domingo, 10 de abril de 2011

MURMURAÇÃO – A FALTA DE CONFIANÇA EM DEUS (Números 14.1-12)


INTRODUÇÃO

Tem gente que vê dificuldade em tudo, só dá contra, e diz- “Eu sou realista!” O que você acha desta atitude?

No capitulo 10 da primeira Carta aos Corintios, Paulo relembra alguns pecados cometidos por Israel, no deserto, e as tristes conseqüências da infidelidade. No versículo 10 ele faz a seguinte advertência: “Nem murmureis, como alguns deles murmuraram e foram destruídos pelo exterminador”. Este versículo é uma referencia ao episodio narrado no texto básico deste estudo – Números 14 – quando os filhos de Israel foram duramente castigados pelo Senhor, por causa da murmuração.

“Murmurar”, conforme o dicionário, é soltar queixumes, lastimar-se, queixar-se em voz baixa, falar mal, apontar faltas, formar mau juízo de alguém ou de alguma coisa. Foi exatamente isto que aconteceu com o povo de Israel, após o relatório trazido do pelos homens que foram espiar a terra (Nm 13.25-33). O Senhor indignou-se ante a atitude do povo: “ate quando sofrerei esta má congregação que murmura contra mim? Tenho ouvido as murmurações que os filhos de Israel proferem contra mim” (v.26)

O objetivo deste estudo é alertar quanto ao pecado da murmuração e incentivar os presbiterianos a uma vida de inteira confiança em Deus, de gratidão, e de apoio aos lideres.

Diante dos desafios da caminhada, Israel se pôs a murmurar (v.1). As soluções que começaram a se desenhar, como fruto da murmuração, apontavam para um fim desastroso: a rejeição à autoridade de Moises e Arão e sua substituição; o retorno ao opressor; o apedrejamento de Josué e Calebe por não compartilharem do pessimismo do povo (vs. 2-10).

Mas Deus intervém, manifestando-se em gloria sobre o tabernáculo (v.10). A condenação divina aos murmuradores é severa (vs. 11,12,23,29,33,34). O nosso Deus é misericordioso e providente. Ele conduz o seu povo e supre as suas necessidades. Por isso, reprova a murmuração. A murmuração é sinal de incredulidade, de ingratidão e de um agir irrefletido.

Conforme o texto, Moisés, tendo consciência da grande ofensa praticada pelo povo, mais uma vez intercede (vs.13-23). Deus se dispõe a perdoar o povo, mas não o livra das conseqüências do seu pecado. 

Observa Gordon J. Wenhan que “como é típico da ironia desta historia, o seu castigo é feito de forma comparativa com o seu crime. Eles queriam morrer no deserto e voltar para o Egito; de maneira um tanto diferente do que eles desejavam, Deus acede aos seus pedidos. O programa há muito esperado de entrar em Canaã será adiado para permitir que a geração rebelde morra onde deseja. (...) Eles disseram: Oxalá tivéssemos morrido neste deserto! (v. 2). Quatro vezes eles são avizados: Neste deserto irão cair vossos cadáveres (29, 32, 33, 35). Os seus filhos, que eles disseram que iriam perecer em Canaã, mais tarde chegarão ali e tomarão posse da terra (3, 31, 33). Como imediata confirmação desses avisos, todos os espias infiéis morrem em uma praga enviada dos céus. Só Josué e Calebe, cuja entrada em Canaã é garantida, sobrevivem a ela ( 30, 36-38)”. (Números – Introdução e Comentário, Mundo Cristão/ Vida nova).

A atitude dos murmuradores, narrada nos versículos 39 a 45, mostra que, embora entristecidos, não reconheciam a autoridade de Moisés, o seu legitimo representante. Também não estavam levando Deus a serio. Na verdade, os murmuradores não gostam de ser submeter, agem por conta própria. 

1. A AÇÃO DOS MURMURADORES CONSISTE EM PUXAR PARA TRÁS

O tema da murmuração, focalizado em números 14, não é novo na caminhada de Israel. A murmuração esta vinculada à incredulidade do povo e, em diversas circunstâncias, verifica-se tal atitude. Na ocasião narrada no texto eles estavam acampados em Cades Barneia. A anteriormente, o povo já havia murmurado, conforme relatam as passagens de Êxodo 14.11,12; 15.24; 16.2,3 12; 17.2 e Números 11.1. tudo isso se deu logo após a saída do Egito. Por causa da murmuração, Deus fez com que eles permanecessem no deserto cerca de 38 anos (Dt 2.14,15).

Embora a providência divina fosse inconfundível durante aquela jornada, o povo estava constantemente duvidando. A liderança e a autoridade de Moisés eram questionadas (v.4). Em diversas ocasiões Deus já havia se manifestando a Moisés, o qual desempenhava a importante função de mediador. Apesar disso, eles se opunham a Moisés, contendiam, lastimavam-se. Os desejos, em vez de estarem projetados para a terra da promessa, estavam fixados no Egito. Tinham grande desejo das comidas dos egípcios (Ex 16.3; Nm 11.4-6). Em vez de olhar para frente, olhavam para trás. O comodismo do passado sobrepunha-se aos riscos e possibilidades do futuro. Eles diziam “não nos seria melhor voltar para o Egito?” (v.3).

A murmuração é tipicamente pessimista. Os murmuradores estão sempre a reclamar e a dar contra. Os versículos 39 a 45 comprovam isto. Quando era para subir a terra prometida, eles se recusaram. Quando era para retroceder e aguardar, eles teimaram em prosseguir. Eles estão sempre em descompasso. Parece que é pelo simples prazer de ser contra. O próprio Senhor Jesus conviveu com esta situação.

A murmuração é fruto da incredulidade, pois os murmuradores, como já foi exposto, não crêem, não confiam. Na igreja, infelizmente, é possível encontrar pessoas assim. Vivem a criticar, acham que todos estão errados, tudo é difícil, nenhuma idéia ou projeto vai funcionar. Em vez de colaborar, torcem para que as coisas dêem erradas. Tal atitude alem de antiética, depõe contra a causa cristã e trás prejuízos a toda a comunidade.

2.  A MURMURAÇÃO TEM EFEITO CONTAGIOSO NA COMUNIDADE

O texto diz que “todos os filhos de Israel murmuraram contra Moises e contra Arão” (v.2). A murmuração é um mal que rapidamente envolve a todos. De uma hora para outra, a liderança bem sucedida de Moises e Arão se vê ameaçada: “E diziam uns aos outros: Levantemos um capitão e voltemos para o Egito” (v.4).

A ação destrutiva dos murmuradores continua fazendo estragos entre o povo de Deus e arruinando a vida de lideres. Muitas vezes, pessoas crentes e ingênuas, acabam sendo usadas e manipuladas em conflito de interesses. Líderes íntegros e comprometidos com Deus são desonrados e injustiçados como aconteceu com Moisés. Comunidades inteiras são afetadas, experimentando inimizades, divisões e enfraquecimento.

A conduta pouco ética dos murmuradores faz com que, em pouco tempo, muitas sejam contagiados. A ferramenta deles é a língua, a palavra. A propósito, vale a pena considerar as advertências contidas no capitulo 3 da Carta de Tiago, quanto aos pecados da língua e o dever de refrea-la.

3.  É PRECISO RESISTIR A MURMURAÇÃO

A murmuração é uma tentação sempre presente diante de nós. Pode até torna-se um habito. Conter a língua, ou falar o que é certo, de maneira correta, na hora apropriada e com que deve ouvir, é uma arte que nem todos dominam. A formula indicada por Tiago é muito útil para nos disciplinar neste sentido: “todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar” (Tg 1.19).

Não se pode confundir o questionamento bem intencionado e a critica construtiva, com a murmuração. Esta inclui más intenções; é insensível e traiçoeira; é negativa e destrutiva. Somos desafiados a rever a maneira como tratamos nossos lideres, pois o alvo dos murmuradores é sempre a liderança (Fp 2.25,29; I Ts 5.12,13; Hb 13.17).

A murmuração é incompatível com uma vida cristã marcada por fidelidade, confiança e cooperação. Conforme já foi mencionado na introdução, o texto de I Corintios 10 – que recorda experiências de Israel no deserto – contém advertências quanto a uma serie de erros que devemos evitar, dentre eles, a murmuração (I Co 10.10).

A murmuração afasta a benção e atrai o juízo de Deus. Mas, quando a murmuração cede ligar à confiança em Deus, a união e cooperação entre os irmãos ”Ali derrama o Senhor a sua benção e a vida para sempre” (Sl 133).

Devemos tomar cuidado para não incorrermos no pecado da murmuração. Ela pode ser extremamente prejudicial, tanto para nós, quanto para a igreja. È por isso que a Palavra de Deus recomenda: “Fazei tudo sem murmurações nem contendas, para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo...” (Fp 2.14-16).

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