segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A ARROGÂNCIA HUMANA - Tiago 4.13-17


Em linhas gerais, todo mundo sonha e faz plano. Seja em sua vida particular, familiar, profissional etc., as pessoas de diferentes lugares, vivem na expectativa de alguma coisa. Alguém já disse que este é o sinal maior da nossa existência, de maneira que, quando alguém pára de sonhar, possivelmente, não está de bem com a vida e começa a morrer. Aliás, este é um dos sintomas daqueles que se encontram estressados e desanimados com a vida.

No início de cada ano, é muito comum encontrar sonhadores que esperam novas oportunidades e grandes desafios. Uns querem se mudar, outros aguardam um ano melhor; alguns querem obter grandes lucros, outros, pretendem mudar de vida: casar, vencer um vício, arranjar um novo emprego, fazer um novo curso etc. Até aí, tudo bem.

Porém, isto nem sempre depende da gente. Dizia Salomão que “O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor” (Pv 16.1). Aqueles, portanto, que confiam em si mesmos, tendem a sofrer grandes decepções. “É o problema dos presunçosos e arrogantes que, sentindo-se donos do mundo, vivem de reivindicações, como se dissessem: “eu tenho a força”, ou citando distorcidamente as Escrituras dizem: “ tudo posso naquele que me fortalece”. Aliás, esta interpretação deficiente é que move os adeptos da teologia da Confissão Positiva.

Já no primeiro século, o apóstolo Tiago aborda este assunto, trazendo uma séria exortação aos que se alimentam da arrogância para sustentar os seus projetos de vida. E então, vamos considerar este tema?

Tiago é um dos poucos autores bíblicos a se referir a atividades comerciais. Porém, sabe-se que, no primeiro século, houve um progresso considerável do setor comercial. O imperador romano Cláudio (44-45 a.D), por exemplo, estimulou sobremaneira o transporte fluvial, facilitando a remoção das produções, uma vez que o transporte por terra era muito dispendioso. Naturalmente, muitas viagens perigosas ofereciam riscos constantes aos viajantes. Além de proporcionar a movimentação de pessoas e recursos, transportava também problemas de toda ordem. É o alto preço do progresso que, vezes em conta, leva a reduzir o custo-benefício do comércio. Muitas vidas foram vítimas de naufrágios ou engolidas pelas fortes correntezas e inundações. Na linguagem popular, pode-se dizer que “muitos sonhos e planos foram por água abaixo”.

Enquanto os comerciantes se gloriavam nas suas conquistas, o apóstolo Tiago apresentava uma séria advertência que continua a incomodar a quantos que confiam em si mesmos sem perceber que a vida possa como uma neblina que logo se dissipa, Afinal, “que é a vossa vida?” – pergunta Tiago.

As colocações do apóstolo merecem toda a nossa atenção. Sobretudo, daqueles que se encontram envaidecidos e exaltados pelo que conquistam ou pelo que possuem e concentram os seus esforços em suas posses, planejando grandes lucros em seus negócios. Esta mensagem não se envelhece com o tempo. Aliás, a cada dia se torna mais atual e necessária ao nosso tempo, onde as pessoas perdem de vista a perspectiva do além, deixando-se dominar por muitas sutilezas e superenfatizando as coisas efêmeras e passageiras da vida. Na verdade, Tiago parece ser um dos nossos contemporâneos. Ele ensina a respeito desta inquietante questão da vida nossa de cada dia, orientando-nos quando às seguintes questões:

1. A INSTABILIDADE DA VIDA

Tiago pretende ensinar que a nossa vida é muito instável, sujeita a inúmeras situações adversas. Ao levantar a questão: “que é a vossa vida?”, o apóstolo faz uma feliz comparação, utilizando uma figura comum da natureza, ou seja, uma neblina que possa e logo se dissipa. Ensina o apóstolo que a arrogância humana não combina com a vida que é tão instável. Frente a esta terrível realidade, o homem não tem motivos para se exaltar. Observa-se, a partir daí que:

1.1 A vida é muito frágil – Tal qual alguns produtos, deveríamos carregar conosco a seguinte recomendação: “Cuidado, frágil”. Vidas são ceifadas de diferentes maneiras. Algumas bastantes jovens ou através de situações quase inexplicáveis. Na verdade, a nossa vida vive a um pequeno fio que, ao se romper, tudo está terminado. Somos criaturas inteligentes sim, porém muito sensíveis.

1.2 A vida é muito breve – Quando pensamos na idade da terra, somos levados a perceber que a vida humana – mesmo que alguns poucos ultrapassem a casa dos 100 anos – é muito curta e passa velozmente. São muitas as figuras bíblicas que descrevem a brevidade da vida, por exemplo, a sombra, a lança, a corrida, o vapor etc. O salmista dizia: “Diante da tua presença o tempo de minha vida nada é” (...) “como é breve a minha existência” (SI 39.5; 89.47). Semelhantemente, dizia Moisés: ...”acabam-se os nossos anos como um breve pensamento (...) pois tudo passa rapidamente e nós vamos” (SI 90,10).

1.3 A vida é muito insegura – A morte é uma realidade universal comum a todos os mortais. Não são poucos os que buscam a proteção dos seguros, planos de saúde, aposentadoria etc., pois sentem quão inseguras é a existência humana. Inclusive, os cristãos que crêem na eternidade, também contam com estes recursos que se tornam indispensáveis à vida presente. Se de um lado, a ciência alcança resultados fabulosos em suas pesquisas, de outro, sentem-se acompanhada e terrivelmente ameaçada por muitas enfermidades mortais.

2. A SUBMISSÃO A DEUS

Para Tiago, os planos que fazemos só podem se concretizados se se colocarem submissa à vontade suprema do Senhor. Parece se daí, a origem da conhecida (e repetida) expressão: “ Se Deus quiser !”, que utilizamos com freqüência, apesar de muitas vezes, nem nos lembramos de consultar a Deus. E por quê?

2.1 Deus é o autor da vida – Somos criados por Deus e ele sabe tudo a nosso respeito. Desde o ventre da mãe, Deus tem um plano para cada criatura (Veja SI 139.14-16). Ou citou o apóstolo Paulo em Atenas: “ pois nele vivemos e nos movemos, e existimos, como algum dos vossos poetas têm dito: ‘dele somos geração” (At 17.28). Infelizmente, milhões de pessoas não nascem, porque criminosos interrompem a gestação de muitas vidas, e o Brasil, lamentavelmente, é o campeão mundial na prática de abortos. Deus nos fez e conhece todas as nossas necessidades e haverá de revelar aos seus filhos a sua vontade.

2.2 Deus é o preservador da vida – Nada acontece por acaso, como obra do destino ou mera coincidência. Cremos na providência de Deus e descansamos em seu cuidado, proteção, companhia. Ele é, de fato, o Deus Emanuel, Deus conosco, que controla todas as coisas e exerce o seu domínio sobre todas as coisas. Um exemplo mencionado por Jesus, diz respeito aos lírios do campo e às aves dos céus: “olhai os lírios co campo” (...) olhai as aves do céu” (Mt 6.25 - 34). Se Deus cuida deles de uma forma especial, imagine o quanto Deus faz em nosso favor, como criaturas feitas à sua imagem e semelhança !.

2.3 Deus é o Senhor da vida – Disse Jesus: “ toda autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mt 28.18). E o apóstolo menciona que todo joelho se dobrará e toda a língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor (Fp 2.10,11). Aqueles que ostentam arrogância, autoconfiança, e pretensamente se colocam no lugar de Deus, precisam se voltar ao poder do Deus todo-poderoso e que domina sobre tudo e todos.

3. INCERTEZA DO FUTURO

Afirma o apóstolo Tiago: “vós não sabeis o que sucederá amanhã”, É interessante observar que, por quatro vezes, ele utiliza o verbo “fazer”, denunciando a disposição das pessoas de seu tempo em fazer, em projetar, em executar, esquecendo-se de que o futuro é sinônimo de incerteza e não se encontra disponível às pessoas. Mais do que isto, pode-se verificar no texto que:

3.1 O futuro pertence a Deus – Quando entregamos a nossa vida ao poder e domínio do Senhor, aprendemos a lhe entregar todas as nossas necessidades e a lhe confiar todas os nossos dias. Compreendemos, então, que o futuro se encontra nas mãos de Deus. Ensinou o Mestre dos mestres: “ não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; gasta aos dia o seu próprio mal” (Mt 6.34). Semelhantemente, recomenda o sábio: “não te glories no dia de amanhã, porque não sabes o que trará à luz” (Pv 27.1).

3.2 Os valores espirituais merecem a prioridade da vida – O texto não condena fazer planos, almejar melhores resultados nos negócios, melhorar o padrão de vida, ou mesmo possuir riquezas. Condena sim, a arrogância que fazem destas coisas o seu alvo principal de vida, esquecendo-se de que os verdadeiros valores são de ordem espiritual, e estes precisam ocupar a primazia de nossa vida. Critica Tiago aqueles que são tão autoconfiantes, que terminam por abandonar a Deus e os seus valores. Segundo o apóstolo, esta arrogância ou pretensão é jactanciosa (vaidosa, presunçosa, arrogante), é maligna, e se constitui em amor ao mundo (Veja l Jo 2.15 - 17). Ou como a personagem mencionada por Jesus que obteve muitos lucros, mas esqueceu-se do principal: “Louco, esta noite te pedirão a sua alma e o que tens preparado para quem será” (Lc 12.20).

3.3 Deve-se fazer o bem aos outros – Conclui Tiago, condenando os mercadores que deixam de fazer o bem com os seus benefícios. Lamentavelmente, torna-se comum a busca de lucros às custas dos outros e sem uma preocupação com o bem-estar social. Isto é próprio de modelos, tal como aquele adotado pelo governo atual, onde o progresso é construído com um alto custo social; o cidadão comum é transformado em consumidor, as pessoas sofridas (desempregados, favelas, mendigos, sem-teto, sem-terra etc.) são tidas apenas com um mero detalhe, podendo até ser abandonadas ou eliminadas em nome do desenvolvimento. Ao contrário, ensina a Palavra que os nossos ganhos devem ser repartidos e compartilhados com os necessitados: “... trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado” (Ef 4.28). Aliás, não é este o modelo bíblico de igreja? (At 2.42-47; 4.32-35). Que o Senhor nos ensine a dar uma dimensão de um amor social e político ao nosso trabalho!






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