terça-feira, 17 de janeiro de 2012

ESTUDO Nº 12 - LUZ – A IMPORTÂNCIA DO TESTEMUNHO CRISTÃO – PARTE II (Mateus 5.14-16)


INTRODUÇÃO


“Há uma história de uma viúva cristã, já bem velhinha, que residia em uma solitária casa de campo sobre um penhasco na beira do mar. Ela freqüentemente se angustiava ao ver restos de barcos de pesca que eram levados pelas ondas até a praia nas noites de tempestades. Às vezes, até mesmo ouvia gritos de homens perecendo e aquilo lhe penetrava o coração. Numa noite tempestuosa, quando o ganido do vento foi mais horripilante e forte que o usual, ela teve uma idéia repentina. Talvez, se ela colocasse uma lâmpada em sua janela, esta pudesse funcionar como um pequeno farol a avisar aos desprevenidos marinheiros sobre a traiçoeira costa que ficava bem próxima. Ouvia mais tarde que sua luz tinha sido vista e socorrido alguns marinheiros que estavam perdidos em meio à tempestade. Muitas outras vezes ela pôde fazer isso e assim ajudar muitos marinheiros”.[1]

No texto que estamos estudando, o Senhor Jesus apresenta a sua segunda metáfora com a seguinte afirmação – “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus”, Mt 5.14-16.

Portanto, todo cristão nascido de novo, é a luz do mundo. Isso significa que há algo que devemos fazer, se somos a luz do mundo. Temos uma função neste mundo, da qual não podemos nos esquivar.

“Vós sois” – a palavra “vós” aponta diretamente para cada um de nós, pessoas regeneradas. A palavra “vós” acha-se em posição enfática. Poderíamos ler assim – “vós, e vós somente, sois a luz do mundo”.

I. LUZ DO MUNDO – SIGNIFICADOS E APLICAÇÕES
Na ordem da criação, a luz foi a primeira coisa criada. A primeira ordem de Deus foi – “Disse Deus: Haja luz; e houve luz”, Gn 1.3. A luz possui características bem peculiares, como por exemplo: 

1. A luz é totalmente diferente das trevas.
Apenas uma fagulha de luz é suficiente para vencer a escuridão. Sem luz o mundo seria um caos. Tudo seria trevas. É importante ver que o mundo está dividido entre os “filhos da luz” e os “filhos do mundo” (trevas), Lc 16.8; I Ts 5.5. Nesta divisão, é impossível a comunhão, II Co 6.14. O mundo estava na escuridão e num estado de trevas total, na região da sombra da morte, mas Jesus reverteu esta situação mudando os rumos da história, Mt 4.16. 

 Os crentes também são a “luz do mundo”. Assim o testemunho do discípulo no mundo onde está inserido é também decisivo para modificar ou alterar o comportamento desta sociedade – “E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as”, Ef 5.11.  É através deste testemunho (vida) dos cristãos que as trevas do mundo será reduzida.

2. Nas Escrituras, luz indica o verdadeiro conhecimento de Deus.
Jesus disse: “Vós sois a luz do mundo”. Com tal declaração, ele estava afirmando que os discípulos pertencia ao verdadeiro conhecimento de Deus, II Co 4.6. Quando cremos no evangelho, recebemos de Jesus, luz, conhecimento e instrução, Jo 8.12.  Deus é luz (I Jo 1.5), e ele está em nós, e nós estamos nele, e é precisamente por este motivo que pode ser dito: “Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz”, Ef 5.8.

3. Nas Escrituras, Luz é o verdadeiro discípulo.
É interessante que Jesus convoca seus discípulos a ser aquilo que ele mesmo é – “Eu sou a Luz do mundo”, Jo 8.12. Aqueles que permanecem em Cristo, a verdadeira luz, são também luz. Sua luz brilhando neles, aparece nos seus rostos, nas suas palavras, nas suas ações, e ilumina o mundo ao seu redor. O verdadeiro discípulo é como João Batista, uma luz acesa que ardia e iluminava – “Ele era a lâmpada que ardia e alumiava, e vós quisestes, por algum tempo, alegrar-vos com a sua luz”, Jo 5.35.

II. LUZ DO MUNDO – POSIÇÃO E FUNÇÃO

1. Sua Posição, Mt 5.14-15.
O Senhor Jesus está dizendo que a luz tem um lugar próprio. A idéia não é coloca-la onde melhor possa ser vista, mas onde melhor possa iluminar. Ninguém fica olhando para o sol ou para uma lâmpada. As pessoas buscam enxergar o que as cerca, por isso usam a luz. Assim os crentes foram comissionados para iluminar – “Vós sois a luz do mundo”, Mt 5.14.  Como luz precisamos, fazer sentir nossa influência onde quer que estejamos por meio de uma vida de testemunho, I Pe 2.9.  

É inconcebível um cristão esconder sua influência ou deixar de mostrar quem é. Deve ser natural para um crente demonstrar para as pessoas seu caráter transformado e sua vida iluminada pela luz de Cristo – “Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz”, Ef 5.8.  Muitos crentes são como candeias colocadas debaixo do alqueire, de onde não iluminam coisa alguma, Lc 11.35-36. 

 “Foi Cristo quem acendeu a luz em nós; não devemos colocá-la debaixo do alqueire da conduta mundana, nem de uma vida de leviandade e nem dos cuidados deste mundo”.[2]

2. Sua Função, Mt 5.16.
O apóstolo Paulo escrevendo aos filipenses enfatiza sua função – “para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo”, Fp 2.15. 

Por meio de nossa vida devemos glorificar ao nosso Deus. A luz é vista nas obras que realizamos. Trata-se menos de uma mensagem dirigida ao intelecto e mais um modo de vida exibido diante das pessoas. Quando os de fora vêem que seguir a Cristo leva a uma vida de boas-obras glorificam não o crente, mas o Pai do crente – o Pai que está nos céus. É através do testemunho do discípulo que os homens conhecerão a Deus, pois somos “cartas de Cristo” através das quais as pessoas precisam conhecer Jesus, II Co 3.2-3.  

O testemunho dos companheiros de Daniel foi decisivo para que o rei Nabucodonossor viesse a glorificar a Deus, Dn 3.28-30; O mesmo aconteceu com o rei Dario, através do testemunho de Daniel, Dn 6.26-28.  O testemunho cristão é a diferença entre luz e as trevas. Os cristãos são por natureza diferentes, e coloca-nos a sermos diferentes na prática. Quando tentamos reduzir esta diferença, não servimos a Deus, nem a nós mesmos, nem ao mundo.

PARA CONCLUIR:
O Senhor Jesus nos diz que somos a luz do mundo. A situação do nosso mundo é caótica – “Porque eis que as trevas cobrem a terra, e a escuridão, os povos”, Is 60.2.

Por todos os lados as pessoas estão morrendo em meio às trevas do pecado e do engano, mas o Senhor quer que sejamos luz. Se Ele habita em nós, a luz está dentro de nós. Não podemos ser negligentes; pelo contrário, é necessário que irradiemos essa luz e não a escondemos.

É hora de colocarmos nossa luz na janela para que ela ilumine e traga alguma esperança aos perdidos!

É oportuno lembrar aqui as palavras do compositor sacro que escreveu:
“Brilha no meio do teu viver,
Brilha no meio do teu viver!
Pois talvez algum aflito possa socorrer;
Brilha no meio do teu viver!”
[3]

_______________________________
[1] LIMA, As Bem Aventuranças, p.41.
[2] BOYER, Mateus – O Evangelho do Rei, p.85.
[3] W. E. Entzminger, Brilha no Viver, hino n. 320, Novo Cântico. 



Nenhum comentário: