sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

ESTUDO Nº 15 - A PUREZA DO CIDADÃO DO REINO DE DEUS (Mateus 5.27-32)


INTRODUÇÃO 

O ser humano não foi criado para viver em meio às impurezas, que tantos prejuízos ocasionam. As impurezas na área sexual tem se tornado algo danoso para os seres humanos. Pois na área sexual é onde o diabo tem intensificado mais a sua ação, visando principalmente a destruição da família. O adultério ou a infidelidade conjugal tem se tornado uma prática comum em nossa sociedade, sendo até incentivada pelos meios de comunicação. Muitos lares têm sido destruídos pelo adultério, trazendo sofrimento para os cônjuges e principalmente para os filhos.

Nesta parte do Sermão, o Sr. Jesus se refere ao 6º mandamento que proíbe o adultério, explicado à luz do 10º mandamento (Ex 20.14; Dt 5.18). A interpretação que Jesus dá aqui, vai muito mais além do contato físico (Mt 5.28). Portanto, Jesus nos ensina que um olhar lascivo é uma forma de adultério. O desejo intencional é igualmente pecaminoso aos olhos de Deus. Daí é possível praticar adultério nos corações e mentes, sendo este princípio uma interiorização da Lei.[1]

O Senhor não está tratando aqui da mera passagem momentânea de um desejo pela mente, mas a concentração com o propósito de cobiçar. O pecado de Davi não estava em ver Bateseba despida, mas em olhar para ela, pondo em mente e, finalmente, na sua desenfreada concupiscência (2 Sm 11.2-5).

Driver escreveu: “O versículo 28 não se refere a uma olhada rápida de admiração, mas a olhada da cobiça. Como no caso de homicídio, torna-se como de partida da ofensa o intento essencial. E neste caso, fitar com desejo lascivo e cobiçoso é algo tão culposo como o próprio adultério”.[2]

É preciso que se cuide dos olhos para se corrigir esta prática impura, pois Jesus considera que os maus desejos do coração já são adultério, assim como considera que o ódio do coração é homicídio.

1. ADULTÉRIO – TERMOS E SIGNIFICADOS. 

O que é adultério? O adultério compreende três ações sexuais ilícitas: adultério, fornicação e prostituição. Estes não são rigorosamente idênticos, embora todos os delitos por eles expressos estão sob juízo e condenação do sétimo mandamento. Vamos separar conforme seus respectivos significados: 

a) Adultério (moicheia) - Relação sexual ilícita entre duas pessoas casadas ou entre uma casada e outra solteira. Este pecado destrói e fere a ordenação divina de união indissolúvel entre marido e mulher.

b) Fornicação (pornéia) - Prática sexual de pessoas solteiras ou viúvas antes e fora do casamento. O sexo pré-matrimonial, especialmente entre adolescentes, passou a ser procedimento com nos tempos modernos. Cabe a Igreja instruir a juventude sobre esse ato pecaminoso.

c) Prostituição (sagrada e venal) - A Prostituição sagrada, era praticada nos tempos neo-testamentários por sacerdotes e sacerdotisas dos cultos pagãos. Acreditava-se que o ato praticado no altar dos deuses promovia a fecundação de todos os seres da natureza. Prostituição venal é a comercialização do sexo e do corpo, transformação dos prazeres sexuais em objetos de consumo (filmes, revistas e outros atos), onde a concupiscências e lascívia e a despudorada pornografia degradam a sociedade (profissionais do sexo e o tal do nu artístico).

A bíblia diz: “Esta é a vontade de Deus, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição” (I Ts 4.3).

2. VENCENDO O ADULTÉRIO A PARTIR DE UM CORAÇÃO PURO, V. 28 

Jesus ao interiorizar a lei declara: “... qualquer que olhar para mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela”. Mais uma vez Jesus está falando de caminhos de sentimento – da fonte de onde podem brotar as coisas boas ou más. Ele não está falando apenas de atos praticados, mas da necessidade que todo ser humano tem de ser transformado interiormente (Mt 15.19-20).

O “coração” no pensamento hebraico não se refere ao interior, ou ao espiritual no homem; ele é, antes, a sede de sua vontade, de suas intenções, que se traduzem em atos. Jesus nos diz que o problema da humanidade não reside nas emoções, nem tampouco nos sentimentos interiores (ou seja, o coração no sentido moderno), mas na vontade (no coração de acordo com o sentido hebraico).

Portanto, a partir de um coração puro é que o cidadão do Reino de Deus poderá manter um alto grau de pureza, pois do coração procedem às fontes da vida e por isso ele deve ser guardado (Pv 4.23; Sl 119.11; Mt 5.8).

É importante ressaltar que o que é dito ao homem casado, também se aplica a mulher casada. A infidelidade no vinculo matrimonial é sempre ruim. Isso significa que qualquer tendência que suscite tal infidelidade – por exemplo, a intenção de romper um matrimônio para ficar com outra – é igualmente um pecado contra o 7º mandamento.[3]

Diante disso, há um grande desafio para se guardar puro o coração. Quando o Senhor ocupa o trono em nossos corações é sinal de que uma vida pura será percebida de muito real. Aqueles que não possuem um coração puro devem orar como o salmista – “Cria em mim, ó Deus, um coração puro...” (Sl 51.10).

3. VENCENDO O ADULTÉRIO COM ATITUDES RADICAIS, V. 29-30 

Jesus não está ensinando uma doutrina masoquista de automutilação com objetivos espirituais, e tampouco está sugerindo que o caminho para resolver o problema dos maus desejos é infligir cirurgia física radical. É preciso perder algo muito precioso para se ganhar outro mais precioso ainda, que é a aprovação e a benção de Deus. A idéia do texto é a renúncia absoluta e até sacrificial: “arranca-o e lança-o de ti; corta-a e lança-a de ti” (v. 29-30).

a) Se o teu olho direito te faz tropeçar... (v. 29; 18.8,9) – o olhar lascivo é cometer adultério no coração e a única maneira de tratar do problema é na raiz – nos olhos. Jó, foi um homem autodisciplinado nesta área (Jó 31.1,7,9). Diferentemente de Jó, os falsos profetas são descritos como tendo “olhos cheios de adultério...” (II Pe 2.14)

O olhar é uma fonte inspiradora para o bem ou para o mal (Mt 6.22-23). Stott escreveu: “Se o seu olho te faz pecar, então arranque os seus olhos. Isto é, não olhe! Comporte-se como se você realmente tivesse arrancado seus olhos e jogado fora” [4]

b) Se a tua mão direita te faz tropeçar... (v.30) – a mão direita e mencionada porque corresponde ao lugar de honra e de importância. Isso significa refrear-se de certas liberdades por amor a Cristo: queimar o livro obsceno, condenar a novela destruidora do caráter cristão, o controle da internet, eliminar a conversação inconveniente, enfim, pensamentos impuros e tudo aquilo que não contribui para edificação (Fp 4.8).

Privar-se não é o suficiente para que o discípulo elimine a fonte do desejo, mas é possível eliminar o instrumento da ação pecaminosa (Rm 8.13). O contrário de oferecer os nossos corpos ao pecado (Rm 6.13) é oferecê-los ao Senhor como culto racional (Rm 12.1).

c) não seja teu corpo lançado... (v.30,31) – uma vida de impureza acarreta sobre si conseqüências, inclusive de proporções eternas.

Stott escreveu: “é melhor perder algumas das experiências que esta vida oferece, a fim de entrar na vida que é vida realmente; é melhor aceitar alguma amputação cultural, social ou moderna, do que arriscar-se à destruição no outro. A eternidade é mais importante que o tempo, a pureza mais do que a cultura, e que qualquer sacrifício é válido nesta vida se for necessário para assegurar a entrada da outra”.[5]

Para Concluir: 

Estamos sendo intimados a, não somente, remover o ato pecaminoso (impureza física ou impureza do coração), mas quaisquer circunstâncias ou relacionamentos que poderiam facilmente levar a isso. O apóstolo Paulo afirma que os impuros sexuais são incapazes de herdar o Reino de Deus (I Co 6.9-10).



[1] MOUNCE, Robert. Mateus: Novo Comentário Bíblico Contemporâneo, Vida: 1996, 57.
[2] DRIVER, John. Ouça Jesus – Comentário sobre o Sermão do Monte, Cristã Unida: 1995, 64.
[3] HENDRIKSEN, Willian. Mateus – Comentário do Novo Testamento, Vol I: Cultura Cristã, 2010 2ª Ed. p. 373
[4]STOTT, Jonh. Contracultura Cristã. São Paulo: ABU Editora, 1982. p. 84.
[5] ___________.  Contracultura Cristã. São Paulo: ABU Editora, 1982. p. 86.

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