quinta-feira, 25 de abril de 2013

ESTUDO Nº 20 - OS ATOS DEVOCIONAIS DO REINO DE DEUS – A ORAÇÃO (MT 6.5-8)


INTRODUÇÃO

“Esmolas, oração e jejum”, essa trilogia fazia parte da prática dos judeus dos tempos de Jesus e dos primeiros cristãos (Mt 6.1-18). Todos os judeus devotos oravam três (manhã, ao meio-dia e às três da tarde) vezes ao dia: 
a) Daniel, Dn 6.10; 
b) Salmista, Sl 55.17 

Jesus ensina que seus discípulos não devem abandonar essas práticas, mas que ajam corretamente. Na última lição (nº 19) estudamos sobre a esmola.
Hoje, continuamos neste mesmo aspecto e consideraremos agora o ato mais religioso que um homem pode realizar - a oração. "A oração é a conversa da alma com Deus. Um homem sem oração é necessária e totalmente irreligioso. Não pode haver vida sem atividade. Assim como o corpo está morto quando cessa sua atividade, assim a alma que não se dirige em suas orações a Deus, que vive como se não houvesse Deus, está espiritualmente morta" [1]

Jesus deu total importância a oração, Hb 5.7.

Certamente que, para Jesus, a oração não somente proporcionava o beneficio emocional, mas produzia efeito concreto em sua vida e na vida dos outros. Deus o atendia, respondendo de fato, às suas orações.

Portanto, o Senhor nos lembra que não pode existir religiosidade sem este aspecto da vida cristã. Um crente que não ora, não pode vislumbrar outras facetas da fé. E se quisermos aplicá-lo completamente a nossa vida precisamos saber a maneira correta de orar. Diante disso, vejamos dois aspectos importantes da oração:


1. UMA ORAÇÃO DIFERENTE DA DOS HIPÓCRITAS, V. 5. 

O que Jesus diz sobre os hipócritas parece ótimo à primeira vista: “porque gostam de orar...”
“Mas infelizmente não é da oração que eles gostam, nem do Deus a quem supostamente estão orando. Não, eles gostam de si mesmos e da oportunidade que a oração pública lhes dá de se exibirem”.[2] 

Jesus condena aqui a postura dos fariseus (Oravam em pé nas Sinagogas e Praças para serem vistos pelos homens) e desmascara a futilidade do uso publicitário da oração para o prestígio pessoal.

Esta, na realidade é uma prática ainda hoje praticada pelos judeus, que fazem orações na frente de todos naquilo que sobrou do muro do templo em Jerusalém. Logo, ficou enraizada na cultura desse povo.

“Jesus não estava condenando a oração pública, nem a oração individual feita em lugar público. Jesus recriminava as orações privadas (mais intimas) feitas em lugares públicos, as quais tinham motivações não dignas, pois objetivavam ter uma plateia para que pudesse ouvi-las e aplaudir aqueles ‘consagrados homens’”.[3]

Seu objetivo era a exibição, marca característica de alguém hipócrita. Se era o reconhecimento o que buscavam já tiveram a recompensa e essa não veio de Deus. 


2. UMA ORAÇÃO DIFERENTE DA DOS GENTIOS, V. 7 

O termo traduzido por gentio demonstra que estes são estrangeiros, desconhecedores da adoração a Deus. 

Os gentios têm seus “vícios” na oração. Não é igual a dos fariseus, mas igualmente deficientes. Esta é repleta de insistência e formas mântricas de religião (vãs repetições).

A força do texto não está no termo “repetições”. Se assim fosse, ficaria sem sentido fazer nossos pedidos repetidas vezes. O próprio Senhor Jesus repetiu suas orações (Mt 26.44).

A força da ênfase está em “vãs”. A lógica gentílica entende que quanto mais repetir a oração, mas força ela terá (serão ouvidos).

A oração deixa de ser algo natural e passa a ser algo mágico e as repetições são o segredo de sua eficácia.

Exemplo:
- Os profetas de Baal, I Rs 18.26 
- Os discípulos da Deusa Diana, At 19.34. 
- Outros com suas repetições do “Pai Nosso, ave Maria e santa Maria” 

3. ATITUDE E MOTIVAÇÃO DO CRISTÃO NA PRÁTICA DA ORAÇÃO, V. 6,8 

a) Discrição (v.6)
A atitude do cristão na oração deve ser a da discrição. Enquanto os hipócritas procuram lugares públicos para orar, o cristão entra em seu quarto, fecha a porta e ora ao Pai que está em secreto. O cristão busca ser visto por Deus e não pelos homens. Sua espiritualidade, no que concerne à oração, é assunto entre ele e Deus. É claro que existirão momentos de revelar a piedade, como acontece na igreja, diante dos irmãos, mas aqui a ênfase recai sobre a vida cotidiana do crente em sua piedade natural com o Senhor frente a todos os momentos da vida. 

b) Dirigida ao Pai (v.6) 
Neste Sermão do Monte, o Senhor Jesus chama Deus “Pai” 17 vezes.  Em nossas orações devemos aprender logo de inicio que estamos falando como o nosso Pai Eterno, Rm 8.15-16.  A oração tem sempre uma conotação de submissão confiante. Portanto, orar ao Pai significa sintonizar a nossa vontade com a dele; sabendo que Ele é Santo e a sua vontade também o é.  “O Pai está sempre à disposição de seus filhos e nunca está preocupado demais que não possa ouvir o que eles têm a dizer. Esta é a base da oração cristã”.[4] 

b) Objetivas (v.8) 
O cristão deve evitar o automatismo das “vãs repetições”. Biblicamente aprendemos que a “finalidade da oração é expressar a Deus nosso reconhecimento de que ele sabe o de que temos necessidade”.[5]

Não precisamos ficar com repetições gaguejantes e intermináveis, porque Deus sabe do que necessitamos, Fp 4.5-7; I Pe 5.6-7. “Conquanto o Pai já conheça as necessidades dos seus filhos, quer que estes demonstrem sua confiança e dependência orando a Ele”.[6]

CONCLUSÃO 

Aqui fica clara a distinção imposta pelo Senhor no que concerne a oração. Ela é um ato singular de adoração genuína. Os pagãos não conseguem realizar tal ato, visto que não O conhecem, não são íntimos e não conseguem orar corretamente. Apenas aqueles que mantêm uma relação filial com Deus atingem esse ideal. Se esta é a sua situação, lembre-se de tão grande graça. Louve ao Senhor por este privilégio e ao orar, descanse em paz e em confiança diante de seu Pai celestial.

“A oração produz resultados psicológicos (paz de espírito, tranquilidade), espirituais (maior sentido de vida) e concretos (atendimento real do pedido feito)”.[7]





[1] HODGE, Charles. Teologia Sistemática.  São Paulo: Hagnos, 2003. p. 1511.
[2] STOTT, John. A Mensagem do Sermão do Monte. São Paulo: ABU-Editora. 1993, p. 135.
[3] COSTA, Herminsten M. Pereira. O Pai Nosso. São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p. 23.
[4] PACKER, J. I. O Conhecimento de Deus. São Paulo: Mundo Cristão, 1980. p. 194.
[5] PINK, A. W. Deus é Soberano. São Paulo: Editora Fiel, 1977. p. 128
[6] TASKER, R. G. V. Mateus: Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova, 1980. p.59
[7] CÉSAR, Elben. Práticas Devocionais. Viçosa: Ultimato Editora, 2000. p. 20-21.

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