segunda-feira, 2 de maio de 2011

TRAPAÇA – UM MAL ENTRE NÓS (Gênesis 25.19-34)


INTRODUÇÃO

No meio de uma cultura marcada pela trapaça, poderemos encontrar orientação segura sobre o assunto?

Se você pegar a Concordância Bíblica, baseada na Edição Revista e atualizada no Brasil, da tradução de João Ferreira de Almeida, editada pela Sociedade Bíblica do Brasil, 1975 (Rio de Janeiro) e procurar a palavra “trapaça”, vai ficar decepcionado. Nas 1101 paginas sobre as palavras usadas nessa versão, você não vai encontrar nenhuma vez essa palavra. Uma conclusão apressada seria que a Bíblia não tem nada a dizer sobre o assunto. Puro engano!

Por outro lado, se você abrir os jornais brasileiros, ficará alarmado. Todos eles, ultimamente, estão cheios de noticias de pessoas que passaram alguém para trás, que enganaram e tiraram vantagens, quer seja de particulares ou dos cofres públicos. Verdadeiras trapaças!

Perguntei a Pr William Lacy Lane, professor de Hebraico no Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas-SP, qual a palavra hebraica que mais se aproximaria da conhecida palavra portuguesa trapaça. Ele respondeu; É a raiz yaaqob, de onde veio o nome de Jacó, derivado de aqeb, calcanhar, e de eqab, enganar.

O nome de Jacó ficou associado ao conceito de “suplantador” desde o seu nascimento, ou seja, “trapaceiro”, alguém que desde o ventre materno já queria passar alguém para trás. (Se bem que haja um outro sentido de Jacó “possa Deus te proteger”, mas que foi esquecido).

O texto básico deste estudo, Gênesis 25.19-34, faz parte de um contexto maior que merece ser considerado: Gênesis 25,19 a 36.19.

A figura de Jacó ocupa grande parte dessa historia. Podemos dividir o texto (Gn 25.19-34) em dois cenários: o primeiro, do versículo 19 a 26 – o nascimento de Jacó; e o segundo, do versículo 27 a 34 – o crescimento de Jacó, estaremos sempre falando do seu irmão Esaú, que, de acordo com o oráculo de Rebeca (v. 23) ficaria sempre em 2º lugar.

1º CENÁRIO É O DO NASCIMENTO - O nascimento de um trapaceiro. Isaque, o pai de Esaú e Jacó, tinha 60 anos. Tendo casado com 40 anos, havia passado 20 anos sem filhos, a esposa, Rebeca, era estéril. A narrativa insinua a intervenção de Deus, na sua soberania, dando ao casal a capacidade de ter filhos. O pai era temente a Deus. Levou o problema a Deus em oração. Rebeca também confiava no Senhor e o consultou sobre o assunto. O versículo 22 descreve o conflito uterino. Quando os gêmeos nasceram, Jacó segurava o calcanhar de Esaú. Esaú era ruivo e peludo. Jacó nasceu trapaceando.

2º CENÁRIO É O DO CRESCIMENTO DOS MENINOS – São comparados os dois: um gostava de caçar e o outro ficava mais em casa. Os educadores discutem até hoje o “favoritismo” dos pais: Isaque gostava mais de Esaú; Rebeca, mais de Jacó. Seria possível falar de “educação para a trapaça”? Até que um dia, o mesmo Jacó que trapaceava desde o ventre, engana Esaú e retira-lhe o direito de primogenitura.

O livro de Gênesis, com certa leveza, registra que Esaú desprezou seu direito de primogenitura. Já o escritor da epístola aos Hebreus, no Novo testamento, é mais rigoroso (Hb 12.16). Jacó passa o irmão para trás numa questão de direito. A vida de Jacó transcorreu sempre no meio da trapaça. Ele passou muita gente para trás, mas muita gente também o trapaceou. Trapaça contra trapaça. Ate que um dia tem um encontro com Deus e, de Jacó, ele se transforma em Israel, o “campeão de Deus” (Gn 32.22-32).


1.  A TRAPAÇA É OBRA DA CARNE

Pela leitura de Gálatas 5.19-21, percebemos que há algumas coisas que tornam a vida crista bem difícil. Aquela galeria de obras da carne, em aberto, conforme a expressão “e coisas semelhantes” nos levam a colocar a trapaça como uma obra da carne.

Ela é uma expressão do pecado na vida humana. Esta centralizada na capacidade humana de obter resultados, baseada na esperteza humana, na astúcia dos homens. Ela é altamente egoísta e anti-valores morais. Não vê nada alem da sua vontade de obter vantagem em tudo sem pensar nos meios. Como conduta ética, a trapaça pratica o principio de que fins egocêntricos justificam os meios. A trapaça é tão terrível que envolve tanto a mente como a alma no dizer da Bíblia de Genebra, em nota para explicar o sentido da palavra “carne” na epístola aos Gálatas.

2. A TRAPAÇA É CONTAGIANTE

Pela vida de Jacó, vemos que ele enriqueceu trapaceando. Mas onde ia, a trapaça era usada por outros contra ele. Seu próprio sogro Labão trapaceou Jacó naquilo que um homem tem de mais intimo: o amor de sua esposa. Serviu 7 anos pensando em casar com Raquel, mas Labão, usando de “cautela”, em vez de Raquel, “lhe dava lia”; e Jacó, trapaceiro, foi trapaceado e ficou mais 7 anos servindo Labão. Nesse ponto, é verdadeira a palavra Bíblica: “pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7b)

3. A TRAPAÇA PODE SER VENCIDA

A lição maior deste estudo é que Deus, na sua soberania e graça, pode resgatar um trapaceiro e usa-lo na realização de seus planos.

Jacó teve um encontro com Deus no vale de Jaboque. Tornou-se um homem. Começou uma nova vida de serviço e obediência ao Senhor, tornando-se o pai do povo da aliança, Israel. Nesse encontro, o velho homem foi vencido por Deus e surgiu o novo homem para o serviço de Deus. Foi tão forte o impacto deste encontro que Jacó chamou aquele lugar bendito de Peniel, afirmando: “Vi a Deus face a face, e a minha vida foi salva” (Gn 32.20)

Hoje, em nossa pátria, o povo espera melhores dias, em que a trapaça desapareça da vida brasileira. A forma de o povo evangélico contribuir para isso é pregar e viver o evangelho para que novas criaturas venham a exercer influência maior na vida nacional. Essa mudança só é possível quando uma pessoa, pela fé, tem um encontro com o Senhor Jesus Cristo. 


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