sábado, 24 de setembro de 2011

ESTUDO Nº 03 - OS HUMILDES DE ESPÍRITO – DEPENDÊNCIA DE DEUS (MT 5.3)


INTRODUÇÃO

A idéia que domina o mundo do nosso tempo é – “você precisa confiar em si mesmo”. Os livros mais vendidos na atualidade são os que ajudam as pessoas a desenvolver uma auto-imagem positiva – você precisa despertar o deus que existe dentro de você. Até mesmo os evangélicos cantam: “você tem valor” – o lema é “chega de baixa estima, chega de falar em pecado, falemos de prosperidade, falemos de realizações e feitos poderosos”. Para o mundo, os felizes (bem-aventurados) são os ricos, os que nunca precisam chorar, os valentes, os que aproveitam á vida, os que nunca precisam abrir mão de coisa alguma. O desafio de Jesus nesta bem-aventurança é bem diferente.


I. OS HUMILDES DE ESPÍRITO - CONCEITOS 

Em sua versão, o evangelista Lucas diz simplesmente – “os pobres” (Lc 6.20). Não há diferença entre os “humildes” de Mateus e os “pobres” de Lucas. Há duas palavras no grego para “pobres” ou humildes”.

a) Penes – esta palavra descreve o homem que precisa trabalhar para ganhar o pão. Ele trabalha para suprir as suas próprias necessidades. Portanto, esta não é a palavra usada por Jesus.

b) Ptochos – Fala do homem que não tem absolutamente nada. Esta é a palavra usada neste texto.

Não poderia haver uma frase mais chocante para os ouvintes de Jesus, pois entendemos que as bênçãos ou felicidade estão inseparavelmente ligadas a prosperidade material. Surge então a grande questão – “como uma pessoa pode ser pobre e feliz ao mesmo tempo?”. Mas será que Jesus referia-se aos pobres no sentido social? Alguns têm sustentado que sim. Mas a partir do texto não é possível manter tal idéia. Quando Jesus disse que os pobres eram bem aventurados não estava pensando nos pobres no sentido social, mas nos pobres de espírito. Portanto, a palavra “pobre” passou a ter o sentido de uma humilde dependência de Deus.

II. OS HUMILDES DE ESPÍRITO – QUEM SÃO?

O que significa ser humilde de espírito? No sentido exato da palavra, é alguém que não tem absolutamente nada. É alguém completamente incapaz de manter-se por si mesmo. Ele necessita de ajuda externa.


John Stott 

Ser pobre de espírito é reconhecer nossa absoluta pobreza, ou como disse Jonh Stott – “nossa falência espiritual diante de Deus, pois somos pecadores, sob a santa ira de Deus”.[1]

Pobres de espírito são aqueles que tornaram-se consciente de sua miséria e necessidade.
a) seu velho orgulho foi quebrado, puseram-se a clamar por Deus, Lc 18.13.
b) São de um espírito contrito e temente a Deus, Is 57.15
c) perceberam sua total miséria, Rm 7.14
d) Não esperam nada de si mesmo (auto-suficiência); esperam tudo de Deus.

O mais rico deles (materialmente falando) ainda confessa: “miserável homem que sou!”. Não tem nada a ver com a pobreza material, embora a maioria deles seja pobre de bens materiais. Há pobres de bens terrenos que são mais orgulhosos que muitos ricos.


Willian Barclay 

Wiilian Barclay parafraseia a primeira bem-aventurança de modo desafiador – “Bem aventurado o homem que reconhece sua própria debilidade extrema e confia exclusivamente em Deus”.[2]

III. OS HUMILDES DE ESPÍRITO – SUAS EVIDÊNCIAS
As manifestações da humildade de espírito são observados através da Palavra de Deus através de três valores que deve transparecer:

1. A verdadeira humildade exalta o próximo, Fp 2.3-4 - A humildade nada mais é do que a manifestação plena e perfeita do amor cristão, que é amar ao próximo acima de si mesmo além de preocupar-se egoisticamente com seus próprios interesses, Mt 23.12.

2. A verdadeira humildade exalta a graça de Deus, I Co 15.9-10. – A verdadeira humildade confere à graça de Deus o devido valor quando esta transforma vidas e atitudes.

3. A verdadeira humildade é exaltada por Deus, I Pe 5.5-6 – O verdadeiro sentido de humildade cristã é exaltada por Deus, ao passo que o orgulho tem a queda como sua conseqüência, Pv 16.18-19. O evangelista João registra um exemplo excelente de humildade de espírito quando este colocou água numa bacia e lavou os pés dos discípulos, Jo 13.2-11.

IV. HUMILDES DE ESPÍRITO – SUA RECOMPENSA
O reconhecimento de pobreza espiritual é a condição indispensável para receber o Reino dos Céus. O que Jesus enfatiza é que o Reino dos Céus é oferecido somente aqueles que são humildes de espírito. Isso significa que ricos de Espírito e os soberbos não têm acesso à comunhão com Deus, nem agora, nem no futuro, Lc 18.9-14.


Orlando Boyer 

Orlando Boyer escreveu – “Os grandes, com aparente grandeza de espírito recebem a homenagem dos reinos da terra. Mas as almas humildes mansas e submissas recebem a glória do Reino dos Céus”.[3]

PARA CONCLUIR 
Portanto, os mais felizes, em primeiro lugar, de acordo com o Senhor Jesus, são os pobres ou humildes de Espírito. Eles não são felizes por ser pobres, mas pelo reconhecimento de sua pobreza espiritual. O fato de reconhecerem que não possuem nenhum mérito e nenhuma vantagem pessoal faz com que recebam da parte de Deus o próprio reino dos céus, II Co 6.10. Ser pobre em espírito é uma característica exclusiva do cristão.

______________________________________
[1] STOTT, A Mensagem do Sermão do Monte, p. 28.
[2] Citado por SHEDD, A Felicidade Segundo Jesus, p.16.
[3] BOYER, Mateus – O Evangelho do Reino, p.76.


2 comentários:

Pr. Magdiel G Anselmo disse...

Graça e Paz,
Muito bom estudo. Deus continue a lhe abençoar. Abçs.

disse...

Bom demais Antonio.