quinta-feira, 21 de abril de 2011

MENTIRA – UMA FILIAÇÃO DO MAL (Colossenses 3.5-11)


INTRODUÇÃO

Será que é necessário dizer a verdade em qualquer situação?
A retenção da verdade é, necessariamente, uma mentira?


O filosofo Aristóteles distingue duas espécies fundamentais de mentira. JACTÂNCIA, que consiste em exagerar a verdade; e a IRONIA, que consiste em diminuí-la. Nestes dois casos não se trata de simples mentira, mas de vícios mais graves.

Conforme os dicionários, mentira é engano, impostura, fraude, falsidade, erro, ilusão, juízo falso, fábula, ficção etc. Mentir é contar ao próximo aquilo que se sabe ser falso, como sendo verdadeiro. É interessante lembrar que há no calendário, o “Dia da Mentira”. 01 de Abril.

Pior é que a mentira faz parte do cotidiano de muitas pessoas, de uma forma até costumeira ou inconsciente, tornando-se um costume ou um habito negativo, gerando sérios prejuízos.

Paulo, dirigindo-se aos cristãos de colossos, que estavam ameaçadas por ensinos errôneos difundidos pelos falsos mestres (Cl 2.16-23), apresenta verdades de suma importância em forma de mandamentos, dentre as quais encontra-se esta: “Não mintais uns aos outros” (V.9). Esta recomendação está inserida no contexto do “novo homem que refaz para o pleno conhecimento, seguro a imagem daquele que o criou” (v.10).

O apóstolo realça, neste trecho bíblico, uma serie de imperativos relativos à conduta cristã, convocando cada um a demonstrar, na pratica, que o cristão está morto para o pecado e vivo para Deus. O desejo e as orientações paulinas dizem respeito aqueles que haviam se convertido do paganismo e que, agora deveriam revelar uma nova vida, colocando em pratica aquela profissão de fé no ato da conversão (Cl 2.13).

É nesse sentido que ele fala sobre “fazer morrer a natureza terrena”, “se despojar” e “se despir do velho homem com os seus feitos”, pois agora a vida não é mais como “noutro tempo” (vv.8,9).

Na língua original, a idéia paulina refere-se ao ato de despir e ao ato de vestir. Isso porque os cristãos são convocados a demonstrar que não pertencem mais ao “reino das trevas”, mais sim, que foram “transportados para o reino do filho” (Cl 1.13).

Trata-se do grande desafio de renunciar a vida antiga, ou seja, abrir mão dos velhos hábitos e viver o agora, de modo novo. Nesse contexto, ele menciona, de modo inicial, o mandamento “Não mintais”.

Esse mandamento, que ocorre também em Efésios 4.25, é o assunto central deste estudo, o qual tem como objetivo mostrar que o cristão, que é nova criatura, precisa ter uma postura diferente, eliminando qualquer tipo de mentira em sua vida, revelando-se uma pessoa comprometida com a verdade.

1. TIPOS DE MENTIRA

Olhando para a própria Bíblia, verificamos a menção de alguns tipos de mentira, os quais são obstáculos que precisam ser transpostos:

a) Falsas acusações contra o próximo (Pv 6.16-19; Mt 5.11);
b) “Mentirinhas”, ou meia verdade (At 5.3,4);
c) Enfeitar ou exagerar a verdade (Pv 30.6);
d) Gabar-se de atitudes que, na realidade, não foram executadas (Pv 25.14);
e) Desculpar o pecado praticado (Pv 17.15);
f) Brincadeiras enganadoras e que prejudicam o próximo (Pv 26.18,19);
g) Deixa de cumprir as promessas feitas a Deus e ao próximo (Ec 5.4-6; Tg 5.12);
i) Inversão da verdade divina (Rm 1.25).

Entretanto, aqui é necessário focalizar alguns casos bíblicos onde mentira parece justificada, apesar de tudo. Este é um assunto de difícil compreensão, mas que precisa ser mencionado num estudo como este:

a) no caso de Abrão, quanto a Sara ser sua irmã (Gn 12.20);
b) no caso de Raabe, para proteger os espias de Israel (Js 2.3-6);
c) e no caso das parteiras do Egito, visando proteger as crianças dos hebreus (Ex 1.15-22).

Estes são alguns tipos especiais de mentira, considerados como exceções á regra. Mas, como afirmou D.W. Gill: “essas são mentiras aparentemente justificáveis pelo motivo aparentemente justificáveis pelo motivo de salvar vidas e defender os interesses nacionais” (Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã, Vol.II). Esses casos especiais não servem de regra geral, mas precisam ser citados pois estão relatados na Palavra, que é um livro verdadeiro e autêntico. Ninguém deve usar esses exemplos para justificar o hábito de mentir.

É preciso ser vigilante nesta área, pois uma mentira sempre leva a outras mentiras, isso para que se encubra  primeira. Porém, seja qual for o tipo de mentira, ela dever ser enquadrada neste mandamento: “Não mintais”.

2. PREJUÍZOS DA MENTIRA

São vários os prejuízos que a mentira provoca, e aquele que profere mentiras não escapa deles (Pv 19.5). Torna-se impossível mencionar todos eles, mas é preciso destacar os seguintes:

2.1. Prejudica o relacionamento com Deus – Deus é verdadeiro e abomina a mentira, pois ele é a própria verdade (Jo 17.3). Ele não pode mentir (Hb 6.28). A Bíblia afirma que Jesus é verdade (Jo 14.6) e que o Espírito Santo é o “Espírito da verdade” (Jo 16.13). Portanto, quando a mentira prevalece o relacionamento com Deus fica prejudicado. O profeta Isaias disse que os pecados fazem separação entre as pessoas e Deus (Is 59.2,3). È impossível relacionar-se bem com Deus, usando de mentira.

2.2. Dificulta o relacionamento com o próximoA mentira possui a faculdade de colocar as pessoas em situação conflituosa. Ela promove inimizades, contendas e separações. Muitos relacionamentos interpessoais estão quebrados por causa da mentira (Pv 25.18; 26.18,19,28).

A mentira provoca a perda da confiança mútua, prejudicando o bom relacionamento com o próximo. Isso ocorre entre muitas pessoas, que chegam ate a dizer: “Agora eu não confio mais em ninguém. Eu não confio mais em você”. Conforme o comentarista Ralph P.Martin, “a mentira leva ao rompimento da comunhão cristã, por que engendra a suspeita e a desconfiança, e assim destrói a vida em comum no corpo de Cristo, mediante qual somos membros uns dos outros”.

2.3. Destrói o próprio mentiroso Com certeza, o prejuízo mais drástico que a mentira causa é a morte. Isso está claríssimo no episodio bíblico de Ananias e safira. Este era um casal, ate certo ponto bem intencionado. Mas, devido a pratica da mentira, ele tombou morto aos pés de Pedro (At 5.1-11).

A palavra profética de Oseías apresenta um povo rebelde, corrupto e mentiroso, e, por causa disto, ele declara: a “terra esta de luto”  (Os 4.1-3).

Quantos tentam adquirir riquezas utilizando a mentira como sua arma principal! Mais a Bíblia diz que isso é laço mortal (Pv 21.8; 22.15). Aqui está a seriedade deste delito, levando à morte e ao castigo final (Ap 21.8; 22.15).

Realmente, a mentira não pode ser tolerada dentro da comunidade cristã.

3. A VERDADE NO LUGAR DA MENTIRA

O ensino central deste estudo reside aqui, pois a vontade de Deus, os princípios bíblicos e aquilo que promove a felicidade entre o povo de Deus, é que a verdade reine absoluta. 

O sábio Salomão disse que os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor (Pv 6.16-19; 12.22).

Paulo oferece o seu exemplo pessoal, declarando; “não minto” (Gl 1.20).

Jesus disse, com clareza, que a palavra do cristão é esta: “sim, sim; não, não” (Mt 5.37).

É bom lembrar que a recomendação paulina quanto ao perfil de um oficial de igreja tem muito a ver com uma vida integra, verdadeira e sem falsidade; ele diz que os diáconos devem ser “de uma só palavra” (I Tm 3,8).

Fica evidente que toda pessoa que se chama pelo nome de cristão possui o dever de refletir a natureza e o caráter do Deus que é verdadeiro, e não a imagem de Satanás, o enganador e o pai da mentira (Jo 8.44).

Deus escolhe cada um para ser semelhante à imagem do seu Filho (Rm 8.29).

Quando a mentira dá lugar a verdade, é possível perceber:
a) Paz com Deus, com os outros e consigo mesmo.
b) União, amor e alegria na igreja.
c) Pleno funcionamento do Corpo de Cristo.
d) Autoridade e capacitação para se pregar o evangelho ao mundo.
e) Progresso humano e a preservação da vida.

Finalmente, não se pode esquecer que é impossível se esconder de Deus. Ele sabe e ouve tudo o que se fala. Por isso, mais cedo ou mais tarde, a mentira será descoberta (Pv 12.19).

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