sexta-feira, 16 de setembro de 2011

ESTUDO Nº 02 - AS BEM AVENTURANÇAS – TERMOS E SIGNIFICADOS (Mateus 5.1-12)


INTRODUÇÃO 
Quando Jesus subiu aquele monte, aos arredores do mar da Galiléia, estava determinado a mostrar ao mundo o que significa realmente ser feliz. 

I. BEM-AVENTURANÇAS – TERMOS TEOLÓGICOS? 
São diversas afirmações de Jesus que começam com a expressão “bem-aventurados os...”, a respeito de certas pessoas – os cidadãos do Reino de Deus.  As bem-aventuranças falam do caráter, conduta e comportamento daqueles que nasceram de novo. A primeira palavra do sermão, bem-aventurados, que seria repetida mais sete vezes neste trecho, chamaria a atenção dos ouvintes. 

O termos bem-aventurança, é uma palavra especial no grego (makarioi), que descreve aquela alegria ou felicidade de quem tem o seu segredo dentro de si e é completamente independente das coisas externas da vida.

Vejamos alguns exemplos:

"Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação. O SENHOR Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente. A o mestre de canto. Para instrumentos de cordas" (Habacuque 3.17-19).


"Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece (Filipenses 4.11-13)

"Assim também agora vós tendes tristeza; mas outra vez vos verei; o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém poderá tirar" (João 16.22)


O texto começa assim: “Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte, e, como se assentasse, aproximaram-se os seus discípulos; e ele passou a ensiná-los, dizendo:”, Mt 5.1-2. 

Note que Jesus está ensinando aos seus discípulos, e não ao mundo. O Senhor Jesus começou seu ensino dirigindo as palavras a seus discípulos. As bem-aventuranças refletem as qualidades da vida cristã normal (não anormal), e devem ser vistas na vida de cada crente sem exceção, II Co 5.17. 

II. BEM-AVENTURANÇA – SEU SIGNIFICADO 

1. É algo que somente Deus pode dar. 
Nós não temos os recursos para produzir a condição espiritual que seria aceitável por Deus. 

Diz o insensato no seu coração: Não há Deus. Corrompem-se e praticam abominação; já não há quem faça o bem. Do céu olha o SENHOR para os filhos dos homens, para ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há nem um sequer (Salmos 14.1-3). 

2. Não depende das circunstâncias. 
O apóstolo Paulo afirma em duas cartas: 

"Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece (Filipenses 4.11-13)

Mui grande é a minha franqueza para convosco, e muito me glorio por vossa causa; sinto-me grandemente confortado e transbordante de júbilo em toda a nossa tribulação. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte (II Coríntios 7.4 e 12.10).

3. É relacionada com a obediência à Palavra de Deus. 
Vejamos uma situação vivida por Jesus, Lc 11.27-28. Se quisermos ser um povo bem-aventurado (feliz), necessitamos obedecer totalmente a Palavra de Deus, Sl 1.1-2. 

III. BEM-AVENTURANÇA E A FELICIDADE VAZIA 
Para muitos, a felicidade consiste em possuir muitos bens, uma grande conta bancária, ou como diz a modinha popular – “muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender”. Tudo isso é bom, mas não é a causa de felicidade de ninguém. 

O rei Salomão era: Um administrador brilhante, um compositor com mais de mil cânticos, um sábio com mais de três mil provérbios, possuía 1400 carros e 12 mil cavalos, seu rendimento anual incluiu 666 talentos (isso equivale hoje, 119 milhões e 188 mil reais), sua paixão sexual foi satisfeita por 700 mulheres e 300 concubinas. Mas no fim de sua vida, veja a sua conclusão: 

Tudo quanto desejaram os meus olhos não lhes neguei, nem privei o coração de alegria alguma, pois eu me alegrava com todas as minhas fadigas, e isso era a recompensa de todas elas. Considerei todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também o trabalho que eu, com fadigas, havia feito; e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento, e nenhum proveito havia debaixo do sol Eclesiastes 2.10-11.

Isso comprova que o “ter” não traz felicidade. O seu humano é infeliz por natureza. Freud escreveu: “nós seres humanos somos infelizes. A felicidade não é algo natural no homem, uma vez que o seu conflito e sua angustia com a civilização são eterno”.[1]

O ser humano não tem felicidade, ele vive momentos felizes. Mas o crente tem uma alegria e felicidade que não depende das circunstâncias lá fora, mas do seu estado espiritual, visto aos olhos de Deus – ele não depende do ter, e sim, do ser. 

PARA CONCLUIR: 
Através das bem-aventuranças, o Senhor Jesus mostra que seu desejo é que o crente tenha um caráter diferente e demonstre uma conduta diferente, porque de ser como sal, impedindo a deterioração, e como luz, brilhando nas trevas. Jesus mostra que o crente tem de ser diferente não somente do mundo, mas do sistema religioso (ilustrado pelos fariseus do tempo de Jesus). Assim o crente tem de ser diferente, tanto do crente nominal, como do mundo secular. 


Jonh Stott escreveu – “Creio que Jesus desejava que o seu Sermão do Monte fosse obedecido. De fato, se a Igreja tivesse aceitado realisticamente os seus padrões e valores, como aqui demonstrados, e tivesse vivido segundo eles, ela teria sido a sociedade alternativa que sempre tencionou ser, e poderia oferecer ao mundo uma autêntica contra cultura cristã”.[2]

[1] FREUD, O Futuro de uma ilusão, p. 68.
[2] STOTT, A Mensagem do Sermão do Monte, p. 11.


2 comentários:

Douglas Santos disse...

Ótima postagem Prof. Pádua. Desde já te agradeço por seguir meu blog (opiniaoreformada.blogspot) e por comentar. Estou seguindo seu blog. Abraços.

IGREJA PRESBITERIANA DE CAPOEIRAS disse...

Graça e paz irmão! Estou seguindo o seu blog que Deus continue a lhe usar como intrumento em suas mãos.