segunda-feira, 11 de abril de 2011

MALEDICÊNCIA – UM VENENO NA PONTA DA LÍNGUA (Tiago 4.11,12)


INTRODUÇÃO

Você acha que falar mal dos outros pode transformar-se num habito? Há algum problema nisso?

A maioria dos problemas enfrentados numa comunidade tem a ver com a maledicência. O ser humano é a única criatura com a capacidade de articular as palavras. Ele se comunica através da fala. Isto é uma benção! Contudo, o que é benção pode transforma-se em maldição. Depende do uso. Um estudo mais acurado mostrará, com clareza, a intensidade do ensino das Escrituras quanto a esta questão. Uma advertência seríssima vem do próprio Senhor Jesus Cristo, no Sermão da Montanha (Mt 5.21,22). É preciso ter cuidado com a maledicência? A Bíblia afirma que, se alguém consegue controlar sua língua, consegue controlar todas as outras partes de sua personalidade (Tg 3.2).

O texto de Tiago pode ser entendido, basicamente, como uma divisão independente, sem muita ligação com o seu contexto. Porém, estes versículos retomam um dos temas preferidos de Tiago (1.19,26; 3.1-12). Parece que Levitico 19.16 – “não andaras como mexeriqueiro entre o teu povo; não atentarás contra a vida do teu próximo. Eu Sou o Senhor” – esta na mente de Tiago. O texto é claro e a justificava de Tiago para condenar a maledicência também o é: falar mal (julgar) de um irmão é falar (julgar) da lei. Esta é a Tônica do versículo 11. o versículo 12 mostra que julgar é tarefa de Deus, não nossa. Nós não somos nem o legislador, nem o juiz; por isso, não temos nem o direito e nem a capacidade de julgar ou falar mal de quem quer seja.

1. A MALEDICÊNCIA É PROIBIDA

Nem sempre pensamos em maledicência como algo proibido na lei (Lv 19.11,16). Nós Salmos (Sl 34.13), nos profetas (Zc 8.16,17), nos evangelhos (Mt 5.22), nas epistolas (Ef 4.25,29; Tg 3.1-12) encontramos orientações, admoestações e proibições quanto à maledicência. Estamos diante de algo que Deus proíbe e abomina. Sabemos que a linguagem é um meio fantástico para a comunicação entre as pessoas, porem é por demais perigosa. Ela pode construir, mas também pode destruir. Pode abençoar, mas também pode amaldiçoar (Tg 3.10).

Maledicência é difamação de alguém: falar mal de alguém – postura condenada por Tiago (Tg 4.11). Vale registrar o que disse o comentarista William Hendrisksen, afirmando que “o Cristianismo não é uma religião do mero ‘não fazer’, e os crentes não devem se contentar em ser meros zeros. Em lugar disso, devem imitar o exemplo de seu Mestre, cujas palavras eram tão cheias de graça, que as multidões se maravilhavam (Lc 4.22)”.

Por que será que Deus proibiu a maledicência? Certamente porque ele sabe dos prejuízos que ela pode causar na vida de um povo ou de uma família. É bom lembrar que, quando nosso Senhor interpreta a lei, introduz um novo conceito de “não matarás”. Podemos trazer a morte ao nosso próximo, apenas com o mal uso de nossa língua. Tomemos cuidado, pois a maledicência mata.



2. A MALEDICÊNCIA TORNA VÃ A RELIGIÃO

“Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua, antes, enganando o próprio coração, a sua religião é vã” (Tg 1.26). O cristão que deixa de refrear a sua língua engana o seu próprio coração, perdendo a autenticidade de sua espiritualidade.

A espiritualidade do individuo e a da comunidade cristã não se mede pela intensidade das praticas devocionais. Não é pelo tempo gasto com oração e jejuns. Nem mesmo pelo mero conhecimento das Escrituras. Alem destas praticas, a espiritualidade é evidenciada e validada por uma linguagem sadia. Como diz Paulo, uma linguagem “agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um” (Cl 4.6; ver também Cl 3.16).

Euclides Martins Balancin comenta que “o verdadeiro culto é a entrega de si mesmo a Deus para viver a justiça na pratica: não difamar o próximo”. Toda a pratica religiosa cai por terra com a pratica da maledicência. Tiago detecta a incoerência de uma linguagem (religiosa) que bendiz a Deus, mas amaldiçoa os homens – criados à semelhança de Deus (Tg 3.9). Não adianta ser membro assíduo de uma igreja, freqüentar os cultos, ser um dizimista fiel, cantar no “louvor” da igreja. Tudo isso perde o valor e o sentido se não conseguimos refrear nossa língua quanto a maledicência (Tg 3.10).

3. A MALEDICÊNCIA PRODUZ CONSEQÜÊNCIAS DESASTROSAS

Numa comunidade cristã, uma pessoa “linguaruda” causará terríveis danos á saúde da igreja. Como já foi dito, a língua tem um potencial destruidor. A maledicência atinge o ser humano por inteiro.

É necessário refletir sobre os pecados da língua e sobre o nosso dever de refreá-la. O apostolo Pedro, citando e interpretando o Salmo 34, revela o segredo para aqueles que desejam ver dias felizes: guardar a língua do mal, ou seja, evitar a maledicência e falar sempre a verdade (I Pe 3.10)

Destruição, intrigas, inimizades, invejas, ira, fofocas são conseqüências desastrosas que podem surgir numa comunidade, se não atentarmos cuidadosamente sobre a nossa maneira de falar, igrejas são divididas, famílias são desfeitas, amizades são destruídas, guerras surgem por causa de um mal uso da capacidade de articular as palavras. É bom refletir antes de falar (Tg 1.19). Nossas palavras, se proferidas maldosamente, tem conseqüências desastrosas. Sejamos cuidadosos (II Tm 2.16,17).

4. A MALEDICÊNCIA PODE SER VENCIDA

Embora Tiago mostre que a língua “é mal incontido, carregado de veneno mortífero” (Tg 3.8), cremos que a maledicência pode ser vencida. O Espírito Santo, nosso ajudador, auxilia-nos no cumprimento dos preceitos da Lei de nosso Deus. Temos as Escrituras e seus numerosos ensinamentos. Sejamos “praticantes da palavra, e não apenas ouvintes” (Tg 1.22). Apropriemo-nos de suas verdades, de “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro tudo o que é amável tudo o que é de boa fama” (Fp 4.8). Com certeza, esta apropriação nos auxiliará a evitar cometer o pecado da maledicência.

Ademais, temos o exemplo maior, nosso Senhor Jesus Cristo. “Jamais Alguém falou como este homem” (Jo 7.46). Aprendamos com ele, pois seu exemplo e sua vida nos garantem que a maledicência pode ser vencida. Nosso Senhor nunca precisou pedir desculpas por uma palavra mal colocada. Ele nunca cometeu equívocos quanto á sua fala.

Portanto, concluímos que a maledicência pode ser evitada; e deve ser vencida por aqueles que têm um compromisso genuíno com o Senhor Jesus Cristo.

Que nosso linguajar demonstre nosso fiel compromisso com o Senhor. Lembremos que a maledicência é pecado condenado por Deus. Ao ser praticada por aqueles que professam a fé no Senhor Jesus, toma inútil esta profissão de Fé. Ela produz conseqüências terríveis para as pessoas nos seus relacionamentos. E por fim, cremos fervorosamente que pode ser vencida com a preciosa ajuda do Espírito Santo de nosso Senhor.

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