terça-feira, 26 de junho de 2007

Gratidão

O homem por detrás do balcão olhava a rua de forma distraída. Uma garotinha se aproximou da loja e amassou o narizinho contra o vidro da vitrine. Os olhos da cor do céu, brilhavam quando viu um determinado objeto. Entrou na loja e pediu para ver o colar de turquesa azul.
- É para minha irmã. Pode fazer um pacote bem bonito? Diz ela.
O dono da loja olhou desconfiado para a garotinha e lhe perguntou:
- Quanto de dinheiro você tem?
Sem hesitar, ela tirou do bolso da saia um lenço todo amarradinho e foi desfazendo os nós. Colocou-o sobre o balcão e feliz, disse:
- Isso dá?
Eram apenas algumas moedas que ela exibia orgulhosa.
- Sabe, quero dar este presente para minha irmã mais velha. Desde que morreu nossa mãe ela cuida da gente e não tem tempo para ela. É aniversário dela e tenho certeza que ficará feliz com o colar que é da cor de seus olhos.

O homem foi para o interior da loja, colocou o colar em um estojo, embrulhou com um vistoso papel vermelho e fez um laço caprichado com uma fita verde.
- Tome! Disse para a garota. Leve com cuidado.
Ela saiu feliz saltitando pela rua abaixo. Ainda não acabara o dia quando uma linda jovem de cabelos loiros e maravilhosos olhos azuis adentrou a loja. Colocou sobre o balcão o já conhecido embrulho desfeito e indagou:
- Este colar foi comprado aqui?
- Sim senhora.
- E quanto custou?
- Ah!, falou o dono da loja. O preço de qualquer produto da minha loja é sempre um assunto confidencial entre o vendedor e o cliente.

A moça continuou:
- Mas minha irmã tinha somente algumas moedas! O colar é verdadeiro, não é? Ela não teria dinheiro para pagá-lo!
O homem tomou o estojo, refez o embrulho com extremo carinho, colocou a fita e o devolveu à jovem.
- Ela pagou o preço mais alto que qualquer pessoa pode pagar. ELA DEU TUDO O QUE TINHA.

O silêncio encheu a pequena loja e duas lágrimas rolaram pela face emocionada da jovem enquanto suas mãos tomavam o pequeno embrulho.

"A verdadeira doação é dar-se por inteiro, sem restrições. Gratidão de quem ama não coloca limites para os gestos de ternura. Seja sempre grato, mas não espere pelo reconhecimento de ninguém. Gratidão com amor não apenas aquece quem recebe, como reconforta quem oferece."

Seja grato

Castelo de Areia

O Salmista Davi escreveu no salmo 127.1: “Se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela”.

Imaginem a casa mais linda que puderem. A moradia ideal. Com o tamanho que vocês quiserem, da cor preferida, de acordo com as linhas arquitetônicas que mais lhe agradarem. Não pensem no que teriam que gastar com as despesas que ela traria, ou quanto viria custar, apenas pensem numa casa maravilhosa, útil e prática. A casa perfeita.

Agora, imaginem a cidade mais segura que puderem. As leis são obedecidas em 100%. Não há perigo nas ruas. O policiamento é eficaz, respeitado e bem remunerado. Não há grades nas janelas, e todos ficam batendo papo até tarde da noite nas ruas.

Pensaram em tudo isso?

Agora, naquela casa perfeita, imaginem uma pessoa seqüestrada. Ela está escondida no porão, amarrada, no escuro, com fome e com medo de ser morta a qualquer instante. É uma bela casa, mas não um lar.

Naquela cidade perfeita, imaginem a queda de uma bomba atômica. Que policial pode evitar o desastre?

Quando o salmista escreve este texto “Se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela”. Ele não está apenas fazendo referência a casas e cidades. Na verdade, quem escreveu este salmo foi Salomão, rei de Israel. Aí está alguém que tinha uma bela casa, segurança e a consciência de escrever: “Se não fosse Deus, este castelo e minha vida estariam em ruínas”. E mais: nos faz pensar em nossas próprias vidas.

É comum fazermos projetos, trabalharmos, estudarmos, comermos, conversarmos... até respirarmos. E de onde vem os méritos?

Se não fosse a misericórdia do Senhor, tudo isso seria nada. Nunca sairíamos do lugar. Certamente, estaríamos mortos.

O fato é que nós, como seres humanos, sofremos de um terrível mal: somos sujeitos a cair em nossa própria vanglória. Com nossas realizações, nos sentimos os próprios super-seres do Universo. Por mais duro que possa parecer, é nessas horas que devemos dar uma passadinha numa UTI de hospital e percebermos que aquela pessoa que respira com ajuda de aparelhos em nada difere de nós, e que aquele que sofre com dores intermináveis por causa do tratamento de quimioterapia tem um corpo exatamente igual o nosso.

É essa a hora de irmos até mesmo a um cemitério e lembrarmos que a única diferença que existe entre nós e eles é que eles, na maioria, viveram mais tempo do que nós.

Apelação?

Pessimismo?

De forma alguma.

Mas é hora de pararmos de nos encher de ouro, tocarmos trombetas à nossa volta quando conseguimos algo e, humildemente, dizermos em oração: “Senhor, obrigado por ter me abençoado”.

São Tiago escreveu: “Atendei, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros. Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo”

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Vencendo a Morte

Não há solução para o problema da morte que os profissionais da saúde mental chamam de:

“a angustia básica de todo ser humano” (Ana Maria de Sousa Barbosa)

“a grande neurose das civilizações” (Roberto Chabo)

“uma das mais teimosas e iniludíveis manifestações da finidade e impotência humana, um fenômeno que não admite exceções” (J. J. Tanayo)

“A mais fria anti-utopia” (Block).

Em seu livro "Deus sabe que sofremos", Philip Yancey acrescenta que “a morte é um túnel assustado e nós somos sugados para dentro dele por força poderosa”.

Por maiores e mais brilhantes que sejam, não serão os avanços da ciência, da engenharia genética e particularmente da medicina que vão livrar você da morte.

A Bíblia assevera há muito tempo que “ninguém tem poder sobre o dia de sua morte” (Ec 8.8).

Ao mesmo tempo, só a Bíblia e os autores por ela influenciados fornecem não uma pálida esperança, mas uma trabalhada esperança de vitória sobre a morte.

É ai que entra a figura de Jesus Cristo. Ele é apresentado como aquele que “tornou inoperante a morte e trouxe á luz a vida e a imortalidade por meio de Evangelho” (2 Tm 1.10, NVI). Em outras versões, diz-se que Jesus “acabou com o poder da morte” (NTLH), “venceu a morte” (EP), “quebrou o poder da morte” (BV) ou “destruiu a morte” (EPC, CNBB e TEB).

Outra passagem garante que Jesus destruiu “aquele que tinha o poder da morte, a saber, o Diabo” para “libertar aqueles que durante toda a vida estiveram escravizados pelo medo da morte” (Hb 2.14-15).

Não há outra solução nem outra esperança para problema da morte. Em Jesus você pode confiar, porque Ele está destruindo todos os poderes anti-Deus e até a mais fria de todas as anti-utopias. Esta, a morte, é o último inimigo a ser reduzidos a nada (1 Co 15.25-26).

O Poder do Sangue - Devocional


Não é o sangue de Abel, o primeiro a ser derramado sobre a terra (Gn 4.10).
Não é o sangue de um de cordeiro sem defeito passado nas laterais e nas vigas superiores das portas das casas dos israelitas na noite da saída do Egito (Ex 12.7).
Não é o sangue de bode que o sacerdote oferecia em oferta pelo pecado e levava para dentro do santo dos santos no grande dia da expedição (Lv 16.15).
Não é o sangue de carneiro, novinhos e touros seguidamente oferecidos ao senhor. Não é qualquer sangue que pode remover pecados (Hb 10.4).

O único sangue que tem o poder de aplacar a ira de Deus e produzir perdão e purificação é o sangue de Jesus Cristo.

Daí a palavra de Jesus: “ Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna, e eu ressuscitarei no último dia” (Jo 6.54).
Daí a palavra de João Batista ao refere-se a Jesus “ Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29).
Daí a palavra de João: “Se andarmos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu filho nos purifica de todo o pecado” (1 Jo 1.7)
Daí o novo cântico pelos quatro seres vivente e pelos vinte e quatro anciãos em louvor a Jesus Cristo: “Digno és de tomar o livro e abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de tua tribo, língua, povo e nação” (Ap 5.9).

É no sangue de Cristo, no sangue do Cordeiro com “C” maiúsculo (Ap 12.11), no sangue da cruz de Cristo (Cl 1.20), no sangue da eterna aliança (Hb 13.20) – que lavamos nossas vestiduras para entrarmos com Ele na presença de Deus!

Os Caminhos da Compaixão

Compaixão é a virtude que nos permite entrar e participar da dor e da necessidade dos outros. É também a capacidade de preservar nossa humanidade, na medida em que entramos e participamos da vida do outro, com suas limitações, lutas, ambigüidades e sofrimentos, percebemos que não somos diferentes. Por outro lado, a sociedade em que vivemos estimula mais a competição do que a compaixão, intensificando o abismo entre os seres humanos. Na medida em que precisamos nos mostrar melhores, mais competentes, eficientes e fortes do que os outros nos afastamos deles e, ao invés de olhar para o próximo como alguém semelhante a nós, vemo-lo com desconfiança, cinismo e medo.

A forma como Deus escolheu nos salvar e redimir não foi pela via do poder ou da eliminação do sofrimento, muito pelo contrário – ele escolheu enviar seu Filho para partilhar conosco nossa dor e sofrimento. Deus tornou-se humano em Cristo para viver entre nós e compartilhar conosco sua vida e amor. Encontramos em Jesus alguém que experimentou todas as nossas fraquezas, sofrimentos, dores e tentações e, mesmo sem nenhum pecado, participou da nossa condição humana pecadora tão completamente a ponto de assumir sobre si nossos pecados e enfermidades como se fossem seus. Esta capacidade de se envolver e absorver aquilo que é nosso como se fosse seu é o que a Bíblia chama de compaixão. Jesus não veio para se mostrar melhor do que nós, mas para ser como nós. Mesmo sendo Deus eterno, fez-se homem entre nós e sofreu a nossa dor.

Jesus, certa vez, disse: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mateus 11.28-30). Trata-se, sem dúvida, de um convite extravagante e generoso, cheio de amor e compaixão – logo, um convite raro nos dias de hoje. Certamente, Jesus se dirigia a um público semelhante àquele ao qual ele um dia olhou e se compadeceu porque eram como ovelhas que não tinham pastor. Gente sofrida, confusa, perdida, aprisionada. No entanto, ao invés de rejeitá-los, como a maioria de nós naturalmente faz, ele os convida para se juntarem a ele, e mais, para trazerem seus fardos e seu cansaço, oferecendo-lhes descanso e alívio para suas almas.

O descanso que Jesus oferece não é eliminando o cansaço ou exorcizando o sofrimento, mas oferecendo-se para caminhar conosco no caminho da dor. É isso o que significa tomar sobre nós o jugo dele. Neste caminhar, vamos aprendendo com ele no exercício da humildade e da mansidão, o jeito dele de lidar com as adversidades e o cansaço da alma. Jesus foi “homem de dores”; ele experimentou o sofrimento como ninguém jamais experimentou. Experimentou a traição, o abandono, a incompreensão, a rejeição, a dor física, moral e espiritual. No entanto, em seu caminho para o Calvário, ele enfrentou cada situação com humildade e mansidão.

Ele não se oferece para, num passe de mágica, eliminar nossa dor e cansaço, mas se oferece para caminhar ao nosso lado e nos ensinar a enfrentá-la, a lidar com ela, não a rejeitando, mas acolhendo-a com mansidão e humildade.

Nossa natureza é muito egoísta. Tentamos ser, quando muito, simpáticos com os outros, mas a simpatia é um sentimento que perdeu seu significado. Quando alguém tenta demonstrar simpatia, assume normalmente uma atitude de superioridade, como quem olha por cima e tenta compreender o que acontece, mas sem se envolver pessoalmente e emocionalmente. É muito comum ver esse tipo de simpatia em períodos eleitorais, onde políticos saem de seus gabinetes e tiram seus ternos para demonstrar “simpatia” para com o povo. Eles vão às favelas, passeiam pelas feiras populares, cumprimentam o povo, provam de sua comida, entram nos hospitais e posam para os fotógrafos ao lado dos enfermos. Fazem promessas e mostram sua indignidade com as condições precárias de moradia, educação, saúde e segurança; uma vez eleitos, procuram demonstrar sua simpatia com discursos e projetos populares, mas continuam apenas simpáticos – em seus mandatos, não se envolvem e nem partilham da dor e do sofrimento do pobre.

A compaixão é uma expressão forte, pessoal, evangélica. Requer envolvimento, participação, solidariedade.

Jesus compadeceu-se da multidão faminta e providenciou-lhes alimento. Ficou profundamente compadecido quando viu um homem doente de lepra, tocou nele e o curou.

Da mesma forma, ao ver o sofrimento de um homem dominado por espíritos imundos, Jesus teve compaixão e o libertou, devolvendo sua sanidade e humanidade. Compaixão foi uma das marcas da vida e ministério de Jesus. Sua capacidade de ver, sentir, acolher e envolver-se com a dor e aflição do outro caracterizou sua passagem entre nós.

Como poderemos nos tornar mais compassivos diante da impessoalidade, competitividade e superficialidade da cultura moderna?

Como romper com a ansiedade, insegurança e medo que nos envolve cada dia mais e nos transforma em seres obcecados pela luta da “sobrevivência”, tornando-nos competitivos, arrogantes e sempre preocupados em “vencer”?

O caminho para a liberdade e justiça passa pela compaixão. Precisamos voltar nossos olhos para o Evangelho de Cristo e, mais uma vez, sermos transformados por ele. O apelo do apóstolo Paulo, quando pede para “não nos conformarmos com o mundo, mas para sermos transformados pela renovação da mente”, é profundamente atual. Não podemos deixar que a cultura moderna, com seu apelo ao egoísmo e à competitividade, modele nossa mente e nos faça olhar para o outro apenas com uma “simpatia” distante e impessoal.

Fomos criados e salvos para amar e nos doar, e o chamado para a compaixão é a forma como o amor e a doação são encarnados. Dar pão a quem tem fome e água a quem tem sede, envolver-se com o enfermo e acolher o estranho, visitar o preso e vestir o nu, são algumas formas que Jesus nos apresenta para o exercício da compaixão. Talvez, uma síntese de tudo isto é a necessidade de aprendermos a nos alegrar com os que estão alegres e chorar com os que choram, como nos recomendam as Escrituras.