sábado, 6 de dezembro de 2008

Os Cinco Solas da Reforma

Sola Scriptura, Sola Christus, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria

por

Declaração de Cambridge


SOLA SCRIPTURA: A Erosão da Autoridade

Só a Escritura é a regra inerrante da vida da igreja, mas a igreja evangélica atual fez separação entre a Escritura e sua função oficial. Na prática, a igreja é guiada, por vezes demais, pela cultura. Técnicas terapêuticas, estratégias de marketing, e o ritmo do mundo de entretenimento muitas vezes tem mais voz naquilo que a igreja quer, em como funciona, e no que oferece, do que a Palavra de Deus. Os pastores negligenciam a supervisão do culto, que lhes compete, inclusive o conteúdo doutrinário da música. À medida que a autoridade bíblica foi abandonada na prática, que suas verdades se enfraqueceram na consciência cristã, e que suas doutrinas perderam sua proeminência, a igreja foi cada vez mais esvaziada de sua integridade, autoridade moral e discernimento.

Em lugar de adaptar a fé cristã para satisfazer as necessidades sentidas dos consumidores, devemos proclamar a Lei como medida única da justiça verdadeira, e o evangelho como a única proclamação da verdade salvadora. A verdade bíblica é indispensável para a compreensão, o desvelo e a disciplina da igreja.

A Escritura deve nos levar além de nossas necessidades percebidas para nossas necessidades reais, e libertar-nos do hábito de nos enxergar por meio das imagens sedutoras, clichês, promessas e prioridades da cultura massificada. É só à luz da verdade de Deus que nós nos entendemos corretamente e abrimos os olhos para a provisão de Deus para a nossa sociedade. A Bíblia, portanto, precisa ser ensinada e pregada na igreja. Os sermões precisam ser exposições da Bíblia e de seus ensino, não a expressão de opinião ou de idéias da época. Não devemos aceitar menos do que aquilo que Deus nos tem dado.

A obra do Espírito Santo na experiência pessoal não pode ser desvinculada da Escritura. O Espírito não fala em formas que independem da Escritura. À parte da Escritura nunca teríamos conhecido a graça de Deus em Cristo. A Palavra bíblica, e não a experiência espiritual, é o teste da verdade.

Tese 1: Sola Scriptura

Reafirmamos a Escritura inerrante como fonte única de revelação divina escrita, única para constranger a consciência. A Bíblia sozinha ensina tudo o que é necessário para nossa salvação do pecado, e é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser avaliado.

Negamos que qualquer credo, concílio ou indivíduo possa constranger a consciência de um crente, que o Espírito Santo fale independentemente de, ou contrariando, o que está exposto na Bíblia, ou que a experiência pessoal possa ser veículo de revelação.


SOLO CHRISTUS
: A Erosão da Fé Centrada em Cristo


À medida que a fé evangélica se secularizou, seus interesses se confundiram com os da cultura. O resultado é uma perda de valores absolutos, um individualismo permissivo, a substituição da santidade pela integridade, do arrependimento pela recuperação, da verdade pela intuição, da fé pelo sentimento, da providência pelo acaso e da esperança duradoura pela gratificação imediata. Cristo e sua cruz se deslocaram do centro de nossa visão.

Tese 2: Solus Christus

Reafirmamos que nossa salvação é realizada unicamente pela obra mediatória do Cristo histórico. Sua vida sem pecado e sua expiação por si só são suficientes para nossa justificação e reconciliação com o Pai.

Negamos que o evangelho esteja sendo pregado se a obra substitutiva de Cristo não estiver sendo declarada e a fé em Cristo e sua obra não estiver sendo invocada.

SOLA GRATIA: A Erosão do Evangelho

A Confiança desmerecida na capacidade humana é um produto da natureza humana decaída. Esta falsa confiança enche hoje o mundo evangélico – desde o evangelho da auto-estima até o evangelho da saúde e da prosperidade, desde aqueles que já transformaram o evangelho num produto vendável e os pecadores em consumidores e aqueles que tratam a fé cristã como verdadeira simplesmente porque funciona. Isso faz calar a doutrina da justificação, a despeito dos compromissos oficiais de nossas igrejas.

A graça de Deus em Cristo não só é necessária como é a única causa eficaz da salvação. Confessamos que os seres humanos nascem espiritualmente mortos e nem mesmo são capazes de cooperar com a graça regeneradora.

Tese 3: Sola Gratia

Reafirmamos que na salvação somos resgatados da ira de Deus unicamente pela sua graça. A obra sobrenatural do Espírito Santo é que nos leva a Cristo, soltando-nos de nossa servidão ao pecado e erguendo-nos da morte espiritual à vida espiritual.

Negamos que a salvação seja em qualquer sentido obra humana. Os métodos, técnicas ou estratégias humanas por si só não podem realizar essa transformação. A fé não é produzida pela nossa natureza não-regenerada.


SOLA FIDE: A Erosão do Artigo Primordial


A justificação é somente pela graça, somente por intermédio da fé, somente por causa de Cristo. Este é o artigo pelo qual a igreja se sustenta ou cai. É um artigo muitas vezes ignorado, distorcido, ou por vezes até negado por líderes, estudiosos e pastores que professam ser evangélicos. Embora a natureza humana decaída sempre tenha recuado de professar sua necessidade da justiça imputada de Cristo, a modernidade alimenta as chamas desse descontentamento com o Evangelho bíblico. Já permitimos que esse descontentamento dite a natureza de nosso ministério e o conteúdo de nossa pregação.

Muitas pessoas ligadas ao movimento do crescimento da igreja acreditam que um entendimento sociológico daqueles que vêm assistir aos cultos é tão importante para o êxito do evangelho como o é a verdade bíblica proclamada. Como resultado, as convicções teológicas freqüentemente desaparecem, divorciadas do trabalho do ministério. A orientação publicitária de marketing em muitas igrejas leva isso mais adiante, apegando a distinção entre a Palavra bíblica e o mundo, roubando da cruz de Cristo a sua ofensa e reduzindo a fé cristã aos princípios e métodos que oferecem sucesso às empresas seculares.

Embora possam crer na teologia da cruz, esses movimentos a verdade estão esvaziando-a de seu conteúdo. Não existe evangelho a não ser o da substituição de Cristo em nosso lugar, pela qual Deus lhe imputou o nosso pecado e nos imputou a sua justiça. Por ele Ter levado sobre si a punição de nossa culpa, nós agora andamos na sua graça como aqueles que são para sempre perdoados, aceitos e adotados como filhos de Deus. Não há base para nossa aceitação diante de Deus a não ser na obra salvífica de Cristo; a base não é nosso patriotismo, devoção à igreja, ou probidade moral. O evangelho declara o que Deus fez por nós em Cristo. Não é sobre o que nós podemos fazer para alcançar Deus.

Tese 4: Sola Fide

Reafirmamos que a justificação é somente pela graça somente por intermédio da fé somente por causa de Cristo. Na justificação a retidão de Cristo nos é imputada como o único meio possível de satisfazer a perfeita justiça de Deus.

Negamos que a justificação se baseie em qualquer mérito que em nós possa ser achado, ou com base numa infusão da justiça de Cristo em nós; ou que uma instituição que reivindique ser igreja mas negue ou condene sola fide possa ser reconhecida como igreja legítima.

SOLI DEO GLORIA: A Erosão do Culto Centrado em Deus

Onde quer que, na igreja, se tenha perdido a autoridade da Bíblia, onde Cristo tenha sido colocado de lado, o evangelho tenha sido distorcido ou a fé pervertida, sempre foi por uma mesma razão. Nossos interesses substituíram os de Deus e nós estamos fazendo o trabalho dele a nosso modo. A perda da centralidade de Deus na vida da igreja de hoje é comum e lamentável. É essa perda que nos permite transformar o culto em entretenimento, a pregação do evangelho em marketing, o crer em técnica, o ser bom em sentir-nos bem e a fidelidade em ser bem-sucedido. Como resultado, Deus, Cristo e a Bíblia vêm significando muito pouco para nós e têm um peso irrelevante sobre nós.

Deus não existe para satisfazer as ambições humanas, os desejos, os apetites de consumo, ou nossos interesses espirituais particulares. Precisamos nos focalizar em Deus em nossa adoração, e não em satisfazer nossas próprias necessidades. Deus é soberano no culto, não nós. Nossa preocupação precisa estar no reino de Deus, não em nossos próprios impérios, popularidade ou êxito.

Tese 5: Soli Deo Gloria

Reafirmamos que, como a salvação é de Deus e realizada por Deus, ela é para a glória de Deus e devemos glorificá-lo sempre. Devemos viver nossa vida inteira perante a face de Deus, sob a autoridade de Deus, e para sua glória somente.

Negamos que possamos apropriadamente glorificar a Deus se nosso culto for confundido com entretenimento, se negligenciarmos ou a Lei ou o Evangelho em nossa pregação, ou se permitirmos que o afeiçoamento próprio, a auto-estima e a auto-realização se tornem opções alternativas ao evangelho.


Fonte: Declaração de Cambridge

domingo, 25 de maio de 2008

A SANTIFICAÇÃO DE UM PONTO DE VISTA REFORMADO

A SANTIFICAÇÃO DE UM PONTO DE VISTA REFORMADO
I Coríntios 6.9-11

Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, a Palavra de Deus está repleta de recomendação para que o povo de Deus viva uma vida de santidade. A santidade de Deus exige de seu povo uma vida também santa.

O Senhor Jesus afirmou – “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial”, Mt 5.48

O apóstolo Pedro exortou – “porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo.” I Pe 1.16

De acordo com o Breve Catecismo de Westminster, a santificação é: “Santificação é a obra da livre graça de Deus, pela qual somos renovados em todo o nosso ser, segundo a imagem de Deus, habilitados a morrer cada vez mais para o pecado e a viver para a retidão” (Breve Catecismo, pergunta 35).

Portanto, a santificação é uma mudança contínua operada por Deus em nós, livrando-nos dos hábitos pecaminosos e formando em nós afeições, disposições e virtudes semelhantes às de Cristo: “Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade. A mansidão, o domínio próprio; contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências”. Gl 5.22-24.

A santificação é uma real transformação e não mera aparência.

I. O SIGNIFICADO BÁSICO DA SANTIFICAÇÃO

O significado básico da santificação é separar para Deus, para o seu uso. Porém, esse ato, é operado por Deus naquele a quem Ele reivindica como sua propriedade, de maneira a torná-los semelhantes a “imagem do seu filho”: “E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”; Romanos 8.28-29

Esse processo, pelo qual somos crescentemente mudados naquilo que éramos outrora. Ocorre pela ação do Espírito que habita em nós: “E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo Jesus há de vivificar também os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita”. Rm 8.11.

Deus chama seus filhos para a santidade e, graciosamente, lhes dá o que Ele mesmo exige: “Porque esta é a vontade de Deus, a saber, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição, que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santidade e honra, não na paixão da concupiscência, como os gentios que não conhecem a Deus; I Ts 4.4-5;

Abstende-vos de toda espécie de mal. E o próprio Deus de paz vos santifique completamente; e o vosso espírito, e alma e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, e ele também o fará. I Ts 5.23-24.

II. SANTIFICAÇÃO E REGENERAÇÃO

As definições encontradas pelo teólogos tanto para a santificação, como para a regeneração apresentam semelhanças, contudo, há um limite para ambos.

1. Regeneração
Regeneração é nascimento. Na regeneração, Deus implanta em nós desejos que antes não tínhamos – desejo para Deus, desejos pela santidade e de glorificar a Deus; desejos de orar e de cultuar; desejo de amar e de fazer o bem aos outros. A regeneração é um ato instantâneo de Deus que leva a pessoa da morte para a vida (novo nascimento).

2. Santificação
A santificação é crescimento. Na santificação, o Espírito santo capacita o crente para cumprir seus novos e santos desejos: “De sorte que, meus amados, do modo como sempre obedecestes, não como na minha presença somente, mas muito mais agora na minha ausência, efetuai a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade. Fp 2.12-13.

A santificação é um processo constante, que depende da ação contínua de Deus no crente, e consiste na contínua luta do crente contra o pecado: “Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas vou prosseguindo, para ver se poderei alcançar aquilo para o que fui também alcançado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo pelo prêmio da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus. Fp 3.12-14.

III. A SANTIFICAÇÃO E A CARNE

“Esta santificação é no homem todo, porém imperfeita nesta vida; ainda persistem em todas as partes dele resto de corrupção, e daí nasce uma guerra contínua e irreconciliável – a carne lutando contra o Espírito e o Espírito contra a carne”. (Confissão de Fé de Westminster, capítulo XII.II – Rm 7.19,23; Gl 5.17; I Pe 2.11).

Os crentes encontram dentro de si mesmos impulsos contraditórios: Pois o que faço, não o entendo; porque o que quero, isso não pratico; mas o que aborreço, isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Agora, porém, não sou mais eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer o bem está em mim, mas o efetuá-lo não está. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Rm 7.15-20.

O Espírito Santo sustenta os desejos e propósitos regenerados, porém, os instintos decaídos (a carne) obstruem o caminho e arrasta-o para trás. Esse conflito e frustração acompanharão os crentes enquanto viverem no corpo. Contudo, vigiando e orando contra a tentação e cultivando virtudes opostas ao pecado, eles podem, através da ajuda do Espírito santo, “mortificar” maus hábitos específicos.

Concluindo, afirmamos que o Senhor Jesus Cristo, requer a perfeição do homem - “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial”, Mt 5.48. Contudo, Ele provê santidade mediante p seu perfeito sacrifício, que removeu para sempre os pecados do seu povo, Hb 9-10.

O Espírito Santo inscreve as leis morais de Deus em seus corações: Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, Hb 12.14

domingo, 13 de janeiro de 2008

A Santidade de Deus

A SANTIDADE DE DEUS
Levítico 11.44-45

(Estudo ministrado no Culto de Doutrina da Igreja Presbiteriana de Cruz das Armas em João Pessoa, Paraíba)

Não podemos nunca nos aprofundar em pesquisa ou estudo sobre santidade, sem antes procurarmos entender “A Santidade de Deus”.

Nas Escrituras a idéia de santidade se aplica antes de tudo a Deus.

O que é Santidade de Deus?

a) A. B. Langston define assim – “A santidade é a plenitude gloriosa da excelência moral de Deus, princípio básico de suas ações e aferidor único e verdadeiro de suas criaturas” (A. B. Langston, Esboço de Teologia Sistemática, pág. 67).

b) Henry C. Thielsen afirmou que - “Com santidade de Deus queremos dizer que Ele é absolutamente separado de todas asa suas criaturas e exaltado sobre elas, e que Ele é igualmente separado da iniquidade moral e do pecado” (Henry C. Thielsen – Palestra em Teologia Sistemática, pág. 81).

A SANTIDADE DE DEUS EM RELAÇÃO A DEUS E AO HOMEM

1. Em relação a Deus

A santidade é a perfeita bondade de Deus, ou em outras palavras, e a soma de todos as suas qualidades morais. Deus possui, todas as qualidades que se podem encontrar num ser moral. Nele todas as qualidades estão perfeitas e harmonicamente distribuídas. A sua santidade é o resultado destas qualidades morais.

É importante acrescentar que toda a ação divina concorda sempre de maneira perfeita com o seu caráter, com os sentimentos mais íntimos do seu coração.
Resumindo – o que Deus faz nunca desmente o que Ele é (o contrário do homem).

2. Em relação ao homem

A santidade de Deus em relação ao homem é determinada de três formas:

A santidade determina o alvo de Deus.
A santidade determina o alvo para onde Deus tem em vista conduzir todas as coisas, ou seja, Deus quer tornar a raça à sua imagem: “E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”, Rm 8.28-29

Deus exige santidade
Desde que a santidade determina o fim da criação concluímos que Deus exige que sejam santos e bons todos os seres capazes de santidade e bondade: “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial”. Mt 5.48

Deus é santo e exige que sejamos santos como Ele o é.
Isto não significa que a santidade do homem seja perfeita como é Deus, porque o homem é finito. Há no homem o querer e o poder, mas nem sempre o efetivá-lo. O homem não pode ser santo como Deus, senão no seu querer. Dependendo de si mesmo, o homem só poderia esperar a condenação diante da santidade de Deus.

A santidade ocupa o primeiro lugar entre os atributos de Deus, e devido, a natureza fundamental deste atributo, a santidade de Deus deveria ser considerada mais do que seu amor, poder e vontade.

Santidade é o princípio regulador desses três; pois seu trono é estabelecido com base em sua santidade: “Justiça e juízo são a base do teu trono; benignidade e verdade vão adiante de ti”, Sl 89.14.

Deveríamos aprender três fatos importantes pelo fato de Deus ser Santo!

1. Existe um abismo entre Deus e o pecador
“mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça”, Isaías 59.1-2

Não apenas está o pecador separado de Deus, mas Deus está separado do pecador. Antes do advento do pecado, o homem e Deus tinham comunhão um com o outro; agora, essa comunhão está quebrada e se tornou impossível.

2.O homem tem que se aproximar de Deus pêlos méritos de um outro.
O homem nem possui, nem pode adquirir a necessária ausência de pecado para ter acesso a Deus. Mas Cristo veio e tornou-se esse acesso possível: “Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, por quem obtivemos também nosso acesso pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e gloriemo-nos na esperança da glória de Deus”. Rm 5.1-2

“Tendo pois, irmãos, ousadia para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus, pelo caminho que ele nos inaugurou, caminho novo e vivo, através do véu, isto é, da sua carne, Hb 10.19-20

3. Devemos nos aproximar de Deus “com reverência e santo temor”
“Pelo que, recebendo nós um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e temor; pois o nosso Deus é um fogo consumidor”. Hb 12.28-29

Opiniões certas sobre a santidade de Deus levam a opiniões certas a respeito do pecado:

“Então disse eu: Ai de mim! pois estou perdido; porque sou homem de lábios impuros, e habito no meio dum povo de impuros lábios; e os meus olhos viram o rei, o Senhor dos exércitos! Então voou para mim um dos serafins, trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz; e com a brasa tocou-me a boca, e disse: Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniqüidade foi tirada, e perdoado o teu pecado. Is 6.5-7.

Humilhação e contrição e confissão brotam de um visão bíblia da santidade de Deus.

Concluindo, afirmamos que a santidade de Deus indica que ele é absolutamente puro e perfeito, sem qualquer pecado ou maldade; seu próprio ser é o resplendor e o derramamento da pureza, da verdade, da justiça, da retidão, da bondade e toda perfeição moral.

“A santidade é aquele atributo em virtude do qual Deus faz de si mesmo o padrão absoluto de si mesmo”- Godet.

CD - É PROIBIDO PENSAR de João Alexandre: Comentários


No final dos anos 60 teve início o grupo Vencedores por Cristo, sob a liderança do missionário Jaime Kemp. A iniciativa almejava ser mais do que apenas um grupo musical, mas também um celeiro para que universitários e pré-universitários pudessem usar a música como um instrumento para falar do amor de Deus.

Até os anos 80 mais de 450 pessoas haviam passado pelas equipes VPC. Neste período surgiu uma série de grupos com uma proposta sonora pioneira para a época. Entre eles, Milad, Logos, Rebanhão (com Janires, Carlinhos Félix, Zé Canuto e Pedro Braconot), Coral Renascer, Shirley Carvalhaes, Luiz de Carvalho, entre outros, que passaram a mudar o cenário musical evangélico.

Em 1986 o grupo Milad gravou seu primeiro álbum. Ainda se chamavam Água Viva e assim como seu contemporâneo, o grupo Logos, liderado pelo pastor Paulo César (ex grupo Ello) também realizavam apresentações evangelísticas. Entre os seus membros estava João Alexandre, que hoje é sinônimo de musica cristã com qualidade e comprometimento com os princípios bíblicos.

Ainda nos anos 80 João Alexandre descreveu o Brasil em verso e prosa. Naquela época, a canção “Pra cima Brasil” virou hit nas igrejas e até fora delas. Tinha uma letra bonita que versava sobre críticas sociais, que explicavam o repúdio de um cidadão inconformado e preocupado com o futuro da nação.

Em 2007, com quase 25 anos de carreira, ele está em fase de divulgação de seu décimo quarto trabalho, o polêmico “É proibido pensar”, desta vez não só indignado com a corrupção do país, mas também com a superficialidade nas atitudes e postura da Igreja que esta tendo reflexo nas letras da música gospel nacional.

O álbum foi gravado entre julho e setembro de 2007 e esta sendo distribuído pela VPC.

O repertório tem início com Na Tua presença que traz uma interpretação violão e voz de João. O hino é uma confissão comum a todos os cristãos do mundo que versa sobre o lugar de onde nunca deveríamos sair.

Credo apostólico é uma adaptação de uma letra de Stênio Nogueira. A canção que exalta a Divina Trindade (Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo) vem com um belo arranjo de cordas.

Uma parceria entre João e Guilherme Keer gerou Te vejo poeta. O louvor é uma poesia belíssima. “Te vejo poeta, quando nasce o dia e no fim do dia, quando a noite vem. Te vejo poeta na flor escondida...Contudo um poema, Tua obra de arte, destacasse à parte, numa cruz vulgar”. Entenderam?

A VPC também está distribuindo o novo álbum de Guilherme que tem como título esta canção. O disco lançado em 2007 vem com play back incluso.

“Deus tem Seus colaboradores diretos quando se trata de Seus filhos!” Anjos é outro hino de Stênio Nogueira. Neste ele versa sobre casos relatados na Bíblia onde a participação dos anjos foi marcante na vida das pessoas.

Num álbum desses todas as músicas se destacam, mas Feirante é sensacional. Poesia linda com tema inusitado, além de ritmo brasileiro cativante e envolvente. De certa forma relembra um pouco a canção “Casa grande” do cd “Voz, violão e algo mais”.

A música é uma homenagem aos feirantes, mas traz uma mensagem bíblica embutida nas entrelinhas de sua letra. Diz assim no encarte:

“Nesta canção, o compositor juntou todos os conselhos de sua avó feirante e decidiu, em forma de poesia, perpetuá-los numa melodia rica de harmonia simples! Quem sabe, a coroa da vida seja "um sonho de açúcar mascavo embrulhado num papel de seda azul" e o Céu seja a "Quitanda da esperança", onde um dia nos encontraremos”.

Paz e comunhão versa sobre hospitalidade e dos frutos provenientes de vivermos em harmonia com familiares, amigos e vizinhos. Como não podia deixar de ser, tudo de forma bem poética.

A faixa título é a quem tem gerado certa polêmica por causa da letra. Confesso que também fiquei surpreso ao ouvir a crítica do João. Mas creio que não se deve fazer tempestade em um copo de água, até porque a música não cita ninguém diretamente.

Se percebermos bem, a música foi feita não como uma crítica, mas como um alerta para a infertilidade do pensamento cristão que tem sido observado no excesso de repetições de temas na música gospel nacional. Trata também de forma bem sutil da comercialização do evangelho e o que isso causado no nosso meio. A questão levantada na letra são alguns erros doutrinários e não o fato dele gostar ou não de determinado ministério.

Polêmicas a parte, musicalmente falando É proibido pensar tem uma pegada contagiante. Excelente!

Veja a letra:

“Procuro alguém pra resolver meu problema
Pois não consigo me encaixar neste esquema
São sempre variações do mesmo tema
Mera repetições
A extravagâncias vem de todos os lados
E faz chover profetas apaixonados
Morrendo em pé rompendo a fé dos cansados
Com suas canções
Está de bem com vida é muito mais que renascer
Deus já me deu sua palavra
E é por ela que ainda guio o meu viver
Reconstruindo o que jesus derrubou
Re-costurando o véu que a cruz já rasgou
Ressuscitando a lei pisando na graça
Negociando com Deus
No show da fé milagre é tão natural
Que até pregar com a mesma voz é normal
Nesse evangeliquez universal
Se apossando do céus
Estão distantes do trono,caçadores de Deus
Ao som de um shofar
E mais um ídolo importado dita as regras
Pra nos escravizar.
É proibido pensar (5x)

Pai nosso é uma regravação que também esteve no repertório do disco “O melhor de João Alexandre”. O texto é baseado na oração ensinada por Jesus e registrada em Mateus 6 e Lucas 11.

A seguir temos o hino tradicional Que segurança de autoria de Jane Fanny Crosby. Este hino foi composto por esta mulher que era cega e mesmo assim “enxergava” através da luz da esperança e encontrava sua segurança nos braços do Pai, onde sua alma podia cantar em louvor a Ele.

Num álbum deste naipe não podia faltar um sambinha. Trabalho/Esperança é outro fruto da parceria com Guilherme Keer. E que fruto! “A vida é muito curta para ser desperdiçada. Na batalha diária de todos nós, sem exceção, o melhor é correr atrás do que é eterno, já que do pó viemos e ao pó voltaremos”.

Vou pescar confirma Stênio Nogueira como um dos maiores compositores evangélicos do Brasil. O hino, inspirado na passagem relatada em João 21, onde Jesus aparece a Pedro depois de ressuscitado, é uma composição muito bela. Os arranjos do naipe de cordas dão um toque a mais na canção.

O repertório termina com O que bem quiseres que é uma oração de contrição e entrega a Deus de nosso coração, leia-se aqui, vontades e desejos.

Além deste novo trabalho a VPC também está distribuindo o livro Músico – profissão ou ministério, escrito em parceria com Luciano Garruti Filho.