terça-feira, 31 de janeiro de 2012

ESTUDO Nº 13 - A LEI MORAL DO REINO DE DEUS (Mateus 5.17-20)


INTRODUÇÃO
Deus estabeleceu, já nos primórdios, o mais perfeito código de lei, conhecido por Dez Mandamentos ou Decálogo. Em Mateus 5.17-20 Jesus focaliza o íntimo relacionamento existente entre a Lei e o Evangelho, ou seja, entre o Novo Testamento e o Antigo Testamento. A expressão “Lei e Profetas” significa todo o Antigo Testamento (Lc 24.44).

Até então, Jesus falara sobre o caráter do cristão e sobre a influ­ência que este teria no mundo, caso manifestasse tal caráter, produzindo, assim, o fruto de “boas obras”. Agora, ele pros­segue definindo melhor este caráter e estas boas obras em termos de justiça.

Ele explica que a justiça, já duas vezes mencionada, e da qual os seus discípulos têm fome (v. 6) e por cuja causa eles sofrem (v, 10), é uma correspondência à lei moral de Deus e ultrapassa a justiça dos escribas e fariseus (v. 20). As “boas obras” são obras da obediência. Ele começou o seu Sermão com as bem-aventuranças na terceira pessoa (“Bem-aventurados os humildes de espírito”); continuou na segunda pessoa (“Vós sois o sal da terra”); e, agora, muda para a primeira pessoa, usando, pela primeira vez, sua fórmula característica e dogmática: Por­que . . . (eu) vos digo (vs. 18 e 20).[1]

1. LEI MORAL - TERMOS E DEFINIÇÕES
“A Lei é composta por três partes: a parte cerimonial, a judicial e a moral. 


Na parte cerimonial, a Lei determina os sacrifícios que deveriam ser feitos, a ordem do culto e cerimônias no templo, entre outros detalhes (Cumprido).

Na parte judicial, a Lei apresenta um grande número de casos e como o povo de Israel tinha que proceder no julgamento de tais casos (Cumprido). Por fim...

Na parte moral, os dez mandamentos resumem a essência moral da Lei de Deus, mas existem também muitos outros mandamentos morais na Lei que derivam desses dez (Presente hoje ainda).”[2]

Nos ensinamentos morais da Lei, contêm a vontade de Deus para a vida do seu povo, que somos nós, a Igreja de Cristo. Por esse motivo, depois do Senhor ter falado que Ele veio para cumprir a Lei e os Profetas, ainda acrescentou: “Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus”.

Disto o Senhor Jesus vai tratar em todo o resto do capitulo 5 do Sermão do monte. Na perspectiva do ensino de Jesus há lições práticas sobre a Lei e é isso que serão abordados nos próximos estudos.

1. JESUS E O CUMPRIMENTO DA LEI, v. 17-19
Jesus deixa claro que veio cumprir a Lei. Ele não apenas falou das leis, mas as cumpriu durante a sua vida.

Vejamos o que Ele nos diz, v. 17.

a) Ele não revoga a Lei – A palavra revogar vem de uma palavra grega que significa derrubar, subverter ou destruir.  Os dons de Deus são irrevogáveis, de modo que Ele não pode dar algo a alguém e depois tomá-lo, se isso é verdade no que concerne aos dons o é também com a Sua própria Lei. Ele não faria uma Lei para revogá-la, pois seria como se Ele tivesse mudado de opinião acerca dela. O que foi retirado da Lei foram os rituais e cerimônia, mas não o princípio moral, pois estes são eternos.

b) Ele cumpriu a Lei – A Escritura ensina que Jesus veio para guardar a lei. “Então, eu disse:  eis aqui estou, no rolo do livro está escrito a meu respeito; agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a tua lei” (Sl. 40:7-8).

De fato, Ele nasceu sob a Lei (Gl. 4:4). Assim, Ele guardou a Lei em detalhe na Sua vida pessoal (Mt. 8:4; 17:24; Marcos 11:16-17).

Por causa da natureza do pecado como transgressão da Lei, Cristo não tinha pecado porque guardou a Lei completamente. Assim, ele pôde dizer: “Quem dentre vós me convence de pecado?” (João 8:46; cp. 1 João 3:4; João 15:10). Esse sendo o caso, Ele é o nosso perfeito exemplo de guardar a Lei. 

A Lei de Deus é um código moral estabelecido pelo Senhor. É uma constituição do povo eleito e sua entrega foi feita no Sinai. O Senhor Jesus tinha consciência das implicações que adviriam de Seu ensinamento, por isso fala em termos comparativos.[3]

João Calvino afirmou: “No Sermão do Monte Vemos Jesus não como um novo legislador, mas como o fiel explanador da Lei que já fora dada”.[4]

O verso 18 deixa claro que nem um “i” ou um “til” jamais passará da Lei. Isso revela a perfeição das leis estabelecidas por Deus, sendo que tudo o que está nas Escrituras é fato incontestável.

Por isso é necessário crer de verdade na importância das leis do Senhor, pois elas revelam o amor do Pai e a sua fidelidade para com a humanidade; pois Deus sempre deseja o amor para seus filhos.

Diante da veracidade da Lei do senhor podemos acatá-la, gravando-a em nossos corações, pois: “Fiel é a palavra e digna de inteira aceitação” (I Tm 4.9).

3. JESUS E A OBSERVÂNCIA DA LEI, v. 20.

Jesus diz, ainda, que a justiça dos discípulos deve exercer em muito à dos fariseus. Jesus explica que a justiça, já duas vezes mencionada, e da qual os discípulos tem fome (v.6) e por cuja causa eles sofrem (v.10), é uma correspondência à Lei Moral de Deus e ultrapassa a justiça dos escribas e fariseus (v.20).

Não se trata de uma simples obediência cega à Lei. O cristão que tem o Espírito de Deus no coração precisa cumprir com justiça a lei. É o Espírito Santo no coração do cristão que o capacita para o seu cumprimento em toda a profundidade, Jr 31.31-34.


DOIS TIPOS DE JUSTIÇA
ESCRIBAS E FARISEUS
NO ENSINO DE JESUS
1. Não satisfaz o coração (legalista)
1. Satisfaz ao coração (interior)
2. Não satisfaz a mente (raciocínio enganoso
2. Satisfaz a mente (está em harmonia com Deus), Rm 12.1-2.
3. É de autoria própria (produzia orgulho), Lc 18.9.
3. Glorifica a Deus (sacia o sedento, MT 5.6 e é humilde, Lc 18.9-14).

Theodoro Bezza, teólogo reformado, escreveu: O que chamamos de Lei é a doutrina cuja semente é escrita pela natureza em nossos corações. Entretanto, para que nosso conhecimento fosse mais preciso, ela foi escrita por Deus, em duas tábuas e é compreendida, resumidamente, em dez mandamentos. Neles, Deus estabelece para nós a obediência e a perfeita justiça, as quais devemos a Sua majestade e aos nossos semelhantes, em termos contrastantes: vida eterna, se guardarmos a Lei perfeitamente, sem omitir um ponto sequer, ou morte eterna, se não cumprirmos completamente cada mandamento (Dt. 30: 15-20; Tg. 2:10).[6]

Portanto, a lei não deve ser observada simplesmente por ser lei, mas por aquilo que ela realiza de justiça. Cumprir a lei fielmente não significa subdividi-la em observância minuciosa, criando uma burocracia escravizante; significa, isto sim, buscar nela inspiração para a justiça e a misericórdia, a fim de que o homem tenha vida e relações mais fraternas.

A observância da lei reveste de autenticidade a fé que professamos (l Jo 2.3-6).

__________________________________________________
[1] STOTT, Contracultura Cristã, pag. 62 – ABU Editora
[2] PORTELA, Solano. Os Três Aspectos da Lei de Deus. In http://www.solanoportela.net/palestras/tres_aspectos.htm
[3] GOMES, A Lei de Deus e o ensinamento do Senhor Jesus Cristo (artigo da internet).
[4] STOTT, Contracultura Cristã, pag. 74 – ABU Editora
[5] SPROUL, Como viver e Agradar a Deus, p. 33 (Cultura Cristã)
[6] BEZZA, Theodoro. As Duas Partes da Palavra de Deus: Lei e Evangelho in http://www.eleitosdedeus.org/

2 comentários:

Mais um no mundo disse...

Excelente exposição. Glória a Deus.

CARIOCA disse...

Amém! Entendimento acessível e de fácil compreensão!
A Deus toda honra e toda glória!