sábado, 11 de junho de 2011

GLUTONARIA – A IDOLATRIA DO VENTRE (Filipenses 3.17-21)


INTRODUÇÃO

No livro “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri, quando ele descreve o inferno, afirma que há um lugar reservado só para os glutões – era o chamado “Terceiro Círculo”.

O que é glutonaria (gula)? - Antes de trabalhamos o conceito devemos fazer uma distinção entre os dois tipos de gula:

a) A Gula Biológica – que deriva de uma disfunção do organismo.

Segunda a revista Veja (22/03/2000, pág. 114), 2% da população mundial sofre de doença chamada “transtorno do comer compulsivo”. As vítimas sofrem e fazem até cirurgia para reduzir o tamanho do estômago, recorrem a medicamentos e se submetem a tratamentos rigorosos, com o objetivo de diminuir o apetite e manter o corpo numa boa forma.

b) A Gula Filosófica ou Espiritual – esta é a pior, porque deriva de uma opção – “a opção pelo ventre” (Fp 3.19).

O glutão “não comem para viver, viver para comer”. Portanto, o glutão é aquele que coloca o prazer de comer muito acima de qualquer outra coisa. Para o glutão, a vida só tem sentido nos banquetes e festas gastronômicas. O pecado da gula é, portanto, comer sem necessidade, sem sentir fome; comer além do limite, compulsivamente (Boca Nervosa – Ana Maria Braga). Na Roma antiga, os romanos eram glutões inveterados. Ficaram famosos na história, entre outros motivos, pelos requintados e infindos banquetes, nos quais comiam até não mais agüentam a comida. Depois, iam à janela mais próxima, colocavam para fora tudo o que havia sido ingerido e voltavam para a mesa. Para quê? Para comer de novo.

No texto que fundamenta o nosso estudo, o apóstolo Paulo diz que alguns crentes daquela Igreja, em vez de procurar manter seus apetites físicos sob controle, estas pessoas se entregarem a glutonaria. Com base no ensinamento bíblico, percebe-se que a glutonaria é um pecado por algumas razões, entre as quais podemos destacar:

1.  a gula é pecado porque significa a idolatria do ventre

Baseado em Fp 3.19, conclui-se, que a prática da glutonaria constitui-se em idolatria, pois a comida torna-se um Deus, isto é, a coisa mais importante para a pessoa. O verbo mais conjugado na vida do guloso é comer – o estômago é um Deus que precisa ser saciado. O apóstolo Pedro associa glutonaria a idolatria,– I Pedro 4.3. O apóstolo Paulo diz que a glutonaria é um comportamento mundano e desonesto, Romanos 13.12-13.

No Antigo Testamento, a glutonaria era algo tão sério, que associava a rebeldia, o glutão pagava com a própria vida por esse pecado – Deuteronômio 21.17-18. (versão corrigida).

Nenhum cristão está proibido de participar de festas onde há muita comida. O importante é não priorizar estas coisas em detrimentos do Reino, – Provérbios 13.25. Comer bem não significa comer exageradamente. É perfeitamente possível comer bem, aplicando-se a moderação.

Os homens de Filipos, aos quais o apóstolo Paulo considerava como “inimigos da cruz de Cristo” (v.18), a única preocupação deles era com satisfação dos desejos carnais. O seu Deus é o estômago. São glutões.

2. a gula é um perigo porque demonstra um comportamento egoísta

O guloso se farta em suas orgias enquanto que milhares a sua volta estão morrendo de fome. O rico da parábola contada por Jesus era um glutão. Enquanto ele se banqueteava, Lázaro comia o que era jogado no lixo (Lucas 16.19-31). Na Igreja os mais ricos, antecipavam as suas ceia, enquanto outros não tinham o que comer e passavam forte – I Coríntios 11.21. O apóstolo Judas denuncia os falsos líderes que assim se comportam, pois comprometem a imagem da Igreja, Judas 12.

Observa-se, ainda hoje, que tal atitude está presente em muitas vidas. Não são poucos aqueles que comem além do necessário, desperdiçavam comida e fecham os olhos para as necessidades dos outros. O egoísmo não é próprio daquele que caminha com Jesus. Aliás, o desafio é para que alimentamos inclusive os nossos inimigos – Romanos 12.20.

3. a gula é um pecado porque implica em males físicos

Todos sabem dos grandes males que o cigarro é o álcool provoca no organismo, no entanto, não há a mesma preocupação com os males provocados  pela falta de equilíbrio e controle alimentar. O texto da revista Veja diz: “... o comer compulsivo não só dilata o estômago como provoca distúrbios cardiovasculares, eleva a taxa de colesterol e aumenta a propensão ao diabete”. 

A Bíblia é clara em afirmar que:
a) O nosso corpo é tabernáculo do Espírito Santo, I Coríntios 6.19.
b) O nosso corpo deve ser oferecido como sacrifício vivo santo e agradável a Deus, Romanos 12.1.

Portanto, a glutonaria é pecado, pois atinge o corpo que é propriedade exclusiva de Deus. Na culinária do povo de Deus, havia a recomendação para não se ingerir gordura – “Estatuto perpétuo será durante as vossas gerações, em todas as vossas moradas; gordura nenhuma nem sangue jamais comereis.” – Levítico 3.17.

4. a cura para a gula - moderação

A Moderação se aplica a tudo na vida. Evitar exagero e ultrapassar limites, são atitudes que revelam equilíbrio e bom senso, trazendo resultados benéficos para a caminhada neste mundo. Isso se aplica a questão alimentar. É importante aprendermos duas:

1. O desejo de comer não é, em si mesmo, um pecado. É uma função física normal de nossos corpos – contudo, quando este desejo está fora de controle, permitimos que a glutonaria entre em nossa vida;

2. Comer bem não significa comer exageradamente. É perfeitamente possível comer bem, aplicando-se a moderação.

conclusão

O Cristão precisa entender de que consiste o Reino de Deus –Romanos 14.17. Como se comportaria alguns cristãos gulosos diante do propósito que tomou o profeta Daniel em recusar a comida do rei, por uma questão de santificação –– Daniel 1.8-18Talvez seja em função dos males físicos e  espirituais da glutonaria que a Bíblia recomende a prática do jejum. O Senhor Jesus recomenda  (João 6.27). A nossa oração diante deste pecado é – Salmo 141.3-4


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