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domingo, 24 de abril de 2011

AMARGURA – UM VIRUS NA ALMA (Hebreus 12.14-17)


INTRODUÇÃO

É possível um crente em Cristo Jesus viver uma vida de amargura e, mesmo assim, crescer em santidade? É possível ser amargo e feliz ao mesmo tempo?

É próprio do ser humano fugir da dor e buscar o prazer, como é próprio gostar mais daquilo que é doce do que é amargo. Razão disto é que, normalmente, serve-se doce nos aniversários, nunca jiló. Por isso, não nos soa bem aos ouvidos palavras como: amargura, amargura, amargo, amargar, amargamente, amargor, amargoso, amargurado... Porém elas existem e, às vezes, é difícil evitá-las. Na Bíblia, tais palavras aparecem cerca de 80 vezes, a maioria delas no Antigo Testamento.

De acordo com o Moderno Dicionário da Língua Portuguesa, Michaelis, a palavra “amargura” significa: “Sabor amargo, aflição, angústia, desgosto, dor moral, azedumes... dissabores”. etc. Não nos restam duvidas que a amargura é uma questão que desafia, a cada dia, pessoas crentes no Senhor Jesus, na busca da santidade. Ela apresenta uma serie de reações adversas no comportamento humano, alterando as atitudes, aguçando o temperamento e causando danos na vida do crente. Por este motivo, o crente deve estar sempre vigilante quanto às coisas que geram amargura na alma. Vejamos algumas delas, a partir do texto bíblico de Hebreus 12.14-17.

A amargura é um ressentimento guardado, que adoece a alma. Só os loucos fazem do peito um deposito de amargura. Os que buscam uma vida de santificação, são aconselhados pelo autor sagrado a não se contaminarem com esse veneno: “ nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados”  (v.15).

Em poucas palavras, o autor fala de algo pernicioso que, quando não é tratado e cresce dentro da igreja, pode causar um grande mal.

Os comentaristas bíblicos são unânimes em afirmar que o autor de Hebreus cita o texto de Deuteronômio 29.18, onde lemos: “ para que entre vós não haja homem, nem mulher... cujo coração hoje se desvie do Senhor nosso Deus, e vá servir aos deuses destas nações; para que não haja entre vós raiz que produza erva venenosa e amarga”.

Em Hebreus, “amargura” é o termo usado para se referir à “erva venenosa e amarga” dita por Moises. Mas o propósito, diz Calvino, é o de apontar uma raiz venenosa e fatal, que brota no meio da igreja e tenta crescer no seu seio, devendo ser cortada para não contaminar o povo.

1. amargura é uma raiz que brota onde o pecado não é vigiado

O versículo 15 diz: “nem haja alguma raiz de amargura que, brotando...” Se olharmos, como cuidadosos estudiosos da Bíblia, fiéis aos princípios de que a Bíblia interpreta a própria Bíblia, veremos, no inicio do versículo 15, as palavras que definem como essa raiz brota, ou de onde ela brota. Diz o próprio texto: “atentando, diligentemente, porque ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus”. Parece que esta raiz de amargura brota de corações faltosos. Moisés também afirma o mesmo: os que contaminam o povo com o veneno da idolatria são aqueles cujos corações se desviam do Senhor. Para Calvino, em seu comentário de Hebreus, esse sentimento de amargura brota de duas fontes:

a) Desejos pecaminosos: O coração humano é contaminado pelo pecado e os desejos do coração são comprometidos com esta inclinação pecaminosa (Jr. 17.9). 

Jesus adverte aos discípulos de que as coisas que contaminam o homem são aquelas que saem do coração, como fruto de seus desejos (Mt 15.19,20). 

Sendo assim, amargura brota de desejos pecaminosos.

b) Ilusória esperança de impunidade: Esta é outra fonte perigosa de onde brota a amargura. Por se tratar de um ressentimento guardado na alma, muitos se iludem pensando que irão espalhar este sentimento no seio da igreja, e que, no final, ficarão impunes; afinal, não se conhece alguém que tenha sido disciplinado por alguma igreja por semear a amargura no meio do povo. Mas o fiel Juiz de toda a terra sonda os corações ( I Sm 16.7).  Não devemos nos esquecer disto. 

A Bíblia diz que aquele que encobre as suas transgressões, jamais prosperará (Pv 28.13). 

Muitos corações escondem amarguras e ressentimentos e não sabem porque se desenvolvem tão pouco na vida cristã, na santificação. Quando alguns garotos norte-americanos praticaram um massacre em uma das escolas nos Estados Unidos, o então presidente Bill Clinton expressou, assim, a sua preocupação: “Há um grande numero de outros garotos por ai que estão acumulando ressentimentos dentro de si, e fora do nosso alcance”. Não deixe brotar esse mal em seu coração e nem no meio da igreja. 

É oportuno observar a advertência feita por Deus a Caim (Gn 4.7).

2. a amargura pertuba a harmonia e a paz

No versículo 15, encontramos esta estrutura: “nem haja raiz de amargura que, brotando, vos perturbe”. O menor efeito que podemos ver deste terrível mal é que ele perturba o ambiente onde se instala. A linguagem do autor é para que os seus leitores possam atentar para esse mal que perturba a igreja, envenena almas e desarmoniza comunidades inteiras. A amargura pertuba ao próprio individuo.

Li, certa vez, uma frase que me chamou muito a atenção. Dizia: “Muitos parecem carregar um inferno dentro de si, e onde vão, o inferno vai com eles, porque o inferno esta dentro deles”. A verdade é que algumas pessoas não atentam para o fato de que guardam amarguras dentro de si e, por isso, não conseguem viver em paz e harmonia consigo mesmas. Sua palavra tende a ser sempre depreciativa. Transferem para o outro aquilo que está dentro de si e que as perturbam. Tratam os outros com dureza, parecem até mesmo não terem aprendido a amar.

Paulo exorta a que tenhamos em nós o mesmo sentimento que houve, também, em Cristo Jesus (Fp 2.5).

Jesus disse que um pouco de fermento levada a massa toda. O que Moises chama de “raiz que produz erva venenosa e amarga” é exatamente um tipo de veneno que perturba, incomoda, afeta quem está por perto também. Em vez de produzir a paz, produz a intoxicação.

3. a amargura atinge a comunidade

A amargura é perturbadora, tanto para quem a possui, quanto para os outros. O grande problema da amargura é que ela contamina o ambiente. Assim como o sal, o fermento, o tempero, em geral, a amargura atinge a totalidade. Ela contamina a comunidade com seu efeito maléfico. Quando um membro da igreja fica amargurado com alguma situação, nem sempre consegue guardar aquilo só pra ele, e logo temos uma comunidade contaminada.

No versículo 15, o autor compara tal atitude como procedimento de alguém impuro e profano, e mais, semelhante a Esaú, que vendeu o direito de primogenitura. Mas tarde, querendo herdar a benção, foi rejeitado, pois não achou lugar de arrependimento (Gn 27.32-35).

Parece um caminho sem volta. Contamina-se de tal forma que não encontra saída. Quantas vidas amargas! Quantos corações contaminados por palavras venenosas! Quanta imprudência e ausência de vigilância daqueles que deveriam estar “semeando a paz”! (Tg 3.18). Peça a Deus para te livrar da amargura, porque ela adoece a alma.

4. vencendo a amargura com uma vida de santificação

Encontramos, na Bíblia, todas as coisas que nos conduzem à vida e à santidade. O próprio texto de Hebreus que estamos estudando nos apresenta material de sobra para vencermos a amargura, crescermos em santidade. O autor, nesse contexto, apresenta-nos as seguintes alternativas: “Segui a paz com todos e a santificação (...) atentando diligentemente para que ninguém seja faltoso (...) nem haja impuro ou profano” (vs 14-16).

Numa Igreja onde os membros zelam pela vida de santificação, que, aliás, é uma obra preciosa do Espírito Santo no coração do crente, dificilmente crescerá qualquer raiz de amargura. Mas, onde reina a carnalidade, o descaso com a vida espiritual, esses males desenvolvem juntamente com outros pecados. O crente é desafiado a viver em santificação.

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