terça-feira, 27 de março de 2007

A Teologia da Solidão


A internet está cada vez mais na moda. São milhões de internautas todos os dias conectando-se, trocando informações, trocando mensagens via e-mail, etc. Em qualquer grande site você sempre encontra uma ou mais “salas de bate papo”, onde pode fazer novas amizades ou até encontrar uma “cara metade”. Porque as pessoas recorrem a esses serviços na internet? A resposta é simples – é porque sentem algo que é uma das maiores fontes de sofrimento para o ser humano – A SOLIDÃO!

A solidão é a grande companheira do ser humano, é uma das características da vida moderna, e teve início na natureza pecaminosa do homem. A solidão é o grande drama do século XXI. Já rendeu muitas letras de músicas, livros, filmes e sempre foi o grande tema do teatro. Muito mais que um problema espiritual ou psicológico, é também um fenômeno sócio cultural.

Vivemos em uma sociedade, cercado por milhões de pessoas. Os centros urbanos são locais de grande aglomeração humana, porém, também são onde encontramos os maiores focos de solidão. Porque solidão é uma separação emocional do outro. É a falta de interação e de comunicação emocional entre um individuo e o outro ser humano. O outro pode estar próximo geograficamente; no entanto, a solidão impede qualquer aproximação psicológica, afetiva. Tudo isso pode ocorrer com o solitário em meio à multidão: todos estão presentes e, ao mesmo tempo, estão distantes, próximos e, todavia separados. Porque a solidão não é a mesma coisa que estar só. A solidão é sentir-se só.

E muitos têm tentado resolver esse problema indo às festas, boates, teatros, diversões, viagens ou até mesmo se envolvendo em promiscuidade sexual. Mas, na maioria dos casos, tais expedientes só servem para acentuar ainda mais a sensação de vazio e solidão.

Dentro da concepção de Deus, a solidão é vista como algo que não deve ser permanente. O texto de Gn 2.18 nos diz que não é bom que o homem esteja só. O texto traduz o pensamento do Criador, ao formar a raça humana.

Todos precisam de um amigo, a quem podem contar as suas frustrações e tristezas, com quem podem compartilhar as suas alegrias e vitórias, que sirva de apoio na hora da fraqueza, e que exalte a sua força. Davi tinha Jônatas, Moisés tinha Josué, Elias tinha Eliseu. O próprio Jesus, no jardim do Getsemâni, pediu aos discípulos que fossem o seu sustento naquele momento de angústia.

A solidão está presente na vida do solteiro, do casado, na família, no enfermo, no idoso, no adolescente e até na criança. Muitas vezes a criança não é ouvida a respeito de suas necessidades, não recebe carinho, e não se sente compreendida.

A solidão é grave! Até recentemente, os psicólogos tendiam a subestimar o problema, considerando- uma espécie de resfriado emocional. Novos estudos, porém, apontam a solidão como fator importante no suicídio, consumo excessivo de álcool e várias doenças.
Um jornalista perguntou a Elvis Presley, seis semanas antes de sua morte: “Elvis, quando você começou a tocar, disse que queria três coisas na vida: ser rico, famoso e feliz. Você é feliz?” Elvis respondeu: “Não. Eu estou tão solitário como o inferno”.

O que é solidão?

“A solidão é fogo. A solidão devora. É amiga das horas, prima e irmã do vento, que faz nossos relógios caminharem lento, causando descompasso no meu coração”. Este trecho da canção de Alceu Valença, consegue descrever os sentimentos de uma pessoa que sente na pele o martírio de estar só e viver, num marasmo onde nada de novo ou de extraordinário acontece.

Os psicólogos definem quatro tipos de solidão: Transitória, situacional, crônica e parcial.

1. Solidão Transitória
Sentimos solidão transitória quando, depois de um dia duro de trabalho, temos a necessidades súbita de ter alguém com quem conversar. A solidão, mesmo sendo transitória, incomoda, porque em geral o homem teme ficar só. A pressão para manter-se socialmente ativo vai além do prazer da companhia alheia. As pessoas sempre se ajudam umas às outras a permanecerem ocupadas, para não se lembrarem de que estão vazias e que suas vidas não tem sentido. Pascal, teólogo e filosofo francês, observou a necessidade insaciável que o homem tem de fugir de si mesmo, lançando-se ao incessante movimento e diversão. Para evitar a solidão insuportável ele prefere o ruído, a balada e a movimentação.

2. Solidão Situacional
Já a solidão situacional ocorre quando alguém, com uma vida social estável, se vê privado dela por alguma circunstância, como por exemplo:

a) Uma mudança – As mudanças de cidade afetam a vida social. Para um universitário, é deixar o seu lar, seus amigos de infância e começar a vida numa nova cidade; para uma criança pode ser o primeiro dia de aula. Outro exemplo de solidão situacional:

b) São as perdas – as perdas são uma das grandes causa da solidão. Alguns perdem familiares para a morte, outros perdem amigos por causa de brigas e discussões, e outros perdem o companheiro de trabalho por causa de uma transferência. Não importam o tipo de perda, ela causa um vazio interior que parece impossível de ser preenchido novamente. Na opinião da psicóloga Kiev Marques, que atende no Centro de Atendimento Psicológico, em Patos, o fim de qualquer relacionamento, principalmente o conjugal, faz com que a pessoa mude totalmente seu ritmo de vida – diz ela que na realidade, a separação é uma perda, muitas vezes irreparável, que leva o individuo a sofrer muito, sentir a falta do outro e se sentir só. As pessoas que se sentem só sofrem muito, porque não conseguem tomar iniciativas que a faça a sair da rotina que está vivendo.

O exemplo mais sério de solidão situacional, como já enfatizamos, é a solidão do casamento. As pessoas se casam para fugir da solidão, contudo, temos observado que o casamento tem sido alvo fácil para o ataque da solidão. Os casais muitas vezes passam os dias juntos, ou jantam juntos, compartilham a mesma cama, mas muitas vezes existe uma distância emocional, uma falta de intimidade e cumplicidade. Muitas vezes não conversam, não falam de si, não se comunicam. E essa falta de comunicação gera a solidão do casamento.

Uma enquête feita pela USP mostrou que 75% das pessoas se sentem bem se nunca se casassem pela primeira ou segunda vez. Os mais solitários de todos os entrevistados eram os casados que não amavam mais os companheiros, mas continuavam morando com eles.

A solidão do casamento gera melancolia, profunda tristeza, rejeição, sensação de abandono e desamparo. Esta é a pior da solidão – a solidão do casamento.

3. Solidão Crônica

A solidão que persiste depois desse período é considerada crônica. Acredita-se que esses solitários de longo tempo tenham problemas de relacionamentos com outras pessoas. Como por exemplo:

a) Pessoas com espírito de competição – esse negócio de um quer ser melhor do que outro acaba quebrando as amizades e a pessoa ficando só, solitária.

b) Pessoas com problemas de comunicação – a falta de conversa sincera entre as pessoas gera conflitos e solidão.

A solidão pode levar a que a pessoa forme uma imagem negativa de si própria e julgue que ninguém a aprecia. A dor de estar só, é um dos preços a pagar pelo individualismo – que, na esteira do progresso material, hoje marca as relações humanas em diferentes âmbitos. Como por exemplo – o computador, a televisão, videocassete, DVD, entre outros equipamentos da era Hightech, propõe o isolamento. A televisão e o computador têm ocupado cada vez mais espaço que antigamente era dos amigos, parentes e vizinhos. Isso tem tirado um confortante sentimento de integração à comunidade, de pertencer a um grupo social específico.

4. Solidão Parcial
Podemos vivenciar também uma solidão parcial, se temos uma vida social satisfatória mas nos falta uma ligação mais íntima ou, ao contrário, um casamento feliz mas sem amigos.

Os Males provocados pela Solidão

Uma enquête de saúde pública feita pela USP com 10 mil pessoas mostrou: os que vivem sozinhos e são solitárias estão mais sujeitos ao câncer e doenças infecciosas de todos os tipos. Ainda não se sabe de que maneira a solidão enfraquece a saúde. Talvez ela própria cause doenças ou, então, possa ser o comportamento que as pessoas solitárias passam a ter, como o grande uso de drogas e álcool, que, por sua vez, afetam o sistema imunológico. A solidão é também responsável por uma série de problemas psicológicos. Pessoas que culpam os outros por sua falta de amizade, dizendo a si mesmas que todos são egoístas, tornam-se raivosas e amargas. Por outro lado, os que se culpam pela ausência de amigos tendem a depressão. Estes sentimentos negativos acreditam os especialistas, levam os solitários a tomar tranqüilizantes ou drogas mais pesadas, abusar do álcool ou comer demais. Os consultórios de psicoterapeutas estão abarrotados de pessoas que buscam compreender a solidão. E tem outro mal da solidão muito sério – A solidão, muitas vezes, faz com que a pessoa perca o estímulo para viver. As estatísticas confirmam que solteiros e divorciados tem mais possibilidade de cometer suicídio. A própria enquete da USP, informa que dos 25.560 suicídios da década de 90, cerca de 65% foram motivados pela solidão. Geralmente, os casos de suicídios acontece com os aqueles que sofrem de solidão crônica. A solidão crônica que já foi definida como um sentimento de perda que não tem fim. O solitário nunca se livra do sentimento de luto, nunca desperta do passado. No pensamento freudiano, o solitário se isola até atingir a solidão metafísica, ou seja, o mundo para ele, é pobre de sentido. O solitário em um mundo cheio de aparatos, de computadores e de máquinas pode afinal terminar a sua existência sem que ninguém se dê conta de sua passagem.

Quem se torna solitários?

O que é capaz de fazer pessoas perfeitamente normais mergulharem, de repente, no abismo da solidão? Alguns grupos são particularmente vulneráveis à solidão:

1. Pessoas Idosas
Na velhice a solidão pode atacar mais forte. O tempo está se esgotando, muitos amigos já partiram, os filhos deixaram o lar, a saúde já não é a mesma, as ambições estão reduzidas. O idoso exige bastante atenção, porque pode cair facilmente na tristeza da solidão.

2. Ausência de amigos
Todo ser humano precisa de um companheiro, em níveis diferentes de relacionamentos. Contudo, a solidão crônica costuma disfarçar-se de falta de aceitação social do solitário: “eu sou sem graça”, “não tenho valor”, “sou tolo”... mas, segundo os psicólogos, os solitários é que tendem a não gostar dos outros e dizer não serem apreciados por eles. Também há muitos que sofrem com o medo da intimidade. A proximidade real os torna ansiosos, talvez porque perdas anteriores os tornaram desconfiados ou porque a carência afetiva os fez invejosos e ressentidos. Resultado – embora estejam loucos para encontrar um amigo, agem de maneira a afastar todo mundo. O mais difícil de tudo é que os solitários costumam mostrar-se mais egocêntricos que os outros. As pessoas sociáveis dão aos outros tudo que podem – afeição, atenção e respeito – enquanto os solitários querem obter ajuda, aprovação, assim, como também a confirmação de uma idéia fixa – o mundo é um lugar hostil. Em outras palavras: eles tendem a reclamar de tudo.

3. Doentes terminais
As pessoas que estão doentes, principalmente em fase terminal, sofrem também de solidão. Na maioria das vezes não tem com quem falar sobre sua dor não contam com ninguém para apóiá-los na angústia, e desespero, e esse sentimento de abandono e rejeição pode fazer com que a doença progrida. Nem sempre a presença de um amigo ou familiar, uma palavra de carinho, um gesto afetuoso, resultará em cura da doença, mas poderá curar a dor emocional e a dor da solidão.

4. Alienação
O sentimento de alienação é devastador. Quando ninguém sustenta a nossa causa ou defende as nossas idéias, nos sentimos abandonados. Quando nos sentimos diferentes do grupo, quer seja na aparência física ou nas roupas que usamos, sentimo-nos alienados. Sentir solidão já é dolorido o suficiente, mas nos machuca mais quando atravessamos um momento difícil e ninguém se importa. Às vezes até zombam de nós.

Como lidar e vencer a solidão

Fugas não resolvem. O álcool e as drogas são fugas bastante procuradas. O trabalho excessivo também; pessoas buscam o ativismo para preencher todo o seu tempo e, assim, esquecer a tristeza. Alguns procuram fugir da solidão amorosa por meio de relacionamentos ilícitos; não importa com quem seja e nem por quanto tempo, contanto que se anestesie a solidão. Alguns encontram no consumismo a sua forma de fuga. Acham que a aquisição de algo novo vai reanimá-los. A solidão se estabelece como um hábito, uma atitude, e uma vez estabelecida será necessário um esforço da nossa parte para superá-lo. Às vezes é muito difícil vencer o hábito da solidão, ou mesmo superar o sentimento de estar só. Mas a bíblia sagrada, a Palavra de Deus, nos ensina a utilizar a solidão para produzir algo novo.

1. Reaja contra a baixa auto-estima.
Um dos primeiros efeitos da solidão é a baixa auto-estima. Pessoas se sentem impotentes e ficam abatidas. Isso geral auto-piedade e falta de zelo por si mesmo. Há muitos que deixam de cuidar de si mesmo, não comem direito, não se exercitam, não se veste bem. Essas pessoas precisam aprender a não sucumbir à baixo auto-estima. A bíblia diz em Filipenses 4:13 “tudo posso naquele que me fortalece”.

2. Não alimente a dor
Uma das piores reações é curtir a dor, alimentar a amargura. Gostar de sofrer complica tudo. Não adianta odiar as causa da solidão. Criar muralhas que nos afastam ainda mas das pessoas só vai piorar tudo. Além do mais, ninguém gosta de ficar ao redor de uma pessoa amarga e cheia de ódio. Procure ser útil para os outros. Não diga “Eu não tenho amigos”. Seja um amigo. Não construa paredes, mas pontes.

3. Reconheça a proximidade de Deus
Quando você sente solitário, onde está Deus? Onde sempre esteve, bem ao seu lado, pronto para fortalecê-lo. Deus está com você mesmo que você não o sinta próximo.

Jesus compreende a nossa solidão, pois ele mesmo sentiu-se só. A bíblia diz em Isaías 53.3: “Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso”. Ele foi rejeitado, primeiramente pelo seu próprio povo. Não recebeu apoio dos discípulos no jardim do getsemâni, foi traído por Judas, foi negado por Pedro e abandonado pelo seu próprio Pai celestial. E ele mesmo nos oferece conforto, dizendo:

“Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros”, Jô 14.18

“E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”, Mt 28.20.

Aproveite a fragilidade causada pela solidão e aproxime-se mais de Deus, tornando-se mais dependente e íntimo dele. Chegue-se a ele em oração e experimente quão aliviadora é a presença do nosso Senhor. O salmista declara: “Deus faz que o solitário more em família”.

Que Deus nos abençoe!

5 comentários:

almircon disse...

pois bem o texto e edificante contenue sim que a obra estara quase completa...

clene disse...

olá professor , gostei muito do blog muitos textos bons e de qualidade. não sei interagir muito nesse blogg minha praia é mesmo o orkut, mas estou aprendendo. graça e paz

vinicius disse...

acho isso muito verdade..., mas é muito fácil falar de Deus quando esta perto de ti. Por mim, na minha opinião ele nos deixou faz muito tempo. Pois falamos sempre de Deus ajudando a nós mesmos, mas onde esta ele na sociedade, nas desgraças que andam acontecendo no mundo... No meu caso de solidão ele nunca esteve comigo e sempre acreditei nele, e ele nunca apareceu ou me deu ao menos um sinal, durante sete anos estou assim tenteando escapar em meio há minha única força de mim mesmo, mais ninguem... Nunca encontrei uma força maior, mesmo que me esforcei para acreditar... Na minha concepção nada irá nos salvar, apenas nós mesmos e olha lá!. Sei disso por ser um ex-suicida... Com dezessete anos entreguei minha vida para a morte, algo me fez ficar, não sei o quê, mas concerteza não foi Deus, sei disso porque ele me abandonou na hora que mais precisava... Só nós mesmos podemos mudar e assim mudar as pessoas em nossas voltas, amigos, família, porque Deus, se realmente existe ou existiu na terra, na minha concepção, ele já foi embora há muito tempoo...

Sergio disse...

Vinicius deus esta do teu lado ele nunca te deixa só deus nunca te abandonou vc ja pensou na possibilidade d que vc que abandonou deus. Na questao da violencia, esta escrito no mundo tereis aflição mais tenham bom animo eu venci o mundo. Por mais q a tua familia e os teus amigos se esqueção d ti jamais eu disse jamais vc sera desprezado por deus.

César Ferreira disse...

Vinicios, lamento muito por ler apenas agora suas palavras tão honestas...
Não posso afirmar que senti sua dor, mas pude imaginar...
Sou cristão (isso não diz muita coisa aqui), apenas para que saiba que isso pode tornar as coisas mais complicadas, já que sempre espero que Deus não me deixe fazer papel de bobo, falando com as paredes. Mas sabe, estou convencido que a questão do sofrimento humano é realmente um fardo horroroso e esmagador, em muitos casos incompreensíveis. Não ousaria jamais convence-lo de nada, pois quando Deus precisar de minha defesa será o fim. A razão das minhas palavras apenas tentam expressar um abraço amigo, um gesto insignificante de um ser humano insignificante aqui que se sentiu tocado com seu profundo depoimento. É isso...
Abraços querido, super atrasado, mas sincero!