quinta-feira, 10 de março de 2011

EGOÍSMO – O INDIVIDUALISMO EM AÇÃO (Mateus 22.34-40)


INTRODUÇÃO

“Cada um por si e Deus por todos!” – Com certeza, você já ouviu esta frase. Ela traduz o conceito que muitos têm da vida. São aqueles que se preocupam apenas consigo próprios. É não são poucos os que só querem levar vantagem. Esta atitude, tão presente no coração humano, que se manifesta nos relacionamentos é chamada “egoísmo”.

O dicionário define egoísmo como sendo “o amor exclusivo de pessoa e de seus interesses”. De fato, o egoísta não se preocupa com os outros, mas trata só dos seus próprios interesses.

A ética crista, emanada do novo testamento, é contundentemente contrária às atitudes egoístas. Diante disso, o presente estudo tem como objetivo enfatizar a ética crista centrada no amor, e despertar os presbiterianos salgadenses para um viver altruísta, o que  sem dúvida, representa um positivo testemunho a esta cidade tão carente de Jesus.

A passagem tomada por base para este estudo apresenta o relato de mais uma das tentativas de conspiração dos saduceus e fariseus contra Jesus. A intenção de um dos interpretes da lei, ao formular a Jesus a pergunta sobre qual seria o maior mandamento da lei, era criar uma situação em que Jesus a viesse a blasfemar. Certamente, o interprete da lei se surpreendeu com a resposta de Jesus, pois ele se valeu de Deuteronômio 6.4,5 e afirmou que o maior mandamento consiste em amar a Deus sem reservas. Jesus prossegue e recorre e Levitico 19.18 para dizer que há um segundo mandamento ligado ao primeiro o qual consiste em amar ao próximo como a si mesmo.

Conforme R.G.V. Tasker, “um homem não pode amar a Deus num sentido real sem amar também a seu próximo, feito como ele á imagem de Deus” (Mateus: introdução e comentário, Mundo Cristão/Vida Nova). Esta é a mensagem de I João 4.20,21.

Os evangelistas Marcos e Lucas também relatam o episódio (Mc 12.28-34 e Lc 10.25-37), mas não dizem que o interprete da lei estava experimentando a Jesus.

Enfatizando a centralidade do amor, Jesus declara que “destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” (v.40). Mas, por que são estes dois mandamentos os mais importantes?

Guilhermo Hendriksen (biblista presbiteriano) sugere três razões:
1. A fé e a esperança recebem, o amor dá;
2. Todas as demais virtudes estão incluídas no amor.
3. O amor segue o padrão de Deus, pois Deus é amor

Há uma canção, cuja letra diz: “amor! Ser cristão e ter amor. Ama o teu próximo com a ti mesmo. Deus é amor” O egoísmo é incompatível com a vida no reino de Deus.



1. CARACTERÍSTICAS E MALES DECORRENTES DO EGOÍSMO

Escrevendo ao jovem Timóteo (II Tm 3.1-9) o apostolo Paulo o preveniu de que nos últimos dias sobreviriam tempos difíceis, quando os homens seriam, entre outras coisas, egoístas. Como já foi exposto na introdução, o egoísmo caracteriza-se pela concentração dos interesses do individuo em si mesmo, em detrimento das necessidades do semelhante.


O ser humano foi criado por Deus para viver numa saudável interdependência – “não e bom que o homem esteja só” (Gn 2.18). O salmista declarou: “Oh, como é bom e agradável viveram unidos irmãos”! (Sl 133.1). A igreja do novo testamento se distinguia em virtude de um estilo de vida desprendido e altruísta (At 4.32-37).

Na sociedade moderna verifica-se um acentuado individualismo. Em vez de aproximar as pessoas, como pareceria lógico, a globalização acaba promovendo o isolamento e o distanciamento. O modelo econômico neoliberal interfere diretamente em nossas relações. O mercado transforma-se numa selva, e “salve-se quem puder”. O resultado disso é que retrocedemos á mentalidade de Caim: acaso, sou eu tutor de meu irmão? Os homens deixam de ser irmãos e parceiros e transformam-se em concorrentes.

A lógica capitalista, cujo fim supremo é o acumulo, oferece forte respaldo para o desenvolvimento de uma cultura do egoísmo. E o pior, é que a teoria capitalista é capaz de entorpecer e aplacar a consciência, tornando-nos insensíveis ante o seu subproduto que é a miséria. Alguns, para justificar a sua apatia, chegam a fazer um uso cínico da Bíblia, citando, por exemplo, fora do seu contexto, passagens como Marcos 14.7: “porque os pobres, sempre os tendes convosco...”

A riqueza produzida no mundo e os recursos disponíveis são suficientes para garantir uma condição de vida digna a todos os habitantes do planeta, com acesso ao básico: alimentação, moradia, saúde e educação. Não faltam recursos. O problema é que sobre egoísmo. O egoísmo é o grande responsável pelas cruéis e brutais desigualdades entre pessoas, povos e nações. Mas a palavra de Deus garante um severo juízo contra aqueles que pensam só em si (Is 5.8; Lc12.20,21; Tg 5.1-6).



2. O EGOÍSMO E O MANDAMENTO DO AMOR

A Ética cristã esta fundada no amor: amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Ai não há espaço para o egoísmo. A parábola do bom Samaritano (Lc 10.25-37) ilustra muito bem o que significa amar ao próximo como a si mesmo.

Aonde prevalece o egoísmo não há amor, nem ao próximo nem a Deus. É por isso que Jesus condenou os Fariseus e sua falsa devoção (Mc 12.38-40).

O amor abre caminho para o encontro e harmonia do ser humano com o Criador, com o próximo, consigo mesmo e com o meio-ambiente. O amor gera vida e liberdade. Quando o amor determina as nossas relações, ai se estabelecem a fraternidade, a partilha, a cooperação e a justiça.

O egoísmo arraigado em tantos corações e mentes, tem sido um grande empecilho para a construção de um mundo mais humano, justo e solidário. Diante da cultura do individualismo e da competitividade que rege o mundo hoje, onde o outro é visto não como irmão e parceiro, mas apenas como concorrente, o povo de Deus é desafiado a deflagrar uma revolução: a revolução do amor (Mt 5.43-48).



3. O DESAFIO AO VIVER ALTRUÍSTA

“Altruísmo” é o oposto de “egoísmo”. Ser altruísta significa ter amor ao próximo, ser abnegado, estar comprometido com causas filantrópicas.

O altruísmo deve ser uma marca inconfundível de todo cristão. É deprimente alguém se declarar cristão, e viver egoisticamente. Em seu livro “Ética do Novo Testamento” (editora Sinodal), Heinz Dietrich Wendland declara: “Não há amor verdadeiro e pleno, do coração todo a Deus, sem o amor ao próximo”.

O altruísmo cristão, ordenado por Jesus, transforma-se num veemente testemunho ao mundo (Mt 5.16).

O nosso compromisso solidário não pode ser limitar á igreja a que pertencemos. Devemos abrir o coração as necessidades que nos rodeiam, e o nosso envolvimento deve ser mais abrangente e efetivo. Muitas ONGs tem ocupado espaços onde quem deveria  estar é a igreja. O evangelho que pregamos muitas vezes se mostra acentuadamente conceitual e teórico, e pouco altruísta. Aprendemos com Jesus! (Mt 9.35-37; 14.13-21).

A influencia do modo de vida atual atinge também os cristãos. Cada um deve avaliar se está vivendo conforme a ética do Reino de Deus, fundada no amor, ou se esta simplesmente seguindo o curso deste mundo.

O desafio a um viver altruísta tem implicações não apenas em relação ao bem estar do nosso semelhante. Na verdade, tem implicações também escatológicas. Diante disso, todos quantos desejam viver uma cristã aprovado por Deus, devem atentar para as palavras de Jesus em Mateus 25.31-46.

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