado, ou para vencê-la quando assim bem entendermos (autoconfiança é um atalho para a derrota).
            
            Precisamos aprender que:
a)    O pecado habita dentro de nós, Rm 7.17
b)    A tentação encontra forte aliado dentro de nós, Tg 1.14-15
c)    A presunção nos deixa vulneráveis à tentação, I Co 10.12
       Calvino escreveu: “Quanto mais exceda alguém em graça, mais deve ele temer a queda; pois a política costumeira de Satanás é empenhar-se, mesmo à luz da virtude e força com que Deus nos revestiu, por produzir em nós aquela confiança carnal que nos induz à negligência”.[5]

2. A tentação nos cega
A tentação obscurece a nossa visão e a nossa mente, nos fazendo enxergar as coisas sob um único prisma, o da satisfação pessoal e do prazer – Cobiça, Tg 1.14; I Jo 2.16.
Enquanto a visão de Davi estava fixada na beleza física de Bate-Seba e no prazer sexual, ele não enxergou a maldição que cometera contra Deus, 2 Sm 11.27.
Somente depois de exortado espiritualmente pela Palavra de Deus, através do profeta Natã, foi que as vendas caíram de seus olhos e, arrependido, Davi confessou o seu pecado, 2 Sm 12.13.
Somente a Palavra de Deus nos faz recuperar a visão espiritual e nos auxilia a identificarmos a tentação e suas conseqüências em nossas vidas. (Recomendo a leitura dos Salmos 32, 38 e 51).
“Ele pode enfrentar um leão, um urso, um gigante e um exercito; no entanto, não consegue vencer as suas próprias inclinações pecaminosas”.[6]
Lloyd-Jones escreveu: “A Bíblia nos diz que o poder do pecado é tão grande e terrível como isso – que mesmo um homem admirável e maravilhoso como Davi, o rei de Israel, pode cair no caminho que eu já descrevi”.[7]

3. A tentação visa destruir a Palavra de Deus em nós.
            Na parábola do semeador fica evidente este aspecto da tentação, Lucas 8.6-13.
A tentação nos ataca fazendo com que a Palavra de Deus deixe de ser o manual de compreensão da realidade e do direcionamento para a nossa vida. Neste caso, a Palavra de Deus perde a relevância existencial e vivencial para nós e, por isso, cedemos às tentações.
Muitos homens recebem o Evangelho com prontidão excepcional, com uma alegria sincera e emocionante... Passado os primeiros momentos desta experiência, tais pessoas começam a se deparar ou a ter consciência das primeiras provações, angustias e tentações e então abandonam a Palavra de Deus.
Desta forma, Satanás utiliza-se de todos os recursos para abater a nossa fé e para nos enfraquecer espiritualmente, induzindo-nos para direções erradas e nos desviando de Jesus, o autor e consumidor da fé, Hebreus 12.2. (Recomendo: a leitura do livro do profeta Habacuque e de Hebreus 10.19 a 11.40).

4. A tentação nos entristece
          A tentação dói, gera tensão violenta e toca em questões vitais da nossa existência. O processo tentatório e a luta interior para não cedermos a tentação nos fazem chorar lágrimas amargas, o mesmo ocorrendo quando caímos e chegamos a consciência de que não resistimos. Porém, a tristeza produzida pela tentação e temporária, embora amargurante e cruel, Gênesis 3.4-6, Salmo 32.3, Salmo 51.1, 8 e 12, Mateus 27.1-5 (remorso).
A tristeza promovida pela tentação e tão intensa que pode desembocar numa depressão profunda, como no caso de Judas Iscariotes, que cometeu suicídio, mas, em contra partida, essa tristeza não pode ser comparada a alegria e a exultação espiritual que nos advém quando resistirmos a tentação, Tiago 1.2-3, 1 Pedro 1.6-7, 1 Pedro 4.12-13 e Tiago 1.12.
Podemos usar a tristeza provocada pela tentação de maneira positiva, glorificando e louvando a Deus por participarmos dos sofrimentos de Cristo.

Para Concluir:
“e não nos deixeis cair em tentação; mas livra-nos do mal” (Mateus 6.13).

Essa é uma oração feita pelo homem que confia no socorro e cuidado de Deus. Deus nos conhece bem, conhece as nossas fraquezas e limitações; e Satanás não age fora da esfera da permissão de Deus. Por isso, a tentação nunca é superior ao suprimento divino, I Co 10.13.
Quando fazemos esta oração estamos buscando o nosso socorro naquele que foi tentado e a venceu, Hb 2.18.
O socorro amparador de Deus deve ser um estimulo à nossa resistência na fé, a permanecermos firmes diante das variadas tentações que visam a nos afastar de Deus e da sua palavra. Portanto, devemos estar atentos às nossas falhas, olhando com misericórdia aqueles que caírem, procurando, com toda humildade, extrair lições para a nossa vida, a fim de não cometermos o mesmo erro[8], Gl 6.1; II Co 13.5.
Quando, pela misericórdia de Deus, resistimos à tentação, somos aprovados por Deus com uma recompensa eterna, Tg 1.12; I Pe 1.6-7; 4.12-14.


[1] STOTT, John. A Mensagem do Sermão do Monte. São Paulo: ABU-Editora. 1993, p. 155.
[2] COSTA, Herminsten Maia Pereira da. O Pai Nosso. Editora Cristã, 2001, p. 62
[3] SPURGEON, C. H. in: Bruce H. Wilkinson, Vitoria sobre a Tentação, 2ª Ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1999, p. 182.
[4] HENDRIKSEN, Willian. Mateus – Comentário do Novo Testamento, Vol I: Cultura Cristã, 2010 2ª Ed. p. 416.
[5] CALVINO, João. O Livro de Salmos, São Paulo, Edições Parakletos, Vol 2, p. 333-334.
[6] COSTA, Herminsten Maia Pereira da. O Pai Nosso. Editora Cristã, 2001, p. 73
[7] LLOYD-JONES, Martyn. O Clamor de um desviado: Estudos sobre o Salmo 51. São Paulo: PES. 1997, p. 16.
[8] COSTA, Herminsten Maia Pereira da. O Pai Nosso. Editora Cristã, 2001, p. 78

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