domingo, 28 de abril de 2013

ESTUDO Nº 22 - O PAI NOSSO: AS PRIORIDADES E INTERESSES DE DEUS (MT 6.9-13)


INTRODUÇÃO

            Agora chegamos a uma parte que nos mostra como deve ser a nossa oração. Por muito tempo alguns erraram em pensar que estas palavras podiam ser repetidas e isso lhes traria algumas dádivas especiais. Exatamente caindo no erro condenado em 5.7. Pois, esta oração é na realidade um modelo de como o crente deve orar.
            É, portanto, por esta razão que daremos o seguinte título: “O Pai nosso, modelo da prece do piedoso”. Justifico o título levando em consideração que não sabemos orar como convém (Rm. 8.26), por isso além do Senhor nos conceder o Santo Espírito, nos deixou este exemplo, a oração do Senhor como parâmetro para todas as demais petições.

            Este modelo de oração em si, pode ser dividida em duas partes:

1. Prioridades aos interesses de Deus, v. 9-10
            Trata-se dos pedidos referentes à pessoa de Deus. Veja os pronomes usados com os motivos dessa parte: teu nome, teu reino, tua vontade. Portanto, a oração do cristão busca prioritariamente os interesses de Deus.

            2. As necessidades do homem piedoso, v. 11-13
            Esta parte trata das necessidades do cristão. Note mais uma vez os pronomes utilizados com os motivos: pão nosso, nossas dívidas, não nos deixeis cair em tentação, livra-nos do mal.

            Nesta primeira parte desta lição, iremos estudar sobre as “prioridades e interesses de Deus” em nossa oração, agindo com reverência e submissão.
                       
1. PAI NOSSO – UM MODELO DE REVERÊNCIA EM ORAÇÃO, V. 9

            “Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome”, v. 9

            Três aspectos aqui são enfatizados que é de suma importância para nós:
           
            a) Glorificando a Deus
            É importante atentar para este fato, pois o Senhor Jesus ensina os seus discípulos a iniciar a oração com a meditação da glória de Deus. Aparentemente simples, na prática, nos parece uma dura e disciplinadora lição. Procuramos Deus nos limites de nossas forças, confessando de forma contundente a nossa limitação; no entanto, Jesus Cristo nos desafia a esquecer as nossas questões, os nossos problemas e a conduzir os nossos olhos para a glória de Deus.
            Lloyd-Jones escreveu: “antes de começarmos a pensar em nós mesmos e em nossas próprias necessidades, antes de nossa preocupação com o próximo, devemos começar nossas orações por esse grande interesse acerca do Senhor Deus, de sua honra, de sua glória”.[1]
            Jesus nos mostra que por mais sérios e graves que sejam os nosso problemas e preocupações, Deus deve ter a primazia, Mt 6.33.

            b) Reverenciando Deus
            Quando oramos estamos falando com o nosso Pai. Todavia, devemos ter em mente também que Deus é um Pai Santo, que deve ser reverenciado e adorado, Jo 17.11; Sl 111.10; Hb 12.28-29.
            Barclay escreveu: “Este Deus, a quem chamamos Pai, é o Deus de quem devemos nos aproximar com reverencia e adoração, com temor e maravilha. Deus é nosso Pai que está nos céus, e nele se combinam o amor e a santidade”[2]
            Algumas pessoas, com uma idéia equivocada de “intimidade com Deus”, pensam que podem se aproximar dele de qualquer maneira. Ao contrário disso, a Palavra de Deus nos ensina que a nossa proximidade de Deus, nos conduz a perfeita dimensão da sua gloriosa santidade e que, portanto, devemos nos aproximar dele em adoração, Sl 25.14.

            c) Santificando o nome de Deus
            Jesus, o Deus encarnado, nos ensina a começar a nossa oração reconhecendo quem é Deus, proclamando a sua gloriosa Santidade – Santificado seja o teu nome: Mt 5.9; Is 29.23; Ez 36.23.
            Declarar a Santidade de Deus significa proclamar que o seu ser, a sua palavra e as suas obras são santos. Quando oramos, somos convidados a meditar naquilo que Deus é e tem feito; Ao dizermos: “santificado seja o teu nome”, estamos convidando a todos os homens a reverenciarem a Deus, reconhecendo sua santidade,Sl 34.3; Sl 66.1-2.
            O Catecismo de Heidelberg (1563), à questão 122 – “Qual e a primeira petição?” – responde:
            "Santificado seja o teu nome". Quer dizer: Faze primeiro, com que Te conheçamos em verdade (1) e Te santifiquemos, honremos e glorifiquemos em todas as tuas obras, em que brilham tua onipotência, sabedoria, bondade, justiça, misericórdia e verdade. Faze, também, com que dirijamos toda a nossa vida -nossos pensamentos, palavras e obras - de tal maneira que teu nome não seja blasfemado por nossa causa, mas honrado e glorificado”.[3]

2. PAI NOSSO – UM MODELO DE SUBMISSÃO EM ORAÇÃO, V. 10

            “Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu”, v. 10

            Dois aspectos aqui são enfatizados que é de suma importância para nós:

1. Venha o teu reino, v. 10
            “Venha o teu reino” fala diretamente da soberania de Deus. Dietrich Bonhoeffer, escreveu: “Em Jesus Cristo os discípulos experimentaram a vinda do reino de Deus à terra. Aqui Satanás está vencido, quebrado está o poder do mundo, do pecado e da morte. O reino de Deus ainda sofre e luta. A pequena comunidade dos eleitos tem parte nesta luta. A pequena comunidade dos eleitos tem parte nesta luta. Estão sob o reino de Deus em nova justiça , mas em meio a perseguição”.[4]
           
            O reino de Deus tem dois aspectos: presente e futuro. - No presente, se manifesta onde quer que Deus seja adorado, e seguido pelos corações onde Ele reina; No futuro, o reino virá de modo completo e visível ao mundo quando Deus vencer o último inimigo, a morte.
            A vinda do reino é o resultado lógico do cumprimento da vontade de Deus.
            Quando a comunidade de fé ora “venha o teu reino”, ela está pedindo pela consumação escatológica. Nosso desejo é que Deus estabeleça plenamente seu reino de poder e glória. Isso se dará na segunda vinda de Jesus, Mt 24.30-31; Ap 11.5-7; Ap 22.20.

            2. Faça-se a Tua vontade, v, 10
            A oração não é uma tentativa de mudar a vontade de Deus, mas sim a manifestação sincera do nosso desejo de submeter-lhe os nossos projetos, aspirações, sonhos e necessidades.
            Erickson, escreveu: “Orar não é bem conseguir que Deus faça a nossa vontade, mas demonstrar que estamos interessados tanto quanto ele na concretização da sua vontade”[5]
            Quando pedimos a Deus que faça a sua vontade, isso faz com que a oração seja feita com amor e confiança, certos de que a vontade de Deus é sempre a melhor, de que ela sempre é boa, agradável e perfeita, Rm 12.2; Sl 40.8; Ef 6.6.
            Ao orarmos sinceramente, conforme nos ensinam as Escrituras, estamos submetendo a nossa vontade a Deus; isto significa que não pretendemos ensinar a Deus, nem mudar a sua vontade (não determinar); antes, nos colocamos diante dele dizendo: Eu creio que a tua vontade é a melhor para a minha vida, cumpre em mim todo o teu propósito.
            “A oração do Senhor nos ensina a pedir a Deus que realize a sua vontade aqui na terra como é feita no céu. Oramos para que a vida na terra se aproxime o máximo possível à vida do céu, onde os anjos cumprem perfeitamente a vontade de Deus”, Sl 103.21.[6]

            Para Concluir
            Com REVERÊNCIA E SUBMISSÃO - Orar é entregar confiantemente o nosso futuro a Deus a fim de que ele concretize sua eterna e santa vontade em nós. A oração revela o nosso desejo de que a vontade de Deus se realize.


[1] LLOYD-JONES, Martyn. Estudos no Sermão do Monte. São José dos Campos: Fiel. 1999, p. 344.
[2] BARCLAY, William. Comentário Bíblico de Mateus. Texto em PDF, 1985. p.217
[3]  Confissão Belga e Catecismo de Heidelberg - Padrões doutrinários da igreja reformada. São Paulo: Editora Cultura Cristã. 1999. p. 59
[4] BONHOEFFER, Dietrich. Discipulado. São Leopoldo: Editora Sinodal, 2004, p. 89
[5] ERICKSON, Millard J. Introdução à Teologia Sistemática, São Paulo: Vida Nova, 1997, p. 179
[6] COSTA, Herminsten Maia Pereira da. O Pai Nosso. Editora Cristã, 2001, p. 32



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