terça-feira, 1 de maio de 2007

A Face de Deus


Os seres humanos não têm permissão para ver a face de Deus. As Escrituras advertem que ninguém pode vê-lo e continuar vivo. Lembremos o pedido de Moisés quando subiu a montanha santa. Ele havia sido testemunha de milagres surpreendentes. Ouvira a voz de Deus falando com ele da sarça ardente. Vira o rio Nilo tornar-se sangue. Provara o maná dos céus. Contemplara a coluna de nuvem e a de fogo. Vira as carruagens de faraó inundadas pelas águas do Mar Vermelho. No entanto ainda não estava satisfeito. Queria mais. Anelava por uma experiência espiritual suprema. Então pediu ao Senhor na montanha que lhe permitisse ver sua face: “Rogo-te que me mostres a tua glória”. Contudo Deus não atendeu ao seu pedido e respondeu-lhe:

“Farei passar toda a minha bondade diante de ti e te proclamarei o nome do SENHOR; terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me compadecerei de quem eu me compadecer. E acrescentou: Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá. Disse mais o SENHOR: Eis aqui um lugar junto a mim; e tu estarás sobre a penha. Quando passar a minha glória, eu te porei numa fenda da penha e com a mão te cobrirei, até que eu tenha passado. Depois, em tirando eu a mão, tu me verás pelas costas; mas a minha face não se verá” (Ex 33.19-23).

Contudo, a principal meta de todo cristão é poder ver o que foi negado a Moisés. Queremos encará-lo face a face. Queremos aquecer-nos na glória radiante de seu semblante divino. Essa era a esperança de todo judeu; uma esperança instilada pela bênção que Israel mais conhecia e amava.

“O SENHOR te abençoe e te guarde; o SENHOR faça resplandecer o rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti; o SENHOR sobre ti levante o rosto e te dê a paz” (Nm 6.24-26).

Essa esperança, cristalizada na bênção de Israel, torna-se uma promessa para o cristão. João, em sua primeira carta, diz:

“Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é” (I Jo 3.2).

A promessa de Deus é que o veremos como ele é. Os teólogos chamam essa expectativa de visão beatífica. Isso significa que um dia contemplaremos face a face. Não veremos a glória refletida em uma sarça ardente nem uma coluna de fogo, mas o conheceremos como ele é de fato em sua pura essência divina.

Agora é impossível vermos Deus em sua essência pura. Para que isso pudesse acontecer, precisaríamos ser purificados. Quando Jesus ensinou as bem-aventuranças, prometeu a visão de Deus a um grupo distinto:

“Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus” (Mt 5.8).

Ninguém neste mundo é puro de coração. É a nossa impureza que nos impede de ver a Deus. O problema não está em nossos olhos, mas em nosso coração. Só poderemos contemplar Deus face a face depois que formos purificados e totalmente santificados nos céus.

Enquanto isso: “E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro” (I Jo 3.3).

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