sexta-feira, 1 de julho de 2011

PREGUIÇA – O PECADO DA INDOLÊNCIA (Provérbios 6.6-11)




INTRODUÇÃO

Mário Quintana disse: “A preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de andar, não teria inventado a roda”.

O Bicho-preguiça na natureza é muito interessante:
a) A Preguiça não caça animais, mas se alimenta apenas de folhas. Ela é seletiva, não come qualquer folha;
b) A postura natural da preguiça é invertida em relação aos outros animais. Ela  precisa viver nos galhos, e não no chão. Fica pendurada e as mãos funcionam como ganchos. Se não tiver um galho para se pendurar entra em stresse;
c) A lentidão dos movimentos, o longo período de inatividade e a forma de se locomover e a postura são algumas de suas características;
d) Elas não bebem água, pois a água que precisam para viver é absorvida do próprio alimento;
e) É um animal dócil e indiferente ao que acontece ao seu redor. Conhece o perigo, mas não reage;
f)As preguiças costumam dormir cerca de 14 a 16 horas por dia.

Você conhece algum assim?  Aquela moleza própria da segunda feira, ou curtir a cama num domingo de chuva, sem a obrigação de trabalho, escola ou igreja é pecado?

1. PREGUIÇA E SEUS CONCEITOS

1. Os dicionários definem a preguiça como: “Indolência, falta de inclinação ao exercício, inatividade, vadiagem, ociosidade, vagabundo, lento, vagarosos, viver a custa dos outros, relaxado, molenga, passar o tempo, dorminhoco, inútil, comportamento vegetativo, imobilidade, inércia, folgado, negligente, etc”.

2. O Catecismo Católico diz: “Este pecado indica a pessoa que por opção, não tem preocupação em fazer nada e nem se preocupar com nada, e quando faz algo, é de má vontade e de forma vagarosa (ou rápida demais) e imperfeita”.

3. Uma autodefinição: “Sou um homem preguiçoso, acho que ficar em pé é melhor do que andar; sentar, melhor do que ficar em pé; deitar, melhor do que sentar e dormir é ainda melhor do que ficar só deitado”. (O Elogio da Preguiça – Uma Crônica Budista)

4. Ponto de vista antropológico: “Do ponto de vista antropológico, a preguiça não pode ser interpretada como virtude. A necessidade do lazer, do descanso é um direito. A preguiça, portanto, não é lazer, mas é negação e omissão à participação na solução de situações, é omissão na integração comunitária, é isentar-se da responsabilidade individual e social (Isidoro Mazzarolo, doutor em teologia da PUC, RJ)”.

5. Ponto de vista científico: Ricardo Moreno, psiquiatra da USP, afirma – “A preguiça é um dos sintomas de alguma doença. Entre elas, a anemia, câncer, hipertiroidismo, depressão e até uma virose deixam qualquer um sem gás. Por isso é preciso ficar alerta quando se passa a prejudicar a vida pessoal, social e profissional por preguiça” (Jornal O Correio da Paraíba, 23/08/1998).

Ricardo Moreno afirma que há os “preguiçosos por natureza. São pessoas mais lentas, detalhistas, do tipo que levam horas para fazer algo, gostam e precisam de mais descanso. Isso se deve ao metabolismo, que dita um ritmo mais vagaroso, e apenas 1% da população mundial tem este biotipo”

Mesmo tendo conceitos tão negativos tão negativos, há ainda quem defenda a preguiça de forma ardente, como por exemplo:

a)      Oscar Wilde (Escritor) – “O trabalho é o refúgio de quem não tem nada de interessante pra fazer”.
b)      Anna Matilde (Psicóloga  da USP) – “O preguiçoso é apaziguador, faz de tudo para gradar e não discute nem quando tem razão. O preguiçoso abdica de sua autonomia para que alguém faça as coisas por ele”.
c)      Mario Quintana – “A preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda”.

2. AS CARACTERÍSTICAS DO PREGUIÇOSO

No livro de Provérbios encontramos vários textos sobre o assunto. O mais conhecido de todos é – “Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos e sê sábio” – Provérbios 6.6.

Havia na Palestina, um tipo de formiga chamada Ceifadora. E o rei Salomão  faz comparação bem a propósito. A formiga tem líder, tem ordem, tem horário, tem rota, tem tarefa definida. Elas trabalham com afinco para guardar  sua comida para o inverno. Formigas nunca morrem de fome. Bicho-preguiça freqüentemente morrem. Aprender com a formiga foi a intimação do autor bíblico.

Do ponto de vista teológico, a partir das declarações de Salomão podemos perceber a gravidade deste mal e o motivo por que é tratado como um dos setes pecados capitais.

1) A vida dos preguiçosos é cheia de dificuldades, atraso, medo, desapontamentos e sofrimentos. - Uma vida cheia de espinhos e perigos, Pv 15.19; Pv 22.13

2. O preguiçoso é apático e indiferente as circunstâncias, aos conflitos e as necessidades da vida. - Não cuida da sua lavoura e nem da casa - Pv 24.30-32.

O texto do Jornal Correio da Paraíba, de 23 de Agosto de 1998, traz o depoimento da recepcionista de salão de beleza, Marta Jussara de Souza, de 37 anos, que diz: “penso em melhorar, mas tenho preguiça até de ir me matricular no curso de informática que ganhei da dona do salão”. A mesma Jussara, está enrolando há dois anos para tirar uma nova identidade e aposentar seu RG rasurado. A o tentar abrir uma firma no Cartório com o velho documento, foi rejeitado pelo escrivão.

3. A sua apatia é tão grande que a sua vida, é como do bicho preguiça, consiste em dormir.

a) vive deitado – Pv  6.9; 19.15; Pv 24.33-34.

4. O preguiçoso é sonhador

a) Deseja, mas nunca alcança e nem quer trabalhar para alcança-los - Pv 13.4; Pv  21.25; Pv 12.11.

5. O extremo da preguiça

O preguiçoso vive momentos de extremos tremendamente absurdos, ou seja, tem preguiça até de se alimentar - Pv 26.15

6. A companhia de um preguiçoso traz sérios problemas

O preguiçoso pode causar dano para a família ou congregação, sua ausência é muito melhor do sua presença –Pv 18.9; Provérbios 10.26.

3. o apóstolo paulo e os preguiçosos de tessalônica

O apóstolo Paulo tratou deste assunto de forma muito taxativa quando confrontou os preguiçosos da Igreja de Tessalônica – II Tessalonicenses 3.6-12

a) Estes irmãos que andavam desordenadamente eram desocupados e inimigos do trabalho, v. 6,11
b) Estes indivíduos tiravam proveitos da generosidade da Igreja– I Tessalonicenses 4.9-10.
c) Eles dependiam dos irmãos que ganhava a vida trabalhando normalmente, v. 8.
d) Sem ocupação própria, tais preguiçosos intrometiam-se nos negócios alheios, v. 11

As pessoas desocupadas são disseminadoras de boatos, criticando o trabalho de outras pessoas e espalhando mentiras sobre os outros. 

Observem o que Paulo orientou a Timóteo sobre não aceitar as viúvas novas no trabalho de assistência social da Igreja– I Timóteo 5.11-14

e) O apóstolo Paulo afirma que não se deve dar comida ou dinheiro as pessoas em perfeitas condições físicas de trabalho, que não querem emprego fixo para ganhar a vida, v. 10.

Paulo proibiu a Igreja de sustentar pessoas assim, e chegou mesmo a exortar que não se associassem com elas, v. 6. Para concluir a sua exortação, Paulo ensina que aqueles que trabalham no evangelho merecem seus salários: “Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho” (I Coríntios 9.14), mas na Igreja de Tessalônica, fazia –se necessário um exemplo firme para aqueles que recusavam-se a trabalhar. Paulo renuncia seus direitos a recusava-se a receber remuneração, v. 7-9

conclusão

Precisamos entender que a pessoa acaba ficando preguiçosa, não por uma questão de caráter, mas também por algum problema pessoal, tais como:

a) Uma pessoa com anemia, a pressão sangüínea desce e ela acaba tendo pouca vitalidade e vontade  de fazer as coisas;
b) Uma pessoa desmotivada, acaba tendo uma apatia (ou preguiça) para fazer qualquer coisa.

Para estes problemas, um tratamento médico pode resolver.

A preguiça é pecado quando se torna parte integrante do nosso caráter. Os cristãos não devem ser ociosos, mas trabalhar coma finco e  constância para ganhar o próprio sustento e da família, além de ter com que ajudar os necessitados – “Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado” – Efésios 4.28


2 comentários:

Ideval Gonçalves Pereira Júnior disse...

PARABÉNS PROFESSOR PÁDUA! NOS DIAS DE HOJE A INDOLÊNCIA SONHADORA DAS MASSAS NÃO SE MOVE DIANTE DAS URGENTES NECESSIDADES COLETIVAS E SOCIAIS E PORQUE NÃO DIZER...ECLESIÁSTICAS!

Ideval Gonçalves Pereira Júnior disse...

PARABÉNS PROFESSOR PÁDUA! NOS DIAS DE HOJE A INDOLÊNCIA SONHADORA DAS MASSAS NÃO SE MOVE DIANTE DAS URGENTES NECESSIDADES COLETIVAS E SOCIAIS E PORQUE NÃO DIZER...ECLESIÁSTICAS!