terça-feira, 4 de outubro de 2011

ESTUDO Nº 04 - OS QUE CHORAM – UMA TRISTEZA SEGUNDO DEUS (Mateus 5.4)


INTRODUÇÃO 
O mundo faz tudo para a gente não chorar. Bilhões são gastos diariamente em filmes, TV, programas, shows, livros e revistas, com uma única finalidade – fazer as pessoas rirem e ajudá-las a esquecerem sua miséria, problemas e pecados. Vivemos num mundo de prazer onde o princípio que prevalece para uma vida realizada é felicidade, alegria e divertimento.


Contudo, não é assim de acordo com o texto bíblico. A felicidade verdadeira vem através do choro. E para aqueles que somente o riso produz felicidade, leiamos a advertência de Jesus, Lc 6.25. Mas que tipo de choro se refere esta bem-aventurança? Será que todo choro é abençoado com santo consolo? O que Jesus quis dizer quando ele falou esta frase surpreendente? O que significa chorar? Como uma pessoa que chora pode ser abençoada?


I. OS QUE CHORAM - MOTIVOS
O termo que Jesus usa para a palavra “chorar”, é muito forte, ela é usada para lamento pelos mortos, lamentação por um ente querido, Gn 37.34.


Na vida, certamente, há muitos motivos para chorar (doenças, desemprego, violência, fome). Somente os alienados ou sobremodo endurecidos é que não derramam lágrimas diante do quadro que vivemos. Uma das verdades das Escrituras é que no inferno, também haverá “choro e ranger de dentes”, Mt 8.12.


O Senhor Jesus foi um homem de lágrimas. São vários os momentos em que as escrituras descrevem Jesus chorando: 
a) Jesus chorou diante do túmulo lacrado de Lázaro, Jo 11.35; 
b) Jesus também chorou devido a incredulidade de Jerusalém, Lc 19.41; 
c) Jesus Chorou ainda no jardim do Getsemâni, Hb 5.7.


Apesar do termo “chorar”, ser muito amplo, contudo, a segunda bem-aventurança ela é bem específica, Mt 5.4.


II. OS QUE CHORAM – SEU SIGNIFICADO
Todos choram por alguma coisa, mas o choro ao qual Jesus se refere é motivado por algo específico. Jesus está chamando atenção para um tipo especial de pessoa que está triste e por isso chora. Este pessoa é a pobre em espírito do estudo anterior. Ela reconhece sua falência espiritual – são felizes os que choram por causa do pecado. Uma coisa é ser espiritualmente pobre e reconhece-lo (confissão); outra é entristecer-se e chorar por causa disso (contrição).


Como escreveu David Brainerd em seu diário, a 18 de outubro de 1740 – “Em minhas devoções matinais minha alma desfez-se em lágrimas, e chorou amargamente por causa da minha extrema maldade e vileza”.[1]


Portanto, bem-aventurado os que choram de arrependimento. Pearlman escreveu: “Pessoas há que pecam sem acusarem dor na consciência. A lepra do pecado torna insensíveis as suas almas”.[2]


O Apóstolo Paulo escreveu: “Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte”, II Co 7.10.


Assim, há dois tipos de tristeza:
1. Tristeza do mundo - A tristeza segundo o mundo traz muitos tipos de desgraça – o divórcio, a depressão, o suicídio e a guerra. Esta é uma pequena lista das tristezas do mundo que infelizmente não trazem nenhum fruto de bem-aventurança. Esta tristeza produz mais remorso do que verdadeiro arrependimento. Remorso produz lágrimas de frustração por causa de nossas ações erradas (caso de Judas, Mt 27.4). Arrependimento produz corações quebrantados (caso de Pedro, Lc 22.62, 32).


2. A Tristeza segundo Deus - É a tristeza do arrependimento que leva a salvação, demonstrando assim uma profunda necessidade de Deus, Sl 42.2-3. É a tristeza de Pedro, que após negar tão lamentavelmente a seu Senhor, caindo em si, chorou amargamente (Mt 26.75).


Vejamos outros exemplos bíblicos desta tristeza pelo pecado: Davi, Sl 38.4,18; Isaías, Is 6.5; Paulo, Rm 7.15,18-19,24.


Como explicar esta ausência de tristeza nos corações de muitos crentes?
A falta de tristeza pelo pecado é a melhor explicação para olhos enxutos. 
O que devemos fazer então?


a) Chegar-se a Deus (Tg 4.8) - É a presença de Deus que leva o pecador a chorar, e a enormidade dos seus pecados que derruba suas desculpas mesquinhas.
b) O auto-exame (Sl 139.23-24) - O auto-exame de um coração arrependido é o caminho certo para alguém sentir pesar por causa do pecado.
c) Contemplar a glória do Senhor (Is 6.1,5) - Quando contemplamos a santidade de Deus através das Escrituras e em seguida contemplamos a vida que ele espera de cada um de nós, então é que sentimos o nosso total desamparo e desesperança (examinar Rm 7.14-24).


É importante observar que a “tristeza segundo Deus” não deve ser tão somente pelos nossos pecados, mas também, pelos pecados dos outros.
a) Jesus chorou pelos pecados dos outros, quando se aproximou da cidade de Jerusalém, por causa da sua impenitência, Lc 19,41.
b) O salmista chorava porque o povo não guardava a lei de Deus, Sl 119.136.
c) Paulo chorou por causa dos falsos pastores, Fp 3.18.


Deve haver por parte do crente esta tristeza pelos pecados dos outros – lágrimas quando vemos um irmão cair no pecado, em vez de fofoca sobre seu pecado.


III. OS QUE CHORAM – SEU GALARDÃO
Jesus disse – os que choram são felizes porque serão consolados. O segredo da felicidade não está no choro, mas no consolo dado por Deus. Consolação de acordo com os profetas do Velho Testamento seria uma das missões do Messias, Is 61.1.


O consolo prometido por Jesus, pode ser sentido tanto na vida presente, como também na vida futura:
a) Vida presente – O maior de todos os consolos é a absolvição enunciada sobre cada pecador que chora (Sl 32.1-2). A felicidade dos que se arrependem de modo sadio, bíblico e profundo será grande, Sl 51.8.
b) Vida futura – No dia da volta de Cristo não precisaremos mais chorar, pois Deus mesmo estará conosco para sempre, Ap 7.17; 21.4.


Para Concluir:
Jesus disse: “Bem-aventurados os que choram”. Esta é uma afirmação paradoxal, principalmente aos olhos do mundo que tem por felizes os que nunca precisam chorar. Mas o grande prêmio dos que choram, segundo Jesus, é que eles, e somente eles, serão consolados e por isso são felizes. Convém que meditemos sobre o quanto temos nos importado com a santidade de Deus e o quanto temos chorado por causa das pessoas que se recusam a obedecê-los.


É importante também que pensemos sobre como reagimos ao nosso próprio pecado. 
Temos lamentado? Ele tem nos causado dor? 
E que tipo de consolação temos recebido? 
A certeza do perdão dos pecados? 
Se experimentarmos isso, somos bem-aventurados!


[1] EDWARDS, A Vida de David Brainerd, p. 23.
[2] PEARLMAN, Mateus: O Evangelho do Grande Rei, p.32.

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