quarta-feira, 23 de março de 2011

HIPOCRISIA – UMA VIDA DE FALSIDADE (Mateus 23.13-29)


INTRODUÇÃO

Você acha que há situações em que a hipocrisia é justificável? Por que?
A sua comunidade tem sido afetada pela hipocrisia?

A palavra “hipocrisia”, na antiguidade, não tinha esta conotação negativa que hoje conhecemos. W. Barclay, em seu livro Palavras Chaves do Novo Testamento (Vida Nova), afirma que hipocrisia, na antiguidade, estava associada com outras realidades:
a) um interprete ou expositor de oráculos ou sonhos;
b) um orador;
c) um recitador de poesias;
d) um ator.

A conotação negativa que a hipocrisia assumiu nos dias atuais vem exatamente deste ultimo uso – ator, o que desempenha um papel, o que se apresenta de uma forma sem, na verdade, ser aquilo que aparenta.

Nos dias de Jesus, esta pratica estava bastante associada á religiosidade dos fariseus. Fariseu era um grupo religioso-politico-social de grande influencia nos dias de Jesus. Eram os “piedosos” da religião, devotos rigorosos e inquiridores da observância da Lei. Na verdade, eles assim desejavam ser conhecidos, mas não eram nada disso. Eram atores da moralidade e da piedade, interpretes de uma falsa santidade. Falavam e não viviam (v.23). Apresentavam-se envoltos em meio a uma redoma de pureza exterior, todavia, eram tão podres em seus desejos e planos, como qualquer outra pessoa (v.27).

Nos versículos 13 e 29, temos as acusações de Nosso Senhor contra os mestres Judeus. Em pé, no templo, e rodeado por uma multidão que o escutava, Jesus denuncia publicamente os erros principais dos escribas e fariseus e, sem poupar palavras, revela a divergência entre o discurso e a pratica destes religiosos dos seus dias.

Por oito vezes ele usa a solene expressão “ai de vos”, e por sete vezes, ele os chama de hipócritas. Atentemos bem a essa passagem bíblica. Ela nos ensina algumas lições.


1. AS MANIFESTAÇÕES DA HIPOCRISIA

Nos evangelhos, percebemos claramente como a hipocrisia se manifestava na vida dos religiosos dos dias de Jesus. O Dr. W. Barclay faz uma analise de como o hipócrita era conhecido:

a) É o homem que se dá a representar publicamente a bondade. É o homem que quer que todos o vejam dar esmolas (Mt 6.2), que o vejam orar (Mt 6.5), que saibam que está jejuando (Mt 6.16). É o homem cuja bondade visa agradar não a Deus, mas aos homens.

b) É o homem que, no próprio nome da religião, quebra as leis de Deus. É o homem que diz que não pode ajudar seus pais, por que já tinha dedicado seus bens ao serviço de Deus (Mt 15.4-6; Mc 7.10-13). É o homem que se recusa a ajudar um enfermo no sábado, embora não descuide do bem-estar de seus animais no mesmo dia (Lc 13.15). É o homem que prefere sua própria idéia de religião à idéia de Deus.

c) É o homem que esconde os seus motivos verdadeiros sob uma máscara de fingimento. Os motivos verdadeiros das pessoas que perguntaram a Jesus acerca do pagamento de tributos não eram obter informações e orientação, mas, sim, embaraçar Jesus nas suas palavras (Mc 12.15; Mt 22.18).

d) É o homem que esconde um coração mau sob a mascara da piedade. Os fariseus eram assim (Mt 23.28). É o que pratica todos os gestos externos da religião, enquanto no seu coração há orgulho e arrogância, amargura e ódio. É tipo de pessoa que nunca deixa de ir à igreja e que nunca deixa de condenar um pecador.

e) O hipócrita acaba ficando cego. Pode interpretar os sinais do clima, mas não pode ler os sinais de Deus (Lc 12.56). Enganou aos outros tão freqüentemente, que acabou enganando a si mesmo.

f) O hipócrita é o homem que, pela causa da religião, afasta outras pessoas do caminho certo (Gl 2.13; Tm 4.2; I Pe 2.1). Persuade os outros a lhe darem ouvidos, em vez de escutarem a Deus.

g) No fim, o hipócrita é o homem sujeito a condenação de Deus (Mt 24.51).

Aqui há uma advertência. De todos os pecados, a hipocrisia é aquela no qual é mais fácil cair; e entre todos os pecados, é o mais rigorosamente condenado (Pecador convicto x Santo fingido).

Temos que ter um grande cuidado para que não assumamos, na atualidade, a roupagem dos fariseus dos dias de Jesus. É muito mais fácil para uma pessoa viver uma realidade de hipócrita, mascarada, fingida, do que investir diligentemente, diariamente, vigilantemente em uma espiritualidade verdadeira, em uma religião de vida, em uma santidade autêntica. É por isso que hino “Vencendo vem Jesus” traz entre suas estrofes os seguintes versos: “Da vaidade, fieis servos, lutam por fazer-nos seus! Muitas vezes nos assaltam os modernos fariseus...”

2. HIPOCRISIA É ABOMINÁVEL AOS OLHOS DE DEUS

Atentemos na linguagem usada pelo Senhor no texto. Ela revela, de maneira inequívoca, quão abominável é, aos olhos de Deus, o espírito de escribas e fariseus, não importando a forma em que se manifeste. Em Mateus 23.12-36, encontramos, por 8 vezes, a expressão usada pelos profetas do Antigo Testamento para referir-se à condenação – Ai! 

O primeiro “ai” nesta lista foi dirigido contra a sistemática oposição dos escribas e fariseus ao progresso do evangelho (v.13). 

O segundo “ai” é dirigido contra a cobiça e o espírito de auto-engrandecimento (v.14). 

O terceiro “ai” é dirigido contra o zelo pelo partidarismo (v.15). 

O quarto “ai” é dirigido contra as doutrinas e juramentos anunciados pelos escribas e fariseus (v.16). 

O quinto “ai” é dirigido contra a pratica de exaltação das coisas menos importantes, em detrimento das essenciais (v.23). 

O sexto e o sétimo “ais” são dirigidos contra uma característica geral da religião dos escribas. Para eles, a pureza de coração (vs.25,26). 

E o ultimo “ai” é dirigido contra a veneração fingida que eles demonstravam pela memória dos santos já mortos.

Nesta passagem inteira, podemos ver a deplorável situação em que se encontrava a nação judaica nos dias de Jesus. Se assim eram os mestres, quão grande deve ter sido a escuridão dos que eles eram ensinados.

Com base neste texto, não podemos deixar de reconhecer quão abominável é a hipocrisia aos olhos de Deus. Os escribas e fariseus não foram acusados de serem ladrões ou assassinos e, sim, de serem hipócritas desde o âmago de seu ser.

Temos, em tudo isso, um quadro melancólico que nosso Senhor nos dá acerca dos mestres judeus. Este quadro deveria nos trazer tristeza e humilhação. É um quadro que tem sido reproduzido inúmeras vezes na historia da igreja cristã, e que pode estar manifesto na vida de muitas crentes neste momento.


3. O TRATAMENTO DA HIPOCRISIA


A finalidade desta passagem bíblica é condenar a hipocrisia e mostrar que ela não é o melhor caminho para agradar a Deus. Pelo contrario, Jesus mapeou suas mais intensas manifestações e condenou seus mais seguros praticantes. A perspectiva de vida com Deus, apresentada por Jesus, Traz inerente um remédio contra a realidade da hipocrisia.


Em Mateus 5.8, Jesus, ao dar inicio aos seus ensinamentos, no chamado Sermão do Monte, difere completamente do discurso e da pratica dos fariseus. Ela enaltece a importância de buscarmos a pureza de coração – “Bem-aventurados os limpos de coração, por que verão a Deus”.  Se a hipocrisia traz em si a condenação de Deus, por outro lado, a pureza de coração, a transparência de intenções, e a ausência de contaminação nos desejos garantem a aprovação do Senhor.


O grande desafio da igreja atual é uma pratica coerente, pura, desprovida de jogos de interesse escondidos. Busquemos a pureza de coração e rejeitemos a hipocrisia dos modernos fariseus.


Façamos nossa a oração de Davi: “Bem sei, meu Deus, que tu provas os corações, e que da sinceridade te agradas...” (I Cr 29.17).


Consideremos também a exortação de Hebreus 10.22: “Aproximemo-nos com sincero coração, em plena certeza de fé...”

2 comentários:

Jailson Santos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jailson Santos disse...

Continua escrevendo bem meu amigo. Deus o guarde. No amor do Pai,
Pr Jailson Santos