quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

ESTUDO Nº 11 - SAL – A IMPORTÂNCIA DO TESTEMUNHO CRISTÃO – PARTE I (Mateus 5.13)


INTRODUÇÃO
Nas bem-aventuranças nós aprendemos sobre as características que o cristão deve possuir como prova da sua nova vida. A partir deste estudo nós iremos estudar sobre a influência que o cristão deve exercer no mundo e o modo de como manifestar a sua nova natureza. 

Qual é a influência que o cristão deve exercer num mundo tão cheio de maldade, de corrupção e de violência? Qual deve ser, a relação entre o povo de Deus e o mundo?  Estamos no mundo, mas não somos do mundo (Jo 17.14-16). Para definir a natureza desta influência e orientar os discípulos quanto ao seu testemunho neste mundo, Jesus usa duas figuras comuns do lar – sal e luz. Qual é o lar, por mais pobre que seja, que não usa tanto o sal como a luz? Sal e luz são itens indispensáveis em qualquer lugar.

Neste estudo iremos nos deter sobre o significado, função e eficácia do sal e ao mesmo tempo fazendo a aplicação do termo usado pelo Senhor Jesus à vida do cristão – “Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens”, Mt 5.13. 

I. SAL – SUA FUNÇÃO
O sal tem, pelo menos, três funções: 

1. O sal é tempero – produz sabor. - Esta é a função mais conhecida. Qualquer que seja a comida, sem sal, ela perde suas qualidades, Jó 6.6. 

(a) O sal possui um sabor único – o sal é impossível de ser recriado em laboratório. Isso quer dizer que o verdadeiro crente tem “sabor” de crente verdadeiro e não pode ser imitado. Alguns podem até fazer-se de crente; mas nunca terá o sabor de crente, Mt 7.17-18. 

(b) O sabor do sal é impossível de ser ignorado – Se você experimentar um alimento identifica imediatamente se ele tem sal ou não. Jesus quer que isso aconteça com seus discípulos. O cristão deve ser tão diferente dos outros homens como o sal no prato difere do alimento em que é colocado. Assim como o sal não pode deixar de ser notado, nossa maneira de viver deve ser vista pelos homens, deve ser notada, deve fazer diferença, II Co 3.2. 

2. O sal é preservador – evita a putrefação.
No mundo antigo o sal era o preservador mais comum. Antes da geladeira, o sal era usado para preservar e aumentar o tempo de conservação dos alimentos evitando assim o apodrecimento. O crente também precisa demonstrar um tipo de comportamento que impeça a putrefação do mundo. Portanto, nunca devemos compartilhar das obras podres do mundo, Rm 12.2; Ef 5.11. 

3. O sal é purificador - Os romanos diziam que o sal era a coisa mais pura de todas as coisas, porque veio das coisas mais puras, o sol e o mar. Se o crente vai ser o “sal da terra”, tem de ser um exemplo de pureza. Os discípulos são chamados a serem purificadores em um mundo cujos padrões morais são baixos. 

Somos chamados para apresentar um padrão de vida superior:

(a) Nas palavras – o crente precisa ser um exemplo no modo como fala, evitando piadas sujas e palavreados que não edificam, Cl 4.6; Cl 3.8;

(b) Nas atitudes – devemos evitar atitudes que comprometa a nossa fé, I Ts 5.22.

Em sua oração sacerdotal o Senhor Jesus afirmou... Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal. (Jo 17.15). 
Como o sal não pode permanecer no saleiro, e sim, na panela, o crente continua no mundo, mas não é do mundo, e assim tem que manter sua pureza e sabor, Tg 1.27. 

II. SAL – SUA EFICÁCIA CONDICIONAL 
Havia uma região da Palestina, nos tempos de Jesus, chamada Colinas de Sal. Era formada por sal de rochas, não de mar. Este era um sal completamente inútil pois era misturado com outras substâncias e não tinha nenhuma serventia. 

No Comentário Bíblico Broadman, lemos que: “O sal puro, como conhecemos hoje, não perde o seu sabor; mas o sal tirado do Mar Morto, nos tempos de Jesus, era uma mistura de sal e outras matérias. Exposto ao tempo o sal podia perder suas propriedades tornando-se algo que apenas tinha aparência de sal. Assim, o sal comercial podia ser adulterado, tendo a mistura enfraquecida pouco ou nenhum sabor”.[1]

Portanto, podemos afirmar que a eficácia do sal é condicional. Para continuar a ser útil, o sal tem de conservar a sua salinidade. Já vimos acima que o sal não pode perder sua qualidade de salinidade, mas o Senhor Jesus fez a seguinte afirmação: “ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor?”. 

Jesus está alertando seus discípulos de que o sal pode ser adulterado por impurezas. A mesma coisa pode acontecer com os crentes. Embora sendo sal da terra, ele pode se deixar contaminar pelas impurezas do mundo, e, com isto, perdendo a sua capacidade de influenciar. O sal pode conservar a sua aparência de sal, mas não o seu caráter. 

Diante deste fato, é preciso observar três realidades do sal insalubre, de acordo com o texto bíblico: 

1. É irrecuperável – “como lhe restaurar o sabor?” - O sal perde o seu sabor quando são adicionados impurezas a ele. Um sal “misturado” pode mesmo ser algo prejudicial à saúde. Da mesma forma o crente não mantém sua pureza de sal quando se deixa influenciar pelas coisas mundanas. Não há remédio para o sal em sua salinidade, Tt 1.6. 

2. É inútil – “Para nada mais presta” - Além do sal “misturado” ser algo prejudicial a saúde, ele não pode ser lançado em solo fértil, porque pode destruir a fertilidade do terreno. 

Orlando Boyer nos diz que “na cidade de Hutchinson, na América do Norte, um grande monte de sal ficou estragado. Experimentaram calçar uma rua com esse sal para não deixar desperdiçar tudo. Mas com as primeiras grandes chuvas, o que parecia grande êxito, tornou-se em deplorável fracasso; a rua mais bela da cidade transformou-se na rua mais triste. Até as árvores, à beira da rua, morreram”.[2]

Quando nos igualamos ao mundo tornamo-nos inúteis. Não trazemos o sabor vivificante de Cristo ao mundo, (Lc 14.33-34). Jesus estabeleceu seus discípulos como o sal da terra. Se, como cristãos, não cumprirmos essa missão, seremos as criaturas mais inúteis que já existiram, Ap 3.1. 

3. É condenado à destruição – “lançado fora, ser pisado pelos homens”. - Da mesma forma que o sal é lançado fora, o discípulo que perde a relevância do testemunho, da santidade dos valores e princípios, ele será jogado fora e será pisado, humilhado e escarnecido pelos homens. O Senhor Jesus nos mostra o perigo da vida sem testemunho, Mt 7.19. 

PARA CONCLUIR 
O Senhor Jesus ainda falou: “Tende sal em vós mesmos e paz uns com os outros”, Mc 9.50. A nossa identidade de crente é revelada através de nossos atos. O mundo inteiro está em estado de putrefação e nos fomos colocados neste mundo para torna-lo melhor. Através do nosso comportamento duas coisas acontecem:
a) Glorificamos a Deus, I Pe 2.12.
b) Blasfemamos o nome de Deus, Rm 2.24.

O Senhor Jesus se refere à mulher de Ló como uma estátua de sal e a usa como símbolo de desobediência – “Lembrai-vos da mulher de Ló”, Lc 17.32.

Infelizmente muitos crentes têm negligenciado o privilégio de sal da terra, e se tornam vidas sem testemunhos e infrutíferas, que mais parecem verdadeiras “estátuas de sal”.

Que tipo de discípulos somos – Sal da terra ou Estátua de Sal?




[1] BROADMAN, Mateus-Marcos, vol VIII, p.141.
[2] BOYER, Mateus – O Evangelho do Reino, p.85.


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