sábado, 18 de setembro de 2010

OS ATRIBUTOS DE DEUS E A NOSSA VIDA


“Os olhos do SENHOR estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons”, Pv 15.3

O Rei Salomão  canta nestes versículos, dois atributos incomunicáveis de Deus - Onipresença e Onisciência. Deus possui atributos (qualidades), que são chamados teologicamente de atributos comunicáveis e incomunicáveis.

a) Atributos Comunicáveis de Deus.
Conceito – “Os atributos comunicáveis de Deus são aqueles com os quais os atributos do homem têm alguma analogia – conhecimento, sabedoria, bondade, amor (graça, misericórdia e longanimidade), santidade, retidão,veracidade e soberania”.

b) Atributos incomunicáveis de Deus
Louis Berkhoff diz: “Os atributos incomunicáveis de Deus são as perfeições divinas que não encontram analogias na criatura. Eles destacam a distinção absoluta de Deus” (Manual de Doutrina Cristã, p. 59-68).

Os atributos incomunicáveis de Deus são: auto-existência, imutabilidade, perfeição, eternidade e imensidade (onipresença).

Dois destes atributos, o Rei Salomão cita no texto acima:

a) Onipresença - Ele está presente em todos os lugares a um só tempo. O salmista afirma que, não importa para onde formos. Deus está ali.

b) Onisciência - Ele sabe de todas as coisas. O passado, presente e  futuro, estão patentes aos seus olhos.

Tais atributos nos colocam em uma situação de fragilidade, diante deste Deus todo poderoso, que muitos agem como se Ele não existisse.

Gostaria de fazer uma aplicação destes atributos a nossa vida.

I. ONISCIÊNSCIA DE DEUS

Vejamos como o salmista descreve a onisciência de divina: “SENHOR, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando me levanto; de longe penetras os meus pensamentos. Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar e conheces todos os meus caminhos. Ainda a palavra me não chegou à língua, e tu, SENHOR, já a conheces toda. Tu me cercas por trás e por diante e sobre mim pões a mão. Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim: é sobremodo elevado, não o posso atingir”, Sl 139.1-6. 

Ao tentar descrever a onisciência de Deus, Davi afirma com plena certeza de que Deus, em sua perfeição, examina todos os nossos pensamentos e sentimentos, até mesmo os mais íntimos, e que é um conhecedor profundo da mente e de toda a natureza humana.

Vejamos o que ele diz ao seu filho Salomão: “Tu, meu filho Salomão, conhece o Deus de teu pai e serve-o de coração íntegro e alma voluntária; porque o SENHOR esquadrinha todos os corações e penetra todos os desígnios do pensamento. Se o buscares, ele deixará achar-se por ti; se o deixares, ele te rejeitará para sempre”, I Cr 28.9.

O profeta Jeremias afirmou: Eu, o SENHOR, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isto para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto das suas ações”, Jr 17.10.

Portanto, com a onisciência de Deus queremos dizer que Ele conhece a si próprio e todas as outras criaturas. Ele é o conhecedor perfeito da natureza de todas as coisas existentes - não há segredos para Ele. Ele conhece toda a história da eternidade. Ao homem ocorrem lembranças do passado - para Deus o passado e o presente é só lembrança. Ao homem a  profecia é aquilo que ele espera - para Deus é aquilo que Ele já viu.

Assim como a onipresença de Deus se apresenta como uma dupla fonte, da mesma é a onisciência.

1.Fonte de conforto para os fiéis

Pois Ele conhece as nossas necessidades: Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais... vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas”, Mt 6.8,32.

Deus não ignora até as coisas mais íntimas da vida – os cabelos: “E, quanto a vós outros, até os cabelos todos da cabeça estão contados”, Mt 10.30. 

2. Fonte de advertência para os infiéis

Pois na amplitude do seu conhecimento, podemos afirmar que Ele conhece: 

a) O homem e toda a sua obra: “O SENHOR olha dos céus; vê todos os filhos dos homens; do lugar de sua morada, observa todos os moradores da terra, ele, que forma o coração de todos eles, que contempla todas as suas obras” - Sl 33.13-15.

De acordo com estas obras, ele julgará cada um: “Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros”, Ap 20.12.

b) Os pensamentos dos homens: “Jesus, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse-lhes: Que arrazoais em vosso coração?” Lc 5.22.

c) O coração do homem: “O além e o abismo estão descobertos perante o SENHOR; quanto mais o coração dos filhos dos homens!”, Pv 15.11.

Meus irmãos, Deus está presente em todo lugar, observando todos os nossos atos, por mais simples que sejam, desde que acordamos até a hora em que dormimos. Tal poder evidencia também a nossa pequenez, aponto de, muitas vezes, não termos condição de compreende-lo em sua plenitude.

Diante de tal realidade, o salmista se sente assombrado: “Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim: é sobremodo elevado, não o posso atingir”, Sl 139.6.

A consciência disto deve nos levar a repensar a nossa conduta, forma de vida e nos levar a buscar a Deus de coração.

II. ONIPRESENÇA DE DEUS

Com a Onipresença de Deus queremos dizer de sua infinidade em relação as suas criaturas. Por ser imenso, Deus é onipresente.

O salmo 139.7-12, descreve com riqueza e detalhes o que á onipresença de Deus: “Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá. Se eu digo: as trevas, com efeito, me encobrirão, e a luz ao redor de mim se fará noite, até as próprias trevas não te serão escuras: as trevas e a luz são a mesma coisa”.

Deus está em toda parte, embora não ocupando dimensões físicas como nós. O profeta Jeremias afirma: “Acaso, sou Deus apenas de perto, diz o SENHOR, e não também de longe? Ocultar-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? —diz o SENHOR; porventura, não encho eu os céus e a terra? —diz o SENHOR”, Jr 23.23-24.

A onipresença de Deus para as suas criaturas se apresenta  como uma dupla fonte:

1. Fonte de conforto para os fiéis.

Pois Ele é Deus fiel e presente em todas as circunstâncias da nossa vida. 
- Seja na hora da crise, como no mar da Galiléia, quando disse para os discípulos: Não temas! Mc 6.50.
- Seja na hora da fome, como na multiplicação dos pães, quando afirmou: Eu sou o Pão da vida, Jo 6.35.
- Seja na hora da morte, como no caso das irmãs de Betânia e proclamou: Eu sou a ressurreição e a vida, Jo 11.25

2. Fonte de advertência e repressão para os infiéis - Pois Ele conhece tudo.

Não adianta tentarmos fugir de Deus. Aqueles que assim fazem sofrem, como Jonas que desobedeceu a sua determinação e foi castigado, Jn 2.1-10.

O profeta Jeremias diz: Ocultar-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? — diz o SENHOR; porventura, não encho eu os céus e a terra? —diz o SENHOR”, Jr 23.24.

A consciência disto deve nos levar a repensar a nossa conduta, forma de vida e nos levar a buscar mais a Deus de coração: “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração”, Jr 29.13. 

Para concluir

Em todos os lugares o homem é cercado pela presença e ciência de Deus - os olhos do Senhor. Portanto, qualquer criatura, esteja onde estiver, pode gozar da presença de Deus - isto deve consolar o nosso coração. Mas por outro lado, esta grande verdade nos chama a realidade de que:

1. Não adianta se esconder como o salmista, Sl 139
2. Não adianta fugir como Jonas,  Jn 1.3
3. Não adianta querer enganar como Ananias e Safira, At 5.1-11
4. Não adianta cultuar a Deus penas de Lábios, como denuncia o profeta Isaías, Is 29.13.

Tudo isto é uma tentativa inútil, pois o pecado humano não é oculto diante de Deus: "Porque os meus olhos estão sobre todos os seus caminhos; ninguém se esconde diante de mim, nem se encobre a sua iniqüidade aos meus olhos”, Jr 16.17

A consciência disto deve nos levar a repensar a nossa conduta, forma de vida e nos levar a buscar mais a Deus de coração.

Leiamos Hb 4.13: “E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas”, Hb 4.13.

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