sexta-feira, 11 de maio de 2012

ESTUDO Nº 16 - A PALAVRA DE HONRA DO CIDADÃO DO REINO DE DEUS - (MT 5.33-37)


INTRODUÇÃO

Temos neste estudo um problema muito atual. Muitos de vocês já devem ter escutado alguma pessoa idosa falar sobre a importância da sua palavra. “Eu dei minha palavra para fulano que faria tal coisa, portanto vou cumpri-la” ou, por exemplo: “O Sr. Fulano é uma pessoa de palavra”. Contudo, hoje, ninguém mais se atreve a realizar um acordo sem ter, de por meio, um contrato por escrito.

Até aqui. temos visto que o Senhor criticou três erros de interpretação dos mestres da lei: a questão do homicídio, o adultério e o divórcio. Vamos agora considerar o quarto erro que o Senhor destaca: Os juramentos.

O que é um Juramento ou votos?

a) O Juramento, quando lícito, é uma parte do culto religioso pelo qual o crente, em ocasiões necessárias e com toda a solenidade, chama a Deus por testemunha do que assevera ou promete; pelo juramento ele invoca a Deus para julgá-lo segundo a verdade ou falsidade do que jura.[1]

b) O voto é da mesma natureza que o juramento promissório; deve ser feito com o mesmo cuidado religioso e cumprindo com igual fidelidade.[2]

Jesus não condenou os juramentos na vida do cristão e propôs um padrão mais elevado, que é a credibilidade em tudo o que falamos e não apenas no que juramos. “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus” (Mateus 5.20).

1. os juramentos e o ensino antigo, v. 33

Os juramentos em si mesmo não eram maus. Inclusive, eles estavam regulamentados na lei de Moisés (Dt 23.21-23). Além disso, podemos ver vários exemplos de homens santos de Deus que juraram e isto não foi considerado como um ato pecaminoso. 

A principal preocupação, quando se tratava de juramentos, era a de não quebrar o terceiro mandamento: “Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão” (Êxodo 20.7). A questão toda do juramento estava ligada com a honra do nome de Deus (Dt 6.13).

Os usos de juramentos eram feitos na confirmação de pactos (Gn 26.28), em decisões nos tribunais (Ex 22.10-11), na obrigação de se realizar os deveres sagrados (Nm 30.22) e em muitas outras circunstâncias.

Os juramentos muitas vezes eram precipitados. A Bíblia mostra vários exemplos de pessoas que se precipitaram em seus juramentos, como Esaú (Gn 25.33). Josué (Js 9.15-16), Jefté (Jz 11.30-36), Saul (I Sm 14.27,44).

Os juramentos exigiam o cumprimento. Ninguém era obrigado a jurar ou fazer votos, mas se obrigava a cumprir quando os fazia (Dt 23.21-23). Usar nos juramentos expressões como “juro pelo Senhor” (2 Sm 19.7), “Tão certo como vive Deus” (2 Sm 2.27), e depois deixar de cumprir o voto, era questionar a realidade da própria existência de Deus.[3]
           
2. os juramentos e o ensino de jesus, V. 34-36

Existem denominações e seitas cristãs que não realizam nenhum tipo de voto para não quebrantar este ensinamento. Eles se recusam a fazer juramentos patrióticos por causa deste texto (TJ).

O Senhor está enfatizando que as simples palavras dos seus discípulos devem ser verdadeiras, sem a necessidade de juramentos para validar a palavra. Não é o juramento o problema, o problema é a falta de compromisso e verdade nas palavras proferidas sem juramento.

Então, o que podemos aprender com o ensinamento de Jesus? Vejamos os seguintes pontos:

a) O Senhor está mostrando como os juramentos levam a usar o nome de Deus em vão (v. 34)
Os juramentos feitos apressadamente, sem reflexão, podem fazer com que zombemos de Deus. É melhor sermos corretos e comprometidos com o que falamos do que fazermos pactos e votos que depois não teremos certeza de cumprir, usando assim o nome do Senhor em vão (Ec 5.4-5; Tg 5.12).

b) O Senhor Jesus está mostrando que não existem níveis diferentes de juramentos, todos eles tem que ser cumpridos (v. 35-36).
Os fariseus e escribas consideravam, por exemplo, o juramento pelo templo pouco importante, mas pelo ouro do templo muito importante (Mt 23.16-22).

Diante de Deus pouco importa se juramos pela nossa mãe, pelos nossos filhos ou se simplesmente nos comprometemos a fazer algo sem ter dito: “eu te juro”.

c) O Senhor Jesus está ensinando que os juramentos apressados desconsideram a soberania de Deus sobre a nossa vida (v. 36).
Isto significa que somos incapazes de mudar alguma coisa em base a nossos juramentos. Muitas vezes juramos apressadamente sem considerar que o futuro não está em nossas mãos. Aquele que é ciente que o futuro está nas mãos de Deus pensará duas vezes antes de prometer algo que talvez não o consiga cumprir (Tg 4.13-15).[4]

d) O Senhor Jesus está colocando nossas palavras no nível de promessas e juramentos (v. 37).
O que o Senhor está dizendo neste texto é que devemos ser diretos, sinceros e comprometidos. Quando o crente diz “sim”, ele está se comprometendo. Uma pessoa que tem temor do Senhor não precisa jurar e prometer, pois ela sabe que o que ela disse fará, ela já tem um compromisso diante do Senhor. O crente deve ser uma pessoa de palavra, é isso o que o Senhor está ensinando aqui. Não devemos prometer o tempo todo, mas devemos ser comprometidos sempre.[5]

3. os juramentos e o cidadão do reino de deus, V. 37

O que Jesus nos pede nesse versículo é que a nossa palavra seja sincera e normal, pois todo e qualquer exagero já constitui uma mentira. Devemos falar sempre como quem vive na presença de Deus. Uma das características do cidadão dos céus, segundo o salmista, é que ele encara com seriedade os seus compromissos, e em fazer valer a palavra empenhada, mesmo que isso lho ocorra prejuízo: “Aquele que, mesmo que jure com dano seu, não muda”  (Sl 15.4b).

Quando prometemos servir a Cristo durante todos os dias de nossa vida devemos assumir nossa responsabilidade com zelo.

Um exemplo: marca-se um horário para haver uma reunião, um encontro. A pessoa aparece muito atrasada, ou não comparece e não apresenta justificativa. Isso tem três implicações
a) Significa uma tremenda falta de consideração para com o próximo.
b) Significa que, pouco a pouco, aquela pessoa vai perdendo o seu grau de confiabilidade.
c) Estamos ensinando, com o nosso exemplo, a outros a não serem pontuais e dignos de palavra.

Portanto não há necessidade de fazermos juramentos para confirmar a credibilidade de nossas palavras, pois temos consciência de que o pai da mentira é o diabo (Jo 8.44). Um exemplo de cidadão do Reino de Deus é a sua autenticidade, Sl 15.1-4

Para Concluir:

Se considerarmos que a nossas palavras devem ser “Sim, sim; não, não”, acho que chegaremos à conclusão que devemos viver como pessoas sábias (Pv. 17.27; 29.20; Ec 5.7).

Nas muitas palavras nunca falta o pecado. Facilmente prometemos, juramos e exageramos por falarmos demais. Talvez seja bom cuidarmos mais nossa língua e os excessos nas conversas, de maneira que nos identifiquemos com o que escreveu Tiago: “Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo” (Tg 3.2).

Portanto, no sermão do monte Jesus nos ensina que a qualidade de vida do cristão deve exceder em muito a dos religiosos fariseus. Essa diferença entre outras coisas, se manifesta naquilo que falamos, mostrando assim que a mudança é de dentro para fora. Ele mesmo disse: “a boca fala do que está cheio o coração” (Mt 12.34).

“Cuide as suas palavras, pois delas você terá que prestar contas diante do Senhor” (Mt 12.36-37)[6]


[1] Confissão de Fé de Westminster, cap. 22, item I, p. 119. Cultura Cristã.
[2] __________________________, cap. 22, item V, p. 121. Cultura Cristã.
[3] COUTO, Geremias. A Transparência da vida cristã, CPAD: p. 211.
[4] QUEIROZ, Carlos. Ser é o Bastante. Ultimato: 2003, p. 139.
[5] BONHOEFFER, Dietrich. Discipulado. Sinodal: 1984, p. 55.
[6] FRANK, Alejandro G. Os juramentos e as palavras do crente. Disponível in: www.base-biblica.blogspot.com

Nenhum comentário: